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457941200823726
Ano: 2024Banca: IBPTECOrganização: Prefeitura de Lagarto - SEDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Análise Sintática | Sintaxe
Texto associado
Por que Amazônia virou 'barril de pólvora' e queimadas batem recordes


Depois do Pantanal e do Cerrado, a Amazônia também bate recorde de queimadas no primeiro semestre deste ano.

Até domingo (07/07), foram detectados pelo Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 14.250 focos de calor no bioma. É o maior número em duas décadas para o primeiro semestre, e um aumento de 60% em relação ao mesmo período do ano passado.

O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, explica que os focos de calor geram um alerta, mas, para mensurar o estrago, é preciso saber o tamanho da área queimada. 

Ainda assim, alguns Estados estão sob alerta maior. Roraima, de acordo com Agostinho, é o que se encontra em situação mais crítica dentro do bioma amazônico hoje.

Das detecções de fogo por satélites, 33% estão ali, ou 4.627 focos, o maior número desde o início da série histórica medida pelo Inpe, em 1998.

“A temporada seca lá ocorre em novembro e dezembro, mas se arrastou até março deste ano”, explica o presidente do Ibama.

Na mesma esteira, o Mato Grosso, que abriga os biomas da Amazônia, Cerrado e Pantanal, apresentou o maior número de focos de incêndio de todo o país, batendo um recorde de vinte anos.

A Secretaria do Meio Ambiente do Mato Grosso (Sema-MT) afirmou em nota que "o Estado sofre com estiagem severa e baixa umidade desde o fim do ano passado e, com isso, o material orgânico seco oriundo da vegetação se acumula, o que tem facilitado a combustão". A secretaria também apontou que o governo do Estado investe, neste ano, R$ 74 milhões na execução do Plano de Ação de Combate ao Desmatamento Ilegal e Incêndios Florestais.

A capacitação de brigadistas e bombeiros, monitoramento em tempo real dos focos de queimadas, a construção de açudes e perfurações de poços, assim como a substituição de pontes de madeira por concreto, são parte das ações do plano. A BBC News Brasil procurou também a Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (FEMARH) de Roraima, mas não recebeu resposta até o fechamento desta reportagem.

Ane Alencar, diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), explica que o déficit hídrico do ano passado no bioma junto à antecipação da estação seca ocorrida neste ano deixaram a vegetação muito inflamável.

"Passei por algumas regiões do Mato Grosso recentemente e pude perceber que a vegetação já formou aquela cama de folhas secas no chão, algo que costuma ocorrer no final de julho, início de agosto", explica Alencar.

"A região de Santarém [no Pará] também. E ali começa a secar geralmente em setembro, outubro".

Diante do cenário de antecipação da seca, Agostinho afirma que as operações para o segundo semestre estão sendo intensificadas.

No caso da Amazônia, de acordo com o presidente do Ibama, as ações serão voltadas principalmente para o cinturão do desmatamento, "onde a área degradada é propícia para os incêndios".

O cinturão (ou arco) do desmatamento é o nome dado a uma extensão de cerca de 500 km2 de terras que vão desde o leste e o sul do Pará em direção a oeste, passando pelo Mato Grosso, Rondônia e Acre.

É nesta região onde ocorre a maioria dos desmatamentos na Amazônia.

O governo federal anunciou na semana passada uma queda de 38% no desmatamento da Amazônia no primeiro semestre deste ano.

Entre 2022 e 2023, a redução havia sido ainda mais significativa, de 50%, segundo dados oficiais.

Ao fazer o anúncio, na quarta-feira (4/7), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), disse ter “esperança” de chegar ao desmatamento zero no bioma até 2030, uma promessa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A preservação da floresta é fundamental para mitigar os estragos causados pelo fogo, de acordo com Ane Alencar.

“Percebemos que, onde houve a redução do desmatamento também houve queda nas queimadas e nos incêndios no ano passado”, diz a diretora do Ipam. “Ainda bem que houve um esforço forte para reduzir o desmatamento no ano passado. Essa redução impediu que a área afetada por incêndios fosse muito maior.” 

Além das questões climáticas, que podem ser incontroláveis, mas já podem ser, em grande parte, previstas, o desmatamento é considerado pelos ambientalistas peça fundamental para o alastramento do fogo.

“Quando alguém derruba uma floresta, na sequência põe fogo”, diz Agostinho. “Mas, muitas vezes, o sujeito derruba 100 hectares, põe fogo, mas o fogo se alastra e queima outros 500 hectares.”

Além disso, a área desmatada, muitas vezes, é uma terra pública, o que dificulta a identificação e punição dos responsáveis do local, segundo o presidente do Ibama A relação do El Niño com o fogo.

No ano passado, a Amazônia sofreu uma seca histórica, em decorrência das mudanças climáticas em um ano de El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal e persistente das águas do Pacífico na linha do Equador.

“A mudança na temperatura do oceano Pacífico Equatorial acarreta efeitos globais nos padrões de circulação atmosférica, transporte de umidade, temperatura e precipitação”, disse o Inpe em um comunicado.

Ou seja, seus impactos são diferentes para cada região do país: no Rio Grande do Sul, causou altos volumes de chuva. Na Amazônia, foi o contrário. “É importante destacar que não tivemos só o El Niño”, lembra Alencar.

“O El Niño foi potencializado por uma onda de aquecimento do globo que também impactou o oceano Atlântico e potencializou seus efeitos.”

Neste cenário, a seca do ano passado já havia deixado a região vulnerável aos incêndios. Em 2023, o bioma perdeu para o fogo uma área de extensão pouco maior que Portugal. No total, foram queimados 10,7 milhões de hectares, um aumento de 35% em relação a 2022, de acordo com os dados da plataforma do Inpe.

A  Agência Nacional Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos previa que o El Niño terminaria em junho deste ano, já que, normalmente, o fenômeno dura entre 9 e 12 meses.

