O CONSUMO ALIENADO
O problema da sociedade de consumo é que as
necessidades são
artificialmente estimuladas, sobretudo pelos
meios de comunicação de massa, levando os
indivíduos a
consumirem de maneira alienada.
Multiplicam-se, de maneira intensa e
rápida, as ofertas de
possibilidades de consumo e a única coisa a que não se tem
escolha é não consumir!
Os centros de compras se transformam em “catedrais do
consumo", verdadeiros templos cujo apelo ao novo torna tudo
descartável e rapidamente obsoleto.
Vendem-se coisas, serviços, ideias. Basta ver como em
tempos de eleição é “vendida" a imagem de certos
políticos...
A estimulação artificial das necessidades provoca
aberrações do consumo: montamos uma sala completa de som,
sem gostar de música; compramos biblioteca “a metro", deixando
volumes “virgens" nas estantes; adquirimos quadros famosos, sem
saber
apreciá-los (ou para mantê-los no cofre). A
obsolescência dos
objetos, rapidamente postos “fora de moda", exerce uma tirania
invisível, obrigando as pessoas a comprarem a
televisão nova, o
refrigerador ou o carro porque o design se tornou antiquado ou
porque uma nova engenhoca se mostrou
indispensável.
E, quando bebemos Coca-Cola porque “É emoção pra
valer!", bebemos o slogan, o costume norte-americano, imitamos os
jovens cheios de vida e alegria. Com nosso paladar é que menos
bebemos...
Como o consumo alienado não é um meio, mas um fim em
si, torna-se um poço sem fundo, desejo nunca satisfeito, um sempre
querer mais. A
ânsia do consumo perde toda relação com as
necessidades reais do homem, o que faz com que as pessoas
gastem sempre mais do que têm. O próprio
comércio facilita tudo
isso com as prestações, cartões de crédito, liquidações e ofertas de
ocasião, “dia das mães" (...)
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à
filosofia. 2 ed. São Paulo: Moderna, 1993.