Ícone Questionei
QuestõesDisciplinasBancasDashboardSimuladosCadernoRaio-XBlog
Logo Questionei

Links Úteis

  • Início
  • Questões
  • Disciplinas
  • Simulados

Legal

  • Termos de Uso
  • Termos de Adesão
  • Política de Privacidade

Disciplinas

  • Matemática
  • Informática
  • Português
  • Raciocínio Lógico
  • Direito Administrativo

Bancas

  • FGV
  • CESPE
  • VUNESP
  • FCC
  • CESGRANRIO

© 2026 Questionei. Todos os direitos reservados.

Feito com ❤️ para educação

/
/
/
/
/
/
  1. Início/
  2. Questões/
  3. Língua Portuguesa/
  4. Questão 457941201676713

No trecho “A pior parte foram os objetos pessoais dos transeuntes.” (8º§), a palavra “pior” pode ser classificada como u...

1

457941201676713
Ano: 2025Banca: Instituto ConsulplanOrganização: Câmara de Mariana - MGDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Morfologia
Texto associado
O último homem do planeta terra

  Acostumado a acordar todos os dias com um turbilhão de buzinas, vozes e motores esfaqueando seus ouvidos, neste dia, acordou incomodado com o silêncio. Um torpor imediato. A estranheza levando-o a examinar ao redor. Aquela sensação de em que buraco me enfiei, afinal? Mas não estava em nenhum lugar estranho, estranho lugar, lugar nenhum. Era o mesmo quarto fétido de vinte e poucas primaveras. A mesma bagunça, o mesmo cheiro ácido impregnando as paredes mofadas.

  Inevitável. Saltou da cama e foi até a janela. Do lado de fora do apartamento, reinava o vazio. Silêncio absoluto. Era feriado? Devia ser, droga. Mas nem domingos, nem feriados costumavam ser absurdamente quietos assim. Havia sempre malucos correndo com seus fones de ouvido, carros passeando sem uma direção definida, bêbados cambaleantes tentando achar o caminho de volta para casa. E estaria realmente em casa?

  Ligou o rádio. Odiava locutores com bom humor. As manhãs foram criadas para serem mal-humoradas. Mas neste dia, permitiria torturar-se com o “boooooom diiiiiia” irritante vindo junto com as ondas de rádio. Precisava descobrir o que estava acontecendo.

  E que infernos estava acontecendo? A pergunta que lhe invadiu a cabeça quando, do rádio, só vieram chiados. Mudou de estação. Nada. FM. Nada. AM. Porcaria de chiado. Hertz e mega-hertz dos infernos. Deu um tapa no rádio. Teria preferido o monótono “bom dia” de uma voz grave qualquer.

  Raiva deixava-o com fome. Resolução: encher a barriga. Pão seco. Leite azedo. Desistiu. Melhor tapear a fome com uma lata de cerveja. Comeria qualquer porcaria no caminho para a faculdade.

  Quando seus pés chegaram à rua, percebeu a intensidade da estranheza. Não havia uma pessoa sequer em lugar algum. Nem caminhando, nem rastejando. Entrave para a normalidade. Suave fatalidade. Seria um sonho? Evidentemente que não. Era o caos, tão somente isso. Ou mais do que isso. Como saber? Melhor caminhar.

  E caminhou. Diante dos seus olhos, epítome da estranheza. Carros batidos. Recém-batidos. Era o que parecia. Alguns ainda fumegavam. Começou a ver pequenos incêndios.

  A pior parte foram os objetos pessoais dos transeuntes. Objetos, bolsas, pastas, roupas – tudo espalhado pelo chão. Como se tivessem evaporado de uma hora para outra. Seres distraídos em suas vidas ocupadamente desocupadas, de repente, são fulminados por uma explosão laser colossal. Todos desaparecem. Todos. Exceto um estudante de filosofia. Filosofia barata que não lhe permitia entender nem a milésima parte do que estava acontecendo. 

  Por que ele sobrevivera? Por que ainda estava ali? Será que seu apartamento possuía alguma proteção, algum dispositivo anti-raio-laser-universal-fulminador-de-inteira-humanidade? Os animais deviam ter este dispositivo também. Foi o que concluiu ao ver cães e gatos, pássaros e ratos em seus passeios despreocupados, deliciando-se com os alimentos que sobraram, caídos intactos das mãos dos seres humanos antes que tivessem tempo de levá-los a boca.