 Suas consequências, no entanto, devem se estender na Amazônia, já que ele termina quando a estação seca, de fato, deveria começar. Alencar lembra que, embora a mistura das mudanças climáticas com o El Niño contribuam para a condição de um solo altamente inflamável, a Amazônia não é um bioma que queima naturalmente.

“A resposta do fogo, principalmente na Amazônia, onde o fogo deveria ser algo raro, deve-se a uma fonte de ignição primordialmente humana”, explica.

“E, para combatê-la é preciso estabelecer uma estratégia de comando e controle, com operações conjuntas de vários órgãos, instituições, e multas e responsabilizações cada vez mais sofisticadas."

Crime ambiental.

De acordo com o Código Florestal, o uso do fogo é permitido em situações bem específicas.

Dentre elas, estão a agricultura de subsistência exercida por populações tradicionais e indígenas, as atividades de pesquisas científicas ou de produção e manejo em atividades agropastoris ou florestais.

Neste caso, a prática é chamada de queima controlada e requer autorização prévia, além de exigir uma série de requisitos, como a delimitação da área que será queimada e do acompanhamento por uma equipe treinada.

Cabe aos Estados emitir a autorização e, se necessário, determinar um período proibitivo para a prática, considerando fatores que favorecem a disseminação do fogo, como umidade do ar, temperatura e ventos.

No Mato Grosso do Sul, por exemplo, onde está presente 65% do Pantanal, as queimas controladas estão proibidas desde o início de junho.

Por meio de uma portaria, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), vinculado ao governo estadual, tornou sem efeito todas as autorizações emitidas e ainda não executadas para queima controlada. 

A tramitação de processos de licenciamento e a emissão de novas autorizações do gênero também foram suspensas.

Já o incêndio florestal é caracterizado pelo fogo descontrolado que avança sobre qualquer forma de vegetação e pode resultar em autuações, caso os responsáveis sejam identificados.

De acordo com a Lei dos Crimes Ambientais, as queimadas e incêndios florestais podem render uma multa de até R$ 7,5 mil por hectare queimado e até seis anos de prisão.

Além de conter o fogo, identificar os criminosos é um ponto nevrálgico da crise que se instalou no Pantanal. O bioma tem enfrentado incêndios em proporções recordes nos últimos anos, incluindo em 2024. De acordo com o presidente do Ibama, ao menos 5% do bioma foi queimado até o momento, em um ano de seca e incêndios históricos.

Na semana passada, o Ministério Público do Mato Grosso do Sul anunciou que doze fazendeiros são alvo de um inquérito por serem proprietários de imóveis rurais onde podem ter iniciado focos de incêndio no Pantanal.

"Mas identificar os agentes causadores de um incêndio é muito difícil", reconhece Agostinho.

Isso porque, como apontam especialistas, é preciso identificar onde o incêndio teve início e o responsável por aquela terra que, muitas vezes, é pública e está sendo ilegalmente ocupada.

"Esse tipo de desmatamento [com fogo], feito com base na ilegalidade, na exploração de recursos, é muito mais difícil de combater", completa Ane Alencar. Entre 2019 e 2021, mais da metade (51%) do desmatamento da Amazônia ocorreu em terras públicas, as chamadas Florestas Públicas não Destinadas (FPNDs).

São áreas que ainda aguardam destinação do Estado para conservação ou uso sustentável.

Os números foram levantados pelo Projeto Amazônia 2030, uma iniciativa do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia, do Centro de Empreendedorismo da Amazônia, da Climate Policy Initiative (CPI) e do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio.

Por isso, as mudanças climáticas, o El Niño e a criminalidade tornam a Amazônia um lugar bastante propício a incêndios neste momento.

"A Amazônia está um barril de pólvora por causa da seca, politicamente em alvoroço por causa das eleições municipais e, além disso, está dominada pelo crime", resume Alencar.

"Os esforços e as etratégias para combater o desmatamento, portanto, têm que ser muito mais inovadores do que antes".

Para Agostinho, o incêndio ainda é tratado como um crime de menor potencial ofensivo. "Precisamos aperfeiçoar isso", diz.

Ele aponta a obrigatoriedade de brigadas próprias de combate imediato nas propriedades em áreas sensíveis, revisão de atos normativos, preparo da comunidade para uma pronta resposta e maior controle dos Estados como parte desse aperfeiçoamento.

Para Ane Alencar, do Ipam, além de seguir com a redução do desmatamento, diminuir o uso de fogo e controlar mais as queimadas são medidas que deveriam ser tomadas imediatamente.


(https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2x0dgjyl7 4o)
No trecho "Além disso, a área desmatada, muitas vezes, é uma terra pública, o que dificulta a identificação e punição dos responsáveis do local, segundo o presidente do Ibama", identifique e classifique a estrutura do período, considerando as orações presentes.
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2

457941201956013
Ano: 2024Banca: IBPTECOrganização: Prefeitura de Lagarto - SEDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Morfossintaxe da Palavra 'QUE' | Análise Sintática | Sintaxe | Morfossintaxe da Palavra 'QUE'
Texto associado
Por que Amazônia virou 'barril de pólvora' e queimadas batem recordes


Depois do Pantanal e do Cerrado, a Amazônia também bate recorde de queimadas no primeiro semestre deste ano.

Até domingo (07/07), foram detectados pelo Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 14.250 focos de calor no bioma. É o maior número em duas décadas para o primeiro semestre, e um aumento de 60% em relação ao mesmo período do ano passado.

O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, explica que os focos de calor geram um alerta, mas, para mensurar o estrago, é preciso saber o tamanho da área queimada. 

Ainda assim, alguns Estados estão sob alerta maior. Roraima, de acordo com Agostinho, é o que se encontra em situação mais crítica dentro do bioma amazônico hoje.

Das detecções de fogo por satélites, 33% estão ali, ou 4.627 focos, o maior número desde o início da série histórica medida pelo Inpe, em 1998.

“A temporada seca lá ocorre em novembro e dezembro, mas se arrastou até março deste ano”, explica o presidente do Ibama.

