Leia o texto a seguir.
Uma vez por ano, o quinto era enviado de Vila Boa
ao Rio de Janeiro. Era uma longa viagem de quase dois mil
quilômetros, que consumia três meses através de matas,
montanhas e cerrados totalmente desertos, em data e
caminho de todos conhecidos. Esta fabulosa quantidade
de ouro nunca sofreu uma tentativa de assalto. Seria
ridículo atribuir tamanha segurança à pequena escolta de
soldados, mais simbólica que real. Sertanistas, capitães do
mato, contrabandistas, com a impunidade garantida por
seu conhecimento do sertão e dos caminhos da
ilegalidade, nunca foram tentados por essa fortuna tão
fácil.
Era um respeito extremo que protegia o ouro real
do rei de todo atentado, sem que isso impedisse que estes
mesmos homens tentassem, por todos os meios, a
sonegação dos impostos e o contrabando.
PALACÍN, Luís. Subversão e Corrupção: um estudo da administração
pombalina em Goiás. Goiânia: Editora UFG, 1983.
Qual aspecto da cultura goiana está sendo mostrado pelo
texto?