A prova do tempo
Uma polêmica suposição, sustentada desde 1978
pelo arqueólogo francês Bernard Vandermeersch, acaba de
ser confirmada por uma técnica de última geração. Ele vinha
dizendo que o homem de Neandertal, hominídeo cujo
primeiro fóssil foi encontrado há 132 anos no vale do rio
Neander, na Alemanha, era contemporâneo do Homo
sapiens sapiens, o homem moderno. Isso contraria a
hipótese tradicionalmente aceita de que este teria surgido
depois daquele. Segundo o cientista, o homem do vale de
Neander teria se originado na Europa há cerca de 350 mil
anos, desaparecendo por razões ainda desconhecidas há 42
mil anos. Já o homem moderno teria surgido no Oriente
Próximo numa época em que os neandertais ainda viviam.
A teoria foi comprovada recentemente graças ao
método da termoluminescência, que permite saber quando
um mineral foi manipulado para a confecção de
instrumentos. Identificando-se, por exemplo, quando uma
pedra foi lascada para fazer-se uma ponta de lança, pode-se
saber a idade do fóssil encontrado no mesmo local. Ao fim
dos estudos, os pesquisadores concluíram que o homem
moderno é mais antigo do que se pensava, tendo surgido há
94 mil anos. As duas espécies, portanto, teriam coexistido no
planeta por 500 séculos, pelo menos. Resta saber se foram
apresentados uns aos outros alguma vez.
(Fonte: Superinteressante — adaptado.)