Na mesma esteira, o Mato Grosso, que abriga os biomas da Amazônia, Cerrado e Pantanal, apresentou o maior número de focos de incêndio de todo o país, batendo um recorde de vinte anos.

A Secretaria do Meio Ambiente do Mato Grosso (Sema-MT) afirmou em nota que "o Estado sofre com estiagem severa e baixa umidade desde o fim do ano passado e, com isso, o material orgânico seco oriundo da vegetação se acumula, o que tem facilitado a combustão". A secretaria também apontou que o governo do Estado investe, neste ano, R$ 74 milhões na execução do Plano de Ação de Combate ao Desmatamento Ilegal e Incêndios Florestais.

A capacitação de brigadistas e bombeiros, monitoramento em tempo real dos focos de queimadas, a construção de açudes e perfurações de poços, assim como a substituição de pontes de madeira por concreto, são parte das ações do plano. A BBC News Brasil procurou também a Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (FEMARH) de Roraima, mas não recebeu resposta até o fechamento desta reportagem.

Ane Alencar, diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), explica que o déficit hídrico do ano passado no bioma junto à antecipação da estação seca ocorrida neste ano deixaram a vegetação muito inflamável.

"Passei por algumas regiões do Mato Grosso recentemente e pude perceber que a vegetação já formou aquela cama de folhas secas no chão, algo que costuma ocorrer no final de julho, início de agosto", explica Alencar.

"A região de Santarém [no Pará] também. E ali começa a secar geralmente em setembro, outubro".

Diante do cenário de antecipação da seca, Agostinho afirma que as operações para o segundo semestre estão sendo intensificadas.

No caso da Amazônia, de acordo com o presidente do Ibama, as ações serão voltadas principalmente para o cinturão do desmatamento, "onde a área degradada é propícia para os incêndios".

O cinturão (ou arco) do desmatamento é o nome dado a uma extensão de cerca de 500 km2 de terras que vão desde o leste e o sul do Pará em direção a oeste, passando pelo Mato Grosso, Rondônia e Acre.

É nesta região onde ocorre a maioria dos desmatamentos na Amazônia.

O governo federal anunciou na semana passada uma queda de 38% no desmatamento da Amazônia no primeiro semestre deste ano.

Entre 2022 e 2023, a redução havia sido ainda mais significativa, de 50%, segundo dados oficiais.

Ao fazer o anúncio, na quarta-feira (4/7), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), disse ter “esperança” de chegar ao desmatamento zero no bioma até 2030, uma promessa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A preservação da floresta é fundamental para mitigar os estragos causados pelo fogo, de acordo com Ane Alencar.

“Percebemos que, onde houve a redução do desmatamento também houve queda nas queimadas e nos incêndios no ano passado”, diz a diretora do Ipam. “Ainda bem que houve um esforço forte para reduzir o desmatamento no ano passado. Essa redução impediu que a área afetada por incêndios fosse muito maior.” 

Além das questões climáticas, que podem ser incontroláveis, mas já podem ser, em grande parte, previstas, o desmatamento é considerado pelos ambientalistas peça fundamental para o alastramento do fogo.

“Quando alguém derruba uma floresta, na sequência põe fogo”, diz Agostinho. “Mas, muitas vezes, o sujeito derruba 100 hectares, põe fogo, mas o fogo se alastra e queima outros 500 hectares.”

Além disso, a área desmatada, muitas vezes, é uma terra pública, o que dificulta a identificação e punição dos responsáveis do local, segundo o presidente do Ibama A relação do El Niño com o fogo.

No ano passado, a Amazônia sofreu uma seca histórica, em decorrência das mudanças climáticas em um ano de El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal e persistente das águas do Pacífico na linha do Equador.

“A mudança na temperatura do oceano Pacífico Equatorial acarreta efeitos globais nos padrões de circulação atmosférica, transporte de umidade, temperatura e precipitação”, disse o Inpe em um comunicado.

Ou seja, seus impactos são diferentes para cada região do país: no Rio Grande do Sul, causou altos volumes de chuva. Na Amazônia, foi o contrário. “É importante destacar que não tivemos só o El Niño”, lembra Alencar.

“O El Niño foi potencializado por uma onda de aquecimento do globo que também impactou o oceano Atlântico e potencializou seus efeitos.”

Neste cenário, a seca do ano passado já havia deixado a região vulnerável aos incêndios. Em 2023, o bioma perdeu para o fogo uma área de extensão pouco maior que Portugal. No total, foram queimados 10,7 milhões de hectares, um aumento de 35% em relação a 2022, de acordo com os dados da plataforma do Inpe.

A  Agência Nacional Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos previa que o El Niño terminaria em junho deste ano, já que, normalmente, o fenômeno dura entre 9 e 12 meses.

 Suas consequências, no entanto, devem se estender na Amazônia, já que ele termina quando a estação seca, de fato, deveria começar. Alencar lembra que, embora a mistura das mudanças climáticas com o El Niño contribuam para a condição de um solo altamente inflamável, a Amazônia não é um bioma que queima naturalmente.

“A resposta do fogo, principalmente na Amazônia, onde o fogo deveria ser algo raro, deve-se a uma fonte de ignição primordialmente humana”, explica.

“E, para combatê-la é preciso estabelecer uma estratégia de comando e controle, com operações conjuntas de vários órgãos, instituições, e multas e responsabilizações cada vez mais sofisticadas."

Crime ambiental.

De acordo com o Código Florestal, o uso do fogo é permitido em situações bem específicas.

Dentre elas, estão a agricultura de subsistência exercida por populações tradicionais e indígenas, as atividades de pesquisas científicas ou de produção e manejo em atividades agropastoris ou florestais.

Neste caso, a prática é chamada de queima controlada e requer autorização prévia, além de exigir uma série de requisitos, como a delimitação da área que será queimada e do acompanhamento por uma equipe treinada.

Cabe aos Estados emitir a autorização e, se necessário, determinar um período proibitivo para a prática, considerando fatores que favorecem a disseminação do fogo, como umidade do ar, temperatura e ventos.

