As classes gramaticais das palavras grifadas foram corretamente ide...
🏢 BIO-RIO🎯 Prefeitura de Mesquita - RJ📚 Língua Portuguesa
#Morfologia Verbal#Conjunções#Preposições#Adjetivos#Flexão de Tempo Verbal#Substantivos#Artigos#Pronomes Indefinidos#Morfologia dos Pronomes#Formas Nominais do Verbo#Pronomes Demonstrativos#Morfologia
Esta questão foi aplicada no ano de 2012 pela banca BIO-RIO no concurso para Prefeitura de Mesquita - RJ. A questão aborda conhecimentos da disciplina de Língua Portuguesa, especificamente sobre Morfologia Verbal, Conjunções, Preposições, Adjetivos, Flexão de Tempo Verbal, Substantivos, Artigos, Pronomes Indefinidos, Morfologia dos Pronomes, Formas Nominais do Verbo, Pronomes Demonstrativos, Morfologia.
Esta é uma questão de múltipla escolha com 5 alternativas. Teste seus conhecimentos e selecione a resposta correta.
Ando perdido em uma selva de palavras. Existem termos destinados a dar a impressão de
que algo não é exatamente o que é. Ou para botar verniz sobre uma atividade banal. Já estão, sim,
incorporados no vocabulário. Servem para dar uma impressão enganosa. E também para ajudar as
pessoas a parecer inteligentes e chiques porque parecem difíceis. Resolvi desvendar algumas dessas
armadilhas verbais.
Seminovo — Já não se fala em carro usado, mas em seminovo. Vendedores adorarn. O termo
sugere que o carro não é tão velho assim, mesmo que se trate de uma Brasília sem motor. Ou que o
câmbio saia na mão do comprador logo depois da primeira curva. E pura técnica de vendas. Vou guardá-
lo para elogiar uma amiga que fez plástica. Talvez ela adore ouvir que está “seminova". Mas talvez...
Sale — É a boa e velha liquidação. As lojas dos shoppings devem achar liquidação muito
chula. Anunciam em inglês. Sale quer dizer que o estoque encalhou. A grife está liquidando, sim! Não
se envergonhe de pedir mais descontos. Pode ser que não seja chique, mas aproveite.
Loft — Quando o loft surgiu, nos Estados Unidos, era uma moradia instalada em antigos galpões
industriais. Sempre enorme e sem paredes divisórias. Vejo anúncios de lofts a torto e a direito. A maioria
corresponde a um antigo conjugado. Só não tem paredes, para lembrar seu similar americano. É preciso
ser compreensivo. Qualquer um prefere dizer que está morando em um loft a dizer em uma quitinete de
luxo.
Cult — Não aguento mais ouvir falar que alguma porcaria é cult. O cult é o brega que ganhou
status. O negócio é o seguinte: um bando de intelectuais adora assistir a filmes de terceira, programas de
televisão populares e afins. Mas um intelectual não pode revelar que gosta de algo considerado brega.
Então diz que é cult. Assim, se pode divertir com bobagens, como qualquer ser humano normal, sem
deixar de parecer inteligente. Como conceito, próximo do cult está o trash. E o lixo elogiado. Trash é
muito usado para filmes de terror. Um candidato a intelectual jamais confessa que não perde um episódio
da série Sexta-Feira 13, por exemplo. Ergue o nariz e diz que é trash. Depois, agarra um saquinho de
pipoca, senta na primeira fila e grita a cada vez que o Jason ergue o machado.
Workshop — E uma espécie de curso intensivo. Existem os bons. Mas o termo se presta a muita
empulhação. Pois, ao contrário dos cursos, no workshop ninguém tem a obrigação de aprender alguma
coisa específica. Basta participar. Muitas vezes botam um sujeito famoso para dar palestras durante dois
dias seguidos. Há alunos que chegam a roncar na sala. Depois fazem bonito dizendo que participaram
de um workshop com fulano ou beltrano. A palavra é imponente, não é?
Releitura — Ninguém, no meio artístico ou gastronômico, consegue sobreviver sem usar essa
palavra. Está em moda. Fala-se em releitura de tudo: de músicas, de receitas, de livros. Em culinária,
releitura serve para falar de alguém que achou uma receita antiga e lhe deu um toque pessoal. Críticos
culinários e donos de restaurantes badalados adoram falar em cardápios com releitura disso e daquilo.
Ora, um cozinheiro não bota seu tempero até na feijoada? Isso é releitura? Então minha avó fazia
releitura e não sabia, coitada. O caso fica mais complicado em outras áreas. Fazer uma releitura de uma
história não é disfarçar falta de ideia? Claro que existem casos e casos. Mas que releitura serve para
disfarçar cópia e plágio, serve. Seria mais honesto dizer “adaptado de..." ou “inspirado em...", como
faziam antes.
Daria para escrever um livro inteiro a respeito. Fico arrepiado quando alguém vem com uma
conversa abarrotada de termos como esses. Parece que vão me passar a perna. Ou a culpa é minha, e não
sou capaz de entender a profundidade da conversa. Nessas horas, fico pensando: será que sou bobo? Ou
tem gente esperta demais?
(CARRASCO, Walcyr. In: SILVA, Carmem Lucia da & SILVA, Nilson Joaquim da. (orgs.) Lições
de Gramática para quem gosta de Literatura. São Paulo: Panda Books, 2007. p. 77-79.)
As classes gramaticais das palavras grifadas foram
corretamente identificadas em quase todas as alternativas,
EXCETO EM UMA. Assinale-a: