Ao abordar as regras de concordância nominal, uma
professora explica à sua turma que, conforme prescreve a norma-padrão, em um mesmo sintagma nominal, a concordância deve se estabelecer entre o
substantivo e os elementos que o modificam. Assim,
ilustrando a regra com o sintagma “os pequenos pássaros azuis”, ela frisa que a pluralização de todos os
itens que se referem ao substantivo “pássaro” torna
esse sintagma adequado à norma de prestígio. A professora, contudo, também destaca que, nas variedades vernaculares do português – ou mesmo em interações menos monitoradas de usuários da norma
culta –, a marcação de plural no sintagma nominal
acontece de maneira distinta, já que não é necessário
pluralizar todos os itens que o constituem, apresentando os seguintes exemplos: “os pequeno pássaro
azul”, “esses bolinho gostoso” e “saudades eterna”.
Chama, então, a atenção da turma para o fato de a
regra da norma-padrão se mostrar redundante, pois
tanto os usos vernaculares quanto os linguisticamente menos monitorados atestam que, para garantir a
expressão do plural, basta pluralizar apenas um dos
elementos do sintagma.
Considerando-se as diferentes concepções que podem pautar o trabalho pedagógico com a gramática
da língua portuguesa, seja na perspectiva normativa,
seja sob a ótica (sócio)linguística, é correto afirmar
que a abordagem adotada pela professora