No Mato Grosso do Sul, por exemplo, onde está presente 65% do Pantanal, as queimas controladas estão proibidas desde o início de junho.

Por meio de uma portaria, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), vinculado ao governo estadual, tornou sem efeito todas as autorizações emitidas e ainda não executadas para queima controlada. 

A tramitação de processos de licenciamento e a emissão de novas autorizações do gênero também foram suspensas.

Já o incêndio florestal é caracterizado pelo fogo descontrolado que avança sobre qualquer forma de vegetação e pode resultar em autuações, caso os responsáveis sejam identificados.

De acordo com a Lei dos Crimes Ambientais, as queimadas e incêndios florestais podem render uma multa de até R$ 7,5 mil por hectare queimado e até seis anos de prisão.

Além de conter o fogo, identificar os criminosos é um ponto nevrálgico da crise que se instalou no Pantanal. O bioma tem enfrentado incêndios em proporções recordes nos últimos anos, incluindo em 2024. De acordo com o presidente do Ibama, ao menos 5% do bioma foi queimado até o momento, em um ano de seca e incêndios históricos.

Na semana passada, o Ministério Público do Mato Grosso do Sul anunciou que doze fazendeiros são alvo de um inquérito por serem proprietários de imóveis rurais onde podem ter iniciado focos de incêndio no Pantanal.

"Mas identificar os agentes causadores de um incêndio é muito difícil", reconhece Agostinho.

Isso porque, como apontam especialistas, é preciso identificar onde o incêndio teve início e o responsável por aquela terra que, muitas vezes, é pública e está sendo ilegalmente ocupada.

"Esse tipo de desmatamento [com fogo], feito com base na ilegalidade, na exploração de recursos, é muito mais difícil de combater", completa Ane Alencar. Entre 2019 e 2021, mais da metade (51%) do desmatamento da Amazônia ocorreu em terras públicas, as chamadas Florestas Públicas não Destinadas (FPNDs).

São áreas que ainda aguardam destinação do Estado para conservação ou uso sustentável.

Os números foram levantados pelo Projeto Amazônia 2030, uma iniciativa do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia, do Centro de Empreendedorismo da Amazônia, da Climate Policy Initiative (CPI) e do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio.

Por isso, as mudanças climáticas, o El Niño e a criminalidade tornam a Amazônia um lugar bastante propício a incêndios neste momento.

"A Amazônia está um barril de pólvora por causa da seca, politicamente em alvoroço por causa das eleições municipais e, além disso, está dominada pelo crime", resume Alencar.

"Os esforços e as etratégias para combater o desmatamento, portanto, têm que ser muito mais inovadores do que antes".

Para Agostinho, o incêndio ainda é tratado como um crime de menor potencial ofensivo. "Precisamos aperfeiçoar isso", diz.

Ele aponta a obrigatoriedade de brigadas próprias de combate imediato nas propriedades em áreas sensíveis, revisão de atos normativos, preparo da comunidade para uma pronta resposta e maior controle dos Estados como parte desse aperfeiçoamento.

Para Ane Alencar, do Ipam, além de seguir com a redução do desmatamento, diminuir o uso de fogo e controlar mais as queimadas são medidas que deveriam ser tomadas imediatamente.


(https://www.bbc.com/portuguese/articles/c2x0dgjyl7 4o)
Em "É o maior número em duas décadas para o primeiro semestre, e um aumento de 60% em relação ao mesmo período do ano passado", a palavra "que" está ausente. Considerando seu possível uso, a palavra "que" exerceria a função de:
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3

457941201163828
Ano: 2024Banca: IBPTECOrganização: Prefeitura de Lagarto - SEDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Recursos Estilísticos | Análise Textual
Texto associado
2023 foi o ano mais quente já registrado; a previsão é
que este ano seja ainda mais




Em 2024, as tendências climáticas globais são motivo de alarme profundo e otimismo cauteloso. O ano passado foi o mais quente já registrado por uma enorme margem e este ano provavelmente será mais quente ainda. A temperatura média global anual pode, pela primeira vez, ultrapassar 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais – um limiar crucial para estabilizar o clima da Terra. Sem uma ação imediata, corremos o sério risco de cruzar pontos de inflexão irreversíveis no sistema climático da Terra. No entanto, há razões para esperança.


As emissões globais de gases de efeito estufa podem atingir o pico neste ano e começar a cair. Este seria um ponto de virada histórico, anunciando o fim da era dos combustíveis fósseis, à medida que o carvão, o petróleo e o gás são cada vez mais substituídos por tecnologias de energia limpa.


Mas temos de fazer mais do que tirar o pé do acelerador de aquecimento – temos de pisar no freio. Para evitar o pior da crise climática, as emissões globais devem cair aproximadamente pela metade até 2030. A tarefa é monumental, mas possível, e não poderia ser mais urgente. Não é fim de jogo. É início de jogo.


No ano passado, a Terra foi a mais quente desde o início dos registros. O início das condições de El Niño no Oceano Pacífico ajudou a elevar as temperaturas globais a novos patamares. O Copernicus Climate Change Service da União Europeia descobriu que 2023 foi 1,48 °C mais quente do que a média pré-industrial.


Temperaturas globais mais quentes em 2023 trouxeram eventos extremos e desastres em todo o mundo. Como ondas de calor mortais no verão do hemisfério norte, incêndios florestais devastadores no Canadá e no Havaí e chuvas recordes em muitos lugares, incluindo Coreia, África do Sul e China.


O ano passado também foi o mais quente já registrado para os oceanos do mundo. Mais de 90% do calor do aquecimento global é armazenado nos oceanos. As temperaturas nas águas são um indicador claro do aquecimento do nosso planeta, revelando um aumento ano a ano e uma aceleração na taxa de aquecimento.


