Paciente portador de esquizofrenia, 22 anos, sexo masculino, desde os 16 começou a apresentar dificuldades tanto de
rendimento escolar quanto de relacionamentos sociais. Atualmente, em tratamento no CAPS, prevalece o quadro de
embotamento afetivo, rede social pobre, alucinações auditivas e ideias de que a comida e a água de sua casa estão
contaminadas. Apresenta crítica parcial da doença. Pretende trabalhar, pois se acha “velho” para estudar. Foi encaminhado para
avaliação e inserção em projeto de Terapia Ocupacional. Os aspectos avaliados pelo terapeuta ocupacional e os objetivos gerais
que podem ser traçados para este caso são, respectivamente:
A Avaliação do funcionamento nas áreas de desempenho sócio ocupacional, incluindo as atividades de vida diária, as
atividades de vida prática, lazer e atividade principal (trabalho/estudo); rede de apoio social; projetos para sua vida. Os
objetivos gerais são: desenvolvimento da autonomia e de estratégias para lidar com as dificuldades de realização das
atividades; psico-educação para aumentar a crítica em relação à doença e reconhecimento de sintomas e situações
estressoras, inserção em grupo terapêutico para vivência de formas de relacionamento interpessoal.
B Avaliação dos aspectos das funções executivas principalmente memória operacional; avaliação das habilidades sociais e
agressividade; qualidade da rede social e grau de adesão ao tratamento psiquiátrico. Os objetivos gerais incluem: o
desenvolvimento da autoestima e auto eficiência nas AVDs e AVPS; inclusão em oficinas terapêuticas e encaminhamento
para CECCO.
C Avaliação dos aspectos cognitivos que estão comprometendo suas funções executivas, orientação aos familiares sobre a
doença e manejo do paciente em casa, e avaliar comportamentos disfuncionais. Os objetivos gerais incluem: desenvolver
estratégias de aprendizado de novas formas de se relacionar e de contornar os déficits cognitivos, e inserção em oficinas
de trabalho.
D Avaliação do funcionamento ocupacional utilizando entrevistas com a família, psicólogo e assistente social; estimar o grau
de independência e potencial agressivo; avaliar a capacidade de aprendizagem de novas habilidades. Como objetivos
gerais: inserção em grupo para treino de habilidades sociais e monitoramento da raiva; psico-educação para desenvolver a
crítica quanto à sintomatologia; desenvolvimento de hábitos e atitudes para o trabalho remunerado.
E Avaliação do funcionamento ocupacional nas áreas de auto cuidado, auto manutenção, relacionamento interpessoal e grau
de comprometimento funcional devido à sintomatologia. Objetivos gerais incluem: organização de sua rotina incluindo
atividades de vida diária, atividades que envolvam responsabilidade e atividades de descanso/sono. Encaminhar para
Residência Terapêutica tendo em vista que está persecutório em relação ao ambiente de sua casa.