Leia o seguinte trecho, do romance de Bernardo Carvalho:
Leusipo perguntou o que eu tinha ido fazer na aldeia. Preferi achar que o tom era amistoso e, no meu paternalismo ingênuo,
comecei a lhe explicar o que era um romance. Ele não estava interessado. Queria saber o que eu tinha ido fazer na aldeia. Os
velhos estavam preocupados, queriam saber por que eu vinha remexer no passado, e ele não gostava quando os velhos
ficavam preocupados. Eu tentava convencê-lo de que não havia motivo para preocupação. Tudo o que eu queria saber já era
conhecido. E ele me perguntava: “Então, por que você quer saber, se já sabe?”. Tentei lhe explicar que pretendia escrever um
livro e mais uma vez o que era um romance, o que era um livro de ficção (e mostrava o que tinha nas mãos), que seria tudo
historinha, sem nenhuma consequência na realidade. Ele seguia incrédulo. Fazia-se desentendido, mas na verdade só queria
me intimidar. Eu estava entre irritado e amedrontado. Tinha vontade de mandar o índio à puta que o pariu, mas não podia me
indispor com a aldeia. Se é que havia alguma coisa a descobrir (e Leusipo a me intimidar punha ainda mais lenha nessa minha
fantasia), era preciso ser diplomático.
CARVALHO, Bernardo. Nove noites. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 85.
Com base no fragmento acima transcrito e na leitura integral de Nove noites, assinale a alternativa correta.