O aquecimento dos oceanos significou para partes de 2023 que a extensão do gelo marinho nas regiões polares da Terra foi a mais baixa já registrada. Durante o inverno do hemisfério sul, o gelo marinho na Antártida ficou mais de 1 milhão de quilômetros quadrados abaixo do recorde anterior – uma área de gelo mais de 15 vezes o tamanho da Tasmânia.


Este ano pode ser mais quente ainda. Há uma chance razoável de 2024 terminar com uma temperatura média global mais de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. Os governos concordaram, por meio do Acordo de Paris, em trabalhar juntos para limitar o aquecimento global a 1,5 °C, porque o aquecimento além desse limiar representa enormes perigos para a humanidade.


O acordo refere-se a tendências de longo prazo na temperatura, não a um único ano. Portanto, ultrapassar 1,5 °C em 2024 não significaria que o mundo deixou de cumprir a meta de Paris. No entanto, em tendências de longo prazo, estamos no caminho certo para ultrapassar o limite de 1,5 °C no início da década de 2030.


À medida que o planeta aquece, corremos agora um sério risco de cruzar “pontos de inflexão” irreversíveis no sistema climático da Terra – incluindo a perda de mantos de gelo polares, o aumento associado do nível do mar e o colapso das principais correntes oceânicas. Esses pontos de inflexão representam limiares que, quando ultrapassados, desencadearão mudanças abruptas e perpetuantes no clima e nos oceanos do mundo. São ameaças de uma magnitude nunca antes enfrentada pela humanidade – portas de mão única pelas quais não queremos passar.


Em 2024 também há muitos motivos para esperança.


Nas negociações climáticas da COP28 das Nações Unidas, em dezembro de 2023, governos de quase 200 países concordaram em acelerar a transição para longe dos combustíveis fósseis nesta década crucial. A queima de combustíveis fósseis é a principal causa da crise climática.


Temos a tecnologia necessária para substituir os combustíveis fósseis em toda a nossa economia: na geração de eletricidade, transporte, aquecimento, alimentação e processos industriais. De fato, a crescente demanda do mercado por tecnologias de energia limpa – eólica, solar, baterias e carros elétricos – está agora substituindo tecnologias poluentes, como veículos movidos a carvão e motores a combustão, em escala global.


O mundo adicionou 510 bilhões de watts de capacidade de energia renovável em 2023, 50% a mais do que em 2022 e equivalente a toda a capacidade de energia da Alemanha, França e Espanha juntas. Espera-se que os próximos cinco anos vejam um crescimento ainda mais rápido das energias renováveis.


A mudança acelerada para tecnologias de energia limpa significa que as emissões globais de gases de efeito estufa podem cair em 2024. Uma análise recente da Agência Internacional de Energia (AIE), com base nas políticas declaradas dos governos, sugere que as emissões podem, de fato, ter atingido o pico no ano passado. A conclusão é apoiada por uma análise do instituto Climate Analytics, que encontrou 70% de chance de as emissões caírem a partir de 2024 se o crescimento atual das tecnologias limpas continuar.


Um número crescente de grandes economias ultrapassou seus picos de emissões, incluindo os Estados Unidos, a União Europeia, o Reino Unido e o Japão. A China é atualmente o maior emissor do mundo, contribuindo com 31% do total global no ano passado. Mas o crescimento explosivo dos investimentos em energia limpa significa que as emissões da China não devem apenas cair em 2024, mas entrar em declínio estrutural.


Além disso, a China está passando por um boom na fabricação de energia limpa e uma expansão histórica de energias renováveis – especialmente solar. Espera-se um crescimento igualmente explosivo para baterias e veículos elétricos. Um pico nas emissões globais é motivo de otimismo – mas não será suficiente. As emissões de gases de efeito estufa ainda se acumularão na atmosfera e impulsionarão um aquecimento catastrófico, até que as aproximemos o máximo de zero possível.


O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alerta que as emissões globais devem cair pela metade até 2030 para manter a meta de 1,5 °C ao alcance. A tarefa é gigantesca, mas possível. A Austrália está fazendo grandes avanços na implantação de energia renovável. Mas os governos estaduais e federal estão minando esse progresso ao aprovar novos projetos de combustíveis fósseis.


Cada novo desenvolvimento de carvão, petróleo ou gás põe em perigo todos nós. A Austrália deve reformar urgentemente sua lei ambiental nacional – a Lei de Proteção Ambiental e Conservação da Biodiversidade – para acabar com novos desenvolvimentos de combustíveis fósseis.


Da mesma forma, os ganhos da Austrália em energia renovável foram compensados pelo aumento das emissões em outros setores, principalmente nos transportes. É hora de implementar padrões de eficiência de combustível há muito prometidos e reduzir essas emissões. Além desses próximos passos práticos imediatos, a Austrália tem muito trabalho pela frente para mudar das exportações de combustíveis fósseis para alternativas limpas. 


A oportunidade para a Austrália desempenhar um papel positivo importante na jornada de descarbonização do mundo é inegável, mas essa janela de oportunidade está se estreitando rapidamente.


(Fonte: Wesley Morgan. Este texto foi republicado de The Conversation sob uma licença Creative Commons. Disponivel em: https://esginsights.com.br/por-que2024-e-um-ano-determinante-para-a-crise-climatica/ ). 
Figuras de linguagem são recursos estilísticos utilizados na comunicação, principalmente na literatura e na oratória, para tornar a linguagem mais expressiva. Qual figura de linguagem foi empregada no trecho em destaque?


