Leia o caso a seguir.
Paciente A., 15 anos, iniciou tratamento em unidade de saúde
mental, com queixas de muita “ansiedade” na escola. A mãe
relata que ele sempre teve muita dificuldade de fazer amizade,
tanto na escola, quanto com familiares. É sempre muito literal
nas suas colocações e parece ser muito inocente para a idade.
A mãe refere que A. demorou muito para começar a falar (dois
anos de idade) e que parecia sempre desligado das pessoas.
Gostava sempre de coisas que ninguém gostava, como
colecionar tampinhas de garrafa, ou estudar tudo sobre
dinossauros. Sempre tinha dificuldade com barulhos altos, que
o deixavam irritado. Só gostava de comer arroz com feijão.
Quando as coisas saíam da rotina, ficava mais ansioso e
irritado. Sempre teve bom desempenho acadêmico, mas há
cerca de 3 anos, após mudar para outra escola, A. começou a
se queixar de aperto no peito, angústia, parestesia em membros
e desrealização. Refere que isso acontecia toda vez que tinha
que falar na frente dos colegas e que já não conseguia nem
lanchar com eles. Em casa, começou a se isolar mais, evitando
sair para lojas ou shoppings. O psiquiatra então iniciou o uso de
25 mg/dia de Paroxetina. Cerca de dez dias depois do início da
medicação, a mãe reparou que A. estava mais alegre, falante,
“radiante”, cheio de planos e relatava que queria se candidatar
a representante da sala. Cheio de energia, não dormia direito à
noite. Quinze dias após o início da Paroxetina, a família retornou
ao psiquiatra, que suspendeu a medicação. Dois dias depois, A.
voltou a se queixar dos mesmos sintomas de antes, retornando
ao comportamento evitativo.
Baseado na história clínica, a suspeita diagnóstica para o
caso é de transtorno