O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Clara de ovo aumenta aderência de grafeno a fios de
algodão
Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco
(UFPE) desenvolveram um fio de algodão banhado em
grafeno que utiliza a clara do ovo de galinha para
aumentar a eficiência e reduzir os custos na produção de
fios condutores de eletricidade, fundamentais para o
desenvolvimento de roupas eletrônicas.
A geometria em forma de colmeia da molécula de
grafeno proporciona uma forte coesão entre seus
átomos de carbono. Assim, podem se estruturar em uma
única camada, resultando em um material fino, leve,
resistente e com grande condutividade térmica e elétrica.
Associá-lo aos fios de algodão seria uma eficiente
alternativa para a produção de fios têxteis com
condutividade elétrica. Esses fios poderiam ser
utilizados em sensores flexíveis e roupas eletrônicas, por
sua vez usadas para controle térmico, monitoramento
dos sinais vitais ou acesso à internet.
O grafeno, porém, não adere com facilidade ao algodão
e é preciso repetir até 80 vezes o processo de imersão e
secagem dos fios em óxido de grafeno, um líquido, para
obter o resultado desejado. O processo é demorado e
caro, o que motivou a equipe da UFPE, coordenada pela
química Patrícia Araújo, a buscar alternativas.
A polidopamina, um polímero autoaderente, e o álcool
polivinílico, um polímero sintético hidrossolúvel, foram
testados com certo sucesso pelo grupo e reduziram para
10 a quantidade de imersões necessárias para cobrir o
algodão com grafeno. A albumina sérica bovina, uma
proteína do sangue da vaca, apresentou resultados
melhores, com apenas uma imersão, mas sua extração é
difícil e cara.
Os pesquisadores testaram a clara do ovo de galinha
como uma fonte mais acessível da proteína e de custo
menor. O tratamento dos fios com a albumina de ovo
reduziu para cinco a necessidade de imersão,
alcançando uma resistência elétrica ideal de 80 Ω.g/cm²
(ohm, representado pela letra grega ômega, a unidade
de medida para resistência elétrica, multiplicado por
grama dividido por centímetro ao quadrado). Esse valor
se manteve o mesmo após os fios serem submetidos a
104 testes de flexão, nos quais eles são dobrados, e
cinco de lavagem, para avaliar a adesão do
revestimento, como detalhado em um artigo publicado
em março na revista Materials Research.
"Mesmo com uma maior necessidade de imersão do que
com a albumina sérica bovina, a vantagem da clara de
ovo é muito grande", comenta Araújo. "A albumina
bovina é de 40 a 50 vezes mais cara". Os pesquisadores
estão em busca de parcerias com empresas para ampliar
a escala de produção dos fios condutores.
Uma equipe da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), campus de Juazeiro, na Bahia,
encontrou outra forma de tornar os fios de algodão
capazes de produzir e armazenar energia: revesti-los
com uma camada dupla de nanotubos de carbono e
grafeno e depois cobri-los com um polímero plástico. O
processo foi descrito em um artigo publicado em abril de
2018 na revista ACS Applied Materials & Interfaces.
Trata-se de uma técnica mais complexa e cara do que a
proposta pelos pesquisadores da UFPE.
FLORESTI, Felipe. Clara de ovo aumenta aderência de
grafeno a fios de algodão. Revista Pesquisa FAPESP.
Disponível em:
https://revistapesquisa.fapesp.br/clara-de-ovo-aumenta-a
derencia-de-grafeno-a-fios-de-algodao/
Acesso em: 18 jun., 2024.