  Estava só. O último homem do planeta? Ou, melhor, o último moribundo do planeta.

  No dia seguinte, a energia acabou. Já esperava por isso. Não havia qualquer pessoa operando qualquer porcaria em qualquer lugar do planeta. Nenhum qualquer em nada qualquer. Teve sorte em não ser esmagado por um avião desgovernado que poderia estar sobrevoando sua cabeça quando o piloto e co-piloto evaporaram. Sorte? Teria sido a melhor coisa a lhe acontecer. E por não ter acontecido, tremeu na escuridão, envolvido pelo denso anoitecer.

  20 anos depois

  A vegetação dominava as ruas. Prédios e casas tomados por trepadeiras. O musgo servindo de tapete fértil para a proliferação de plantas sobre ruas e calçadas. Concreto arrebentado. Carros enferrujados. E um bando de animais tomando a cidade. Lobos e cobras, ursos e gatos selvagens reinavam na selva de pedra.

  E no meio do verde, outrora cinza, caminhava um encurvado estudante de filosofia. A barba crescida chegava ao peito. As roupas deterioradas pelo tempo se soltavam do seu corpo flácido. Caminhava lentamente. Pés descalços rastejantes. Sussurrava alguma coisa. Abram caminho. Curvem-se diante do rei. Quase inaudível. Quase elástico. As cobras e os lobos abriam espaço. Ursos e gatos pareciam até se curvar. E o homem passava. Em sua mão, apenas a réplica de um cetro enferrujado.

  Especialistas da extinta humanidade jamais seriam capazes de prever algo assim, mas tornou-se realidade: estudante de filosofia torna-se rei do planeta Terra.

(Juliano Martinz. Crônicas Corrosivas. Em: março de 2025.)
No trecho “A pior parte foram os objetos pessoais dos transeuntes.” (8º§), a palavra “pior” pode ser classificada como um:
Gabarito comentado
Anotações
Marcar para revisão

Acelere sua aprovação com o Premium

  • Gabaritos comentados ilimitados
  • Caderno de erros inteligente
  • Raio-X da banca
Conhecer Premium

Questões relacionadas para praticar

Questão 457941200217529Língua Portuguesa

O emprego correto das classes de palavras, como substantivos, adjetivos, verbos, advérbios, pronomes, entre outras, é essencial para a construção de u...

#Adjetivos#Advérbios#Formas Nominais do Verbo#Morfologia#Morfologia Verbal
Questão 457941200301153Língua Portuguesa

Um recurso considerável na construção textual é o emprego de personificações. Uma dessas personificações ocorre em:

#Recursos Estilísticos#Análise Textual
Questão 457941200395360Língua Portuguesa

Na construção “Quanto mais nos conectamos, mais nos alienamos.”, ocorre um confronto entre duas situações estabelecendo entre elas uma relação de:

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941200801482Língua Portuguesa

As palavras Semiótica e Direito estão grafadas com letra inicial maiúscula, pois se referem a domínios do saber. De acordo com a norma ortográfica vig...

#Uso de Letras Maiúsculas#Ortografia
Questão 457941201064057Língua Portuguesa

O questionamento feito no 3º: “Já observaram o voo das pombas no fim do dia?”, cuja resposta é concedida no mesmo período, tem como finalidade:

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941201096549Língua Portuguesa

Com base no conceito de coesão textual apresentado no texto I, assinale a alternativa que corretamente explicita o tipo de coesão utilizado no seguint...

#Análise Textual
Questão 457941201121598Língua Portuguesa

Qual das passagens textuais não apresenta uma opinião em relação ao fato especificado no texto?

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941201397759Língua Portuguesa

Considere a oração subordinada reduzida de infinitivo em “Está difícil flanar nas ruas de hoje.” (1º§). Ela pode ser corretamente identificada como su...

#Sintaxe#Orações Subordinadas Reduzidas
Questão 457941201695234Língua Portuguesa

“A mulher se aproxima, os olhos fixos na pia. Suas mãos, cujos dedos exibem dobras ressecadas, resultado de muitos anos de contato com água e detergen...

#Vocativo e Termos Acessórios da Oração#Sintaxe
Questão 457941201711575Língua Portuguesa

A partir do reconhecimento sintático das relações existentes entre as orações e os termos da oração, assinale a alternativa em que o segmento destacad...

#Análise Sintática#Sintaxe

Continue estudando

Mais questões de Língua PortuguesaQuestões sobre MorfologiaQuestões do Instituto Consulplan