Uns e outros
Trabalhar em grupo é uma operação tão prestigiada – na
escola, no trabalho, no clube – que ninguém a discute. O que é
um perigo: as verdades dadas como indiscutíveis costumam
paralisar as iniciativas.
Num trabalho em equipe, valoriza-se tanto o sentido do
coletivo que a importância do indivíduo pode acabar
subestimada. Tal depreciação interfere na produção do grupo –
o que nos leva à óbvia conclusão de que o sucesso de um
trabalho em equipe supõe a satisfação individual. Reconhecer o
rosto de cada membro num time de verdade não é ceder a
algum nefasto individualismo: é saber reconhecer e identificar o
valor de cada sujeito.
É comum ouvir-se a respeito de um jogo de vôlei, no
qual o Brasil se destaca: “A seleção brasileira não está jogando
bem porque está jogando sem alegria". Há aqui uma grande
verdade: faltando a cada um dos jogadores essa força subjetiva,
da vontade alegre e determinada, o grupo todo se ressente e
joga mal. Não se trata de falta de técnica ou de tática, que
costumam sobrar em nossa seleção de vôlei: trata-se do súbito
arrefecimento daquela chama interior que, em qualquer
atividade em grupo, promove a motivação do indivíduo à
motivação do grupo, da qual resultará um reforço ainda maior
para o desempenho individual.
(Nestor Correa Lima, inédito)