O quilombola Francisco Sales Coutinho Mandira até
tentou sair da lama, mas logo percebeu que o mangue era o
seu lar. Tivesse investido em continuar como ajudante de
pedreiro, quando ficou dois anos fora do quilombo que leva
seu sobrenome, certamente hoje não conheceria África do
Sul, Dinamarca e Itália. Tudo porque organizou os
quilombolas para fazer uso racional dos recursos naturais.
Fez tão bem que virou exemplo internacional (...). A
mudança começou em 1993, quando pesquisadores da USP
e órgãos do governo passaram a divulgar o conceito de
reserva extrativista, em que populações tradicionais
continuam retirando seu sustento da natureza, mas de
forma planejada.