Alfabetizar todas as crianças na idade certa já era um desafio gigantesco e urgente para o Brasil, mas
a pandemia do novo coronavírus tornou os obstáculos ainda maiores.
O cenário pré-Covid-19 já revelava uma tragédia silenciosa, uma vez que apenas 49% dos estudantes
no 2º ano do ensino fundamental possuíam níveis suficientes de alfabetização em 2019, data do último
levantamento realizado pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) — e este percentual foi muito
menor em alguns estados, onde menos de 25% dos alunos tinham os conhecimentos esperados para essa
etapa de aprendizagem.
Os números já eram alarmantes e devem piorar. É o que mostra a pesquisa realizada pelo Datafolha, a
pedido da Fundação Lemann, do Itaú Social e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sobre o
processo de alfabetização durante a pandemia de estudantes matriculados nos 1º, 2º ou 3º anos do ensino
fundamental. Os dados revelam uma estagnação ou até possíveis retrocessos: 51% dos estudantes ficaram no
mesmo estágio de aprendizado, segundo a percepção de pais e de responsáveis entrevistados na pesquisa. A
ausência de aulas presenciais e, por vezes, falta de capacidade técnica dos familiares para ensinar são alguns
fatores apontados como as maiores dificuldades no processo de alfabetização durante este período de escolas
fechadas. [...]
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2021/08/os-desafios-da-alfabetizacao-na-pandemia.shtml. Acesso em: 01
set. 2021. (Fragmento)
No texto acima, há alternância de tempos verbais no pretérito e no presente. Essa alternância ocorre
para