Células podem indicar chave para frear efeitos do
envelhecimento
Elas estão espalhadas por todo o nosso corpo — do
cérebro ao fígado —, e atuam liberando moléculas
prejudiciais que degradam os tecidos, afetando a
cognição, aumentando a fragilidade e enfraquecendo o
sistema imunológico. E seu número aumenta à medida
que envelhecemos.
Estamos nos referindo às células senescentes, muitas
vezes, chamadas de "células zumbis".
Com a idade, elas passam por um processo de
senescência, um estado em que não crescem e não se
dividem, no entanto resistem em morrer e liberam uma
combinação prejudicial de sinais biológicos nocivos.
Quando uma pessoa é jovem, o sistema imunológico
elimina células senescentes. Mas muitas conseguem
perseverar, contribuindo para problemas de saúde e
doenças associadas ao avanço da idade.
Há mais de uma década, várias equipes de cientistas
pesquisam formas de destruir estas células, e assim,
deter os problemas do envelhecimento.
As doenças, as lesões e os outros fatores de estresse
danificam as células de todo o nosso corpo.
Idealmente, nosso sistema imunológico elimina as
células danificadas por meio de um processo chamado
apoptose.
Mas, à medida que envelhecemos, o nosso organismo já
não é tão eficaz na eliminação de células disfuncionais, e
isso contribui para o enfraquecimento do sistema
imunológico e outros processos biológicos menos
eficientes.
Nas dezenas de ensaios clínicos realizados em células
senescentes atualmente, os pesquisadores usam desde
medicamentos — novos e adaptados — até
biomarcadores e ferramentas genéticas para
reprogramar e matar estas células, na esperança de
acabar com as doenças associadas ao avanço da idade.
"Sabemos que as pessoas envelhecem em ritmos
diferentes, e que a idade cronológica de uma pessoa
nem sempre coincide com a sua idade biológica",
explicou Jennifer Sauver, principal autora do estudo.
"Descobrimos que um grupo de diversas proteínas
liberadas pelas células zumbis funciona como
biomarcadores da senescência e prevê resultados
relacionados à saúde em adultos mais velhos."
Os pesquisadores também descobriram que medir estes
biomarcadores no sangue ajuda a prever a mortalidade,
para além da combinação da idade cronológica, do sexo
e da presença de uma doença crônica.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4nn0v2g45mo. adaptado.