O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Comparando as mutações genéticas dessas populações,
os pesquisadores concluíram que a especialização em
humanos ocorreu por volta de cinco mil anos atrás.
Nessa época, terminava o "período úmido africano": por
conta de mudanças cíclicas na órbita da Terra, o norte
da África tem períodos alternados de umidade
(caracterizado por alguma presença de lagos e florestas)
e completamente desérticos. Estamos na fase mais
seca, e conhecemos a região hoje como deserto do
Saara.
Com a mudança de clima, as populações de mosquitos
que viviam ali não encontravam mais animais para se
alimentar e água para botar ovos. Daí se aproximaram
das civilizações humanas, como as que viviam no rio
Nilo. Não à toa, o nome Aedes aegypti faz referência ao
Egito.
Por meio de registros históricos, sabemos que o
espalhamento do mosquito pelo mundo só ocorreu no
século 17 − em especial, com o tráfico de escravizados
partindo da África para as Américas. O A. aegypti picava
a tripulação e colocava os ovos nos barris de água dos
navios.
A América do Sul e a Central proporcionaram o ambiente
perfeito para o mosquito. A temperatura ideal para o
desenvolvimento do Aedes aegypti é de 22ºC a 32ºC (4).
Some isso à abundância de chuvas, e dá para dizer que
os bichinhos encontraram um continente para chamar de
seu.
(Super Interessante, março 2024)