“ Mas temos de fazer mais do que tirar o pé do acelerador de aquecimento – temos de pisar no freio”. 
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457941201661798
Ano: 2024Banca: IBPTECOrganização: Prefeitura de Lagarto - SEDisciplina: Cultura Geral e AtualidadesTemas: Movimentos Sociais e Desigualdades | Questões Sociais
Nos dias atuais muito se discute sobre cotas raciais e seu impacto na sociedade. A instituição de cotas não é algo novo na sociedade brasileira. Contudo, diferente do que vemos hoje, em que as cotas raciais buscam uma reparação histórica, em outras ocasiões os objetivos eram outros. Em 3 de julho de 1968, durante a ditadura militar, Costa e Silva publicou a lei de número 5465/68, mais conhecida como “Lei do Boi”. Esta lei estabelecia cotas de 50% ou 30% reservadas aos filhos de agricultores e fazendeiros para ingresso destes nos cursos de Agricultura e Veterinária mantidos pela União. Na prática, foram beneficiados os filhos da elite ruralista do país, uma vez que os filhos de pequenos agricultores não tinham condições de deixar o campo para estudar. Após a comprovação de se tratar de uma lei excludente a “Lei do Boi” foi revogada, em que ano isso ocorreu?
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457941201710442
Ano: 2024Banca: IBPTECOrganização: Prefeitura de Lagarto - SEDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Compreensão e Interpretação Textual | Análise Textual
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Por que feijão está sumindo do prato dos brasileiros?

Os brasileiros estão perdendo o hábito de comer feijão diariamente, em meio a mudanças culturais, avanço dos alimentos ultraprocessados e aumento de preços do produto.

Seguindo a tendência dos últimos anos, o feijão deixará de ser consumido de forma regular – de 5 a 7 dias na semana – em 2025, conforme estudo do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

A partir daquele ano, a maior parte dos brasileiros passará a comer o alimento símbolo nacional com frequência considerada irregular (1 a 4 dias), de acordo com a pesquisa.

A perda de espaço do feijão no prato nacional, e sua substituição por alternativas menos saudáveis, tem consequências para a segurança alimentar e para a saúde da população.

Segundo o levantamento da UFMG, não consumir feijão está associado a uma chance 10% maior de desenvolver excesso de peso e 20% maior de obesidade, em relação à parcela da população que consome o produto com alguma frequência.

A importância histórica, nutricional e social do feijão

"O feijão surgiu de uma miscigenação das nossas heranças culinárias", observa a nutricionista Fernanda Serra Granado, que pesquisou o tema em seu doutorado na UFMG.

Segundo ela, a leguminosa já era um alimento nativo na América, conhecido pelos indígenas, que consumiam os grãos sem caldo, mesmo antes da colonização portuguesa.

Os portugueses acrescentaram o caldo, uma solução encontrada pelas senhoras europeias para umedecer a comida nativa, que elas consideravam muito seca. Trazidos ao Brasil escravizados, os africanos também consumiam o alimento, adicionando seus saberes ao preparo.

Mas a construção do feijão como um símbolo nacional só vai acontecer bem mais para frente, durante o Modernismo Brasileiro dos anos 1920.

 "Aí ele é expresso em poesia, em músicas e é reconhecido como esse símbolo identitário da nossa tradição culinária", diz Granado. Em termos nutricionais, o feijão é rico em proteínas e minerais, incluindo o ferro, além das vitaminas C e do complexo B (à exceção da B12, de origem animal) e fibras solúveis e insolúveis, importantes para o bom funcionamento da digestão.

"Além de ter um excelente perfil nutritivo e ser importante para manutenção da saúde da população, o feijão é um marcador de qualidade da dieta", afirma a pesquisadora.

"Isso porque o indivíduo, quando consome feijão, acaba complementando o prato com outros alimentos saudáveis, como arroz, vegetais, salada e uma proteína animal. Então, em geral, o feijão é um dos componentes de uma refeição nutricionalmente equilibrada."

O que explica a queda de consumo nos últimos anos

Mudanças culturais e o avanço dos ultraprocessados – alimentos calóricos e de baixo valor nutricional – estão no centro da redução do consumo de feijão, segundo a pesquisadora.

"Na década de 1980, há a entrada das grandes transnacionais de alimentos no Brasil e o avanço da participação das mulheres no mercado de trabalho, o que causa uma modificação no perfil de consumo da população, com os ultraprocessados sendo percebidos como uma solução prática para o dia a dia", observa a nutricionista.

"Com o passar do tempo, há também uma perda de práticas culinárias, da habilidade em si de preparar os alimentos, com a tradição de receitas que passavam entre gerações que começa a se perder."

Um terceiro fator que pesa na redução de consumo do feijão é o aumento de preços do produto, observa a especialista.

Em 11 anos, entre janeiro de 2012 e janeiro de 2023, o feijão carioca acumula alta de preços de 122% e o feijão preto, de 186%, comparado a uma inflação geral de 89% no período, segundo o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Ou seja, em pouco mais de uma década, o feijão carioca dobrou de preço e o feijão preto, quase triplicou.

Um dos fatores que explica esse encarecimento é a perda de espaço da produção agrícola de feijão para commodities como a soja e o milho, explica Granado.

Segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a área plantada de feijão no Brasil na safra 2022-2023 deverá ser de apenas 859 mil hectares, a menor da série histórica com início em 1976. O número representa uma redução de 65% em relação ao momento de auge, na safra 1981/1982.

"O produtor acaba abandonando a produção de feijão e outros alimentos que possuem valor agregado menor em comparação a commodities como soja e milho, que têm safras muito mais lucrativas, com demanda internacional", observa Granado.

Por fim, com relação à queda maior do consumo entre as mulheres, a especialista avalia que isso pode ser fruto da dupla jornada, que pode estar fazendo com que elas optem com mais frequência pela conveniência dos ultraprocessados.


(Por Thais Carrança - BBC News Brasil em São Paulo. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c90935j2k8 go).
Com base no texto, identifique e analise os fatores que contribuem para a redução do consumo de feijão entre os brasileiros e selecione a alternativa correta:
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457941200443929
Ano: 2024Banca: IBPTECOrganização: Prefeitura de Lagarto - SEDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Morfologia dos Pronomes | Colocação Pronominal
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Portugueses falando 'brasileiro'? Como variante do
idioma usada no Brasil influencia Portugal.



No final de janeiro, uma postagem feita por uma página portuguesa de conteúdos anti-imigração no X (antigo Twitter) denunciou a existência de uma placa de trânsito escrita em “português brasileiro” em Sintra, na área metropolitana de Lisboa.


