Abolindo a abolição
“Promotora vê quadro de quase escravidão: operação
libera 38 em fazenda no Espírito Santo.”
Brasil, 24 jun. 1999.
Tudo começou quando eles foram procurar emprego
na fazenda de café. O proprietário disse que sim,
que podia empregá-los. Só não poderia pagar muito.
Que decidissem: era pegar ou largar, ame-o ou deixe-o.
Eles se olharam. O que podiam fazer? Aceitaram.
Passado o primeiro mês, o proprietário reuniu-os e disse
que os negócios não andavam bem, que a cotação
do café estava em baixa no mercado internacional.
Propôs diminuir o salário, coisa pouca, e não por
muito tempo. Eles se olharam, mas o que podiam
fazer? Aceitaram.
Um mês depois, o proprietário reuniu-os de novo.
Os negócios continuavam ruins, de modo que ele tinha
outra proposta: atrasaria os salários, indefinidamente,
mas em compensação forneceria alojamento e comida.
O alojamento não passava de um telheiro com um
estrado e colchonetes; banheiro não havia. Quanto
à comida, como disse o próprio proprietário, não era
coisa para gourmet. De novo se olharam. O que podiam
fazer? Aceitaram.
SCLIAR, Moacyr. Abolindo a abolição. Disponível em: l1nq.
com/cEZfx. Acesso em: 14 dez. 2022 (fragmento).
Sobre o texto anterior, é correto afirmar: