Em 2010, Eliseu Alves e Daniela de Paula Rocha mostraram, pela
primeira vez, no livro “A agricultura brasileira: desempenho,
desafios e perspectivas”, publicado pelo Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), a forte concentração da produção
agropecuária brasileira. Conforme o estudo, os produtores foram
divididos em três grupos. O primeiro, que poderia ser atendido
por políticas de alcance geral, representava 8% dos
estabelecimentos mais ricos, os quais eram responsáveis por 85%
do valor bruto da produção. O segundo grupo, composto por 19%
dos estabelecimentos de renda intermediária, responsáveis por
11% do valor produzido, deveria ser assistido por políticas mais
específicas. O terceiro grupo, o qual deveria ser o foco das
políticas públicas, reunia a maior parte da pobreza rural, que era
representada por 73% dos estabelecimentos, respondendo por
4% da produção.
Diante deste contexto, é pertinente compreender que