Texto I.
A Escrita
A nossa civilização é marcada pela linguagem gráfica. A escrita
domina a nossa vida; é uma instituição social tão forte quanto a
nação e o Estado. Nossa cultura é basicamente uma cultura de
livros. Pela escrita acumulamos conhecimentos, transmitimos
ideias, fixamos nossa cultura.
Nossas religiões derivam de livros: o islamismo vem do Corão,
escrito por Maomé; os Dez Mandamentos de Moisés foi um livro
escrito em pedra. Nosso cristianismo está contido em um livro, a
Bíblia. É a cartilha, é o livro escolar, é a literatura expressa
graficamente, é o jornal. Mesmo a televisão – e mais do que ela o
cinema – lança mão dos recursos da linguagem escrita (legenda)
para facilitar a comunicação.
Na engrenagem da sociedade moderna, a comunicação escrita
senta-se em trono. São as certidões, os atestados, os relatórios, são
os diplomas. O documento é basicamente um documento gráfico,
e a simples expressão gráfica vale mais do que todas as evidências.
Numa quase caricatura podemos dizer que o atestado de óbito é
mais importante que o cadáver, o diploma mais do que a
habilitação. Sem a linguagem escrita é praticamente impossível a
existência no seio da civilização. O analfabeto é um pária que não
se comunica com o mundo, não influi e pouco é influenciado.
AMARAL VIEIRA, R. A. O futuro da comunicação. Ed. Achiame. 1981.