“Sinal rodoviário escrito em português brasileiro diz que é proibida a circulação excepto a ‘trens’ e bicicletas”, diz a postagem, que traz também uma foto da placa que supostamente “assassina a língua de Camões que é o português europeu”.


O grande problema, segundo o autor do post, é que a palavra "trens" teria sido retirada do português usado no Brasil, já que em Portugal o meio de transporte ferroviário é chamado de “comboio”.


O fato, porém, é que a palavra "trem" existe também no português europeu, mas com um significado distinto. Em Portugal, pode ser “um carro de cavalos destinado ao transporte de pessoas”, ou uma carruagem, de acordo com a definição do dicionário da Porto Editora.


O episódio faz eco a muitos outros casos de portugueses "puristas" que cada vez mais rejeitam a presença de vocabulários e construções brasileiras na língua falada em seu país.


Esse repúdio fica claro em muitas das reações às notícias e manchetes de jornal que denunciam há alguns anos a influência dos conteúdos produzidos por brasileiros nas redes sociais e no YouTube nas crianças e jovens portugueses.


Enquanto alguns veem a cobertura da imprensa como exagerada e apontam o peso da xenofobia nas visões propagadas, outros fazem coro às queixas e temem que a presença cada vez maior dos vocábulos importados seja sinal de um "apagamento" da cultura local. 


Há ainda quem aponte o grande e crescente fluxo migratório - havia 360 mil brasileiros em Portugal em 2022, segundo o Itamaraty - como outro fator que contribui para isso. Mas por que a possibilidade da variante usada no Brasil ser encontrada em Portugal provoca tanta indignação entre alguns cidadãos? E qual a verdadeira extensão dessa influência?


Para Fernando Venâncio, linguista português que estuda o tema há décadas, há sim uma presença cada vez maior de traços importados do outro lado do Atlântico no idioma falado em terras portuguesas. Mas isso não é novidade. “Desde finais dos anos 1970 e princípios dos anos 1980, houve uma aquisição de brasileirismos gigantesca”, diz Venâncio, autor do livro O Português à Descoberta do Brasileiro.


Na época, isso foi um reflexo principalmente do sucesso das novelas brasileiras em Portugal, explica o linguista. Agora, há um fenômeno novo em curso, que envolve principalmente as crianças e adolescentes. "Em Portugal, eles veem cada vez mais youtubers brasileiros, às vezes, por muitas horas”, diz Venâncio.


A portuguesa Paula Lourenço é professora de escolas de ensino fundamental em Sintra há 24 anos. Ela dá aulas para crianças entre 9 e 10 anos e diz que o uso de expressões e palavras brasileiras pelos seus alunos é cada vez mais evidente.


“Neste momento, na escola, tenho um caso de um aluno que fala ‘brasileiro’ apesar de os pais serem portugueses”, conta. A professora relata que esse aluno começou a ser vítima de uma espécie de bullying, com colegas implicando com a forma como ele fala.


"Por fim, descobrimos que ele ficava até altas horas da noite sem supervisão a ver vídeos, principalmente aqueles shorts [vídeos curtos] que são reproduzidos um atrás do outro.” Segundo Paula, o gosto pelos vídeos produzidos por influenciadores e youtubers do Brasil é compartilhado por praticamente todos os seus alunos. “Houve um boom principalmente durante a pandemia. Até eu já estou um pouco aficionada pelos youtubers brasileiros, porque comecei a ver para acompanhar o que meus alunos gostam”, diz a professora. 


O linguista Xoán Lagares, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), nota que ainda “há muito preconceito em relação ao português do Brasil porque ele se diferencia em muitos pontos, sobretudo na sintaxe do que é a tradição normativa portuguesa constituída em Portugal”.


“Então, para muitos portugueses, as diferenças são identificadas como erros, como uma deturpação do português”. Mas, segundo Lagares, especialista em história social e cultural das línguas, não existe uma versão mais correta da língua.


“No caso do português, não há uma gramática oficial. Há uma tradição normativa que se manifesta em gramáticas e dicionários”, explica. Essa tradição tem sua origem em Portugal e foi elaborada a partir dos usos considerados de prestígio no país.


“O que aconteceu é que no Brasil foram se desenvolvendo outros usos de prestígio em relação à gramática”, diz o professor.


Por isso, vigora hoje no Brasil uma tradição normativa autoral e interpretativa, que pode variar conforme a gramática e a visão dos seus autores. Para alguns linguistas, as diferenças entre as variedades que se estabeleceram dos dois lados do Atlântico já são tão grandes que deveria haver uma separação definitiva entre o português e o brasileiro.


Xoán Lagares, porém, afirma que ainda é difícil falar em suas línguas separadas: “Em termos de descrição linguística, não há um critério para dizer em que momento duas variantes se tornam línguas diferentes. Esse é um problema em várias partes do mundo. Por isso, muitas vezes, é apenas uma questão política.”


Mas qual a real influência do português do Brasil em Portugal, para além das críticas embutidas nas manchetes de jornais e dos "brasileirismos" denunciados nas redes sociais?


Segundo os especialistas consultados pela BBC News Brasil, é difícil prever o impacto que isso pode ter ao longo do tempo. Até o momento, há poucas pesquisas publicadas que analisam o fenômeno – e novas expressões, palavras e estrangeirismos surgem e desaparecem nas línguas a todo tempo. “Alguns youtubers brasileiros têm muita qualidade, e não é por acaso que as crianças assistem e também aprendem com eles”, diz Fernando Venâncio.


“Mas é impossível dizer se esse fenômeno novo vai ter futuro, porque também há alguns youtubers portugueses que estão a aprender bastante com os brasileiros e estão a produzir mais coisas com alguma qualidade.”


Para ele, a influência atual se dá sobretudo na sintaxe e a partir de algumas construções específicas. Ou seja, não engloba toda a língua.


