A gagueira é um transtorno da fluência do neurodesenvolvimento com início na infância. A detecção e a intervenção precoces
podem minimizar o prejuízo na fala e prevenir o surgimento de outras complicações. Além disso, há também possibilidade
de evitar a sua instalação persistente, caso seja identificada logo nos períodos iniciais da manifestação. A criança com gagueira pode desenvolver dificuldades sociais, emocionais e comportamentais, além de possuir sentimentos negativos em
relação à sua fala. Sobre a gagueira, assinale a afirmativa correta.
A A gagueira surge por volta dos quatro anos de idade, quando as redes neurais que sustentam o processo da fala fluente produzem
sinais de controle instáveis, apresentando disfluências atípicas que podem estar suscetíveis às influências genética, epigenética e
ambiental, caracterizando uma etiologia multifatorial e complexa. Estima-se que a incidência da gagueira entre as crianças
menores de oito anos é muito menor do que em períodos posteriores da vida, variando no intervalo entre 3% a 5% na primeira
infância, alertando para o período de desenvolvimento do transtorno em crianças com idades mais avançadas.
B As consequências da gagueira ficam menos agravadas à medida que a idade da criança avança. Na fase inicial do surgimento, por
volta dos quatro anos, é possível potencializar a recuperação da fluência da fala. Sabe-se que a gagueira tende a se cronificar a
partir dos dez anos, refletindo diretamente no prognóstico clínico, uma vez que quanto mais tempo uma criança gagueja, mais
improvável é a sua recuperação espontânea, implicando em intervenção tardia, piores prognósticos e aumento do tempo clínico
de reabilitação. Entretanto, a cronificação da gagueira não está relacionada a menores chances de os indivíduos se tornarem
adultos fluentes.
C As disfluências típicas da gagueira manifestam-se principalmente com a ocorrência de bloqueios, prolongamentos e repetições,
que permite o diagnóstico diferencial com outros transtornos da linguagem. Na história clínica da gagueira, é de extrema relevância
que sejam investigados os fatores de risco para a sua cronicidade. Dentre eles, pode-se citar a idade, o gênero, o tipo de surgimento
e o tempo de duração das disfluências, a tipologia das disfluências, os fatores comunicativos e qualitativos associados, o histórico
mórbido pré, peri e pós-natal, o histórico familiar, os fatores estressantes que ocorreram próximo ao surgimento da gagueira, a
reação pessoal, familiar e social, além das atitudes familiares.
D A gagueira desenvolvimental familial foi descrita na literatura como um possível subgrupo do distúrbio, cuja etiologia parece
ser primariamente de origem ambiental, uma vez que nesses casos a criança tende a repetir padrões presentes em seu contexto
social e ambiental. Aproximadamente metade dos casos de gagueira desenvolvimental persistente são desencadeados por fatores
estressantes, sem necessariamente envolver histórico familiar positivo do distúrbio. O início predominante do distúrbio em idade
pré-escolar sugere que fatores múltiplos relevantes são causados no processo desenvolvimental.