“É difícil que eles mudem, por exemplo, a colocação pronominal por conta da forma usada no Brasil. Essas coisas demoram e são difíceis de acontecer”, diz. “Veja no Brasil, onde ensinamos a questão da ênclise e até hoje não se consolidou, muitos alunos precisam ser corrigidos na escola e em redações.”


O linguista afirma ainda que o próprio preconceito demonstrado por alguns portugueses em relação à variedade brasileira deve barrar qualquer influência maior.


“Há muitas questões identitárias, de reconhecimento da própria variedade e de lealdade linguística envolvidas”, afirma.


Ela é categórica ao afirmar que o português falado em Portugal não sofrerá mudanças profundas e permanentes a partir dessa influência, ao menos por enquanto: "Como linguistas, não esperaríamos que em tão pouco tempo e em um conjunto numericamente não tão significativo assim de falantes pudesse ter uma influência decisiva sobre a língua".


" Havia essa mesma preocupação, segundo ela, nos anos 1970, quando as novelas brasileiras eram muito populares".


"Também se dizia (àquela época) que muitas construções lexicais e até gramaticais iriam ser introduzidas na variedade portuguesa. Mas não foi tanto assim". (...). "É uma moda como outra qualquer, circunscrita no tempo.", diz.


(Julia Braun Role, BBC Brasil em Londres. 2 abril 2024. TEXTO ADAPTADO).
“É difícil que eles mudem, por exemplo, a colocação pronominal por conta da forma usada no Brasil. Essas coisas demoram e são difíceis de acontecer (...) “Veja no Brasil, onde ensinamos a questão da ênclise e até hoje não se consolidou, muitos alunos precisam ser corrigidos na escola e em redações.”

A respeito do tópico abordado no trecho destacado da matéria, assinale a frase que emprega corretamente a ênclise:
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457941201127365
Ano: 2024Banca: IBPTECOrganização: Prefeitura de Lagarto - SEDisciplina: Informática BásicaTemas: Malware | Segurança da Informação
O malware é um tipo de software malicioso projetado para danificar, explorar ou comprometer sistemas de computador. Existem diversos tipos de malware, cada um com suas características e métodos de ataque. Considerando o impacto e as técnicas de diferentes malwares, analise as alternativas e assinale a correta. 
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457941201112665
Ano: 2024Banca: IBPTECOrganização: Prefeitura de Lagarto - SEDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Compreensão e Interpretação Textual | Análise Textual
Texto associado
Portugueses falando 'brasileiro'? Como variante do idioma usada no Brasil influencia Portugal.


No final de janeiro, uma postagem feita por uma página portuguesa de conteúdos anti-imigração no X (antigo Twitter) denunciou a existência de uma placa de trânsito escrita em “português brasileiro” em Sintra, na área metropolitana de Lisboa.

“Sinal rodoviário escrito em português brasileiro diz que é proibida a circulação excepto a ‘trens’ e bicicletas”, diz a postagem, que traz também uma foto da placa que supostamente “assassina a língua de Camões que é o português europeu”.

O grande problema, segundo o autor do post, é que a palavra "trens" teria sido retirada do português usado no Brasil, já que em Portugal o meio de transporte ferroviário é chamado de “comboio”.

O fato, porém, é que a palavra "trem" existe também no português europeu, mas com um significado distinto. Em Portugal, pode ser “um carro de cavalos destinado ao transporte de pessoas”, ou uma carruagem, de acordo com a definição do dicionário da Porto Editora.

O episódio faz eco a muitos outros casos de portugueses "puristas" que cada vez mais rejeitam a presença de vocabulários e construções brasileiras na língua falada em seu país.

Esse repúdio fica claro em muitas das reações às notícias e manchetes de jornal que denunciam há alguns anos a influência dos conteúdos produzidos por brasileiros nas redes sociais e no YouTube nas crianças e jovens portugueses.

Enquanto alguns veem a cobertura da imprensa como exagerada e apontam o peso da xenofobia nas visões propagadas, outros fazem coro às queixas e temem que a presença cada vez maior dos vocábulos importados seja sinal de um "apagamento" da cultura local. 

Há ainda quem aponte o grande e crescente fluxo migratório - havia 360 mil brasileiros em Portugal em 2022, segundo o Itamaraty - como outro fator que contribui para isso. Mas por que a possibilidade da variante usada no Brasil ser encontrada em Portugal provoca tanta indignação entre alguns cidadãos? E qual a verdadeira extensão dessa influência?

Para Fernando Venâncio, linguista português que estuda o tema há décadas, há sim uma presença cada vez maior de traços importados do outro lado do Atlântico no idioma falado em terras portuguesas. Mas isso não é novidade. “Desde finais dos anos 1970 e princípios dos anos 1980, houve uma aquisição de brasileirismos gigantesca”, diz Venâncio, autor do livro O Português à Descoberta do Brasileiro.

Na época, isso foi um reflexo principalmente do sucesso das novelas brasileiras em Portugal, explica o linguista. Agora, há um fenômeno novo em curso, que envolve principalmente as crianças e adolescentes. "Em Portugal, eles veem cada vez mais youtubers brasileiros, às vezes, por muitas horas”, diz Venâncio.

A portuguesa Paula Lourenço é professora de escolas de ensino fundamental em Sintra há 24 anos. Ela dá aulas para crianças entre 9 e 10 anos e diz que o uso de expressões e palavras brasileiras pelos seus alunos é cada vez mais evidente.

“Neste momento, na escola, tenho um caso de um aluno que fala ‘brasileiro’ apesar de os pais serem portugueses”, conta. A professora relata que esse aluno começou a ser vítima de uma espécie de bullying, com colegas implicando com a forma como ele fala.

"Por fim, descobrimos que ele ficava até altas horas da noite sem supervisão a ver vídeos, principalmente aqueles shorts [vídeos curtos] que são reproduzidos um atrás do outro.” Segundo Paula, o gosto pelos vídeos produzidos por influenciadores e youtubers do Brasil é compartilhado por praticamente todos os seus alunos. “Houve um boom principalmente durante a pandemia. Até eu já estou um pouco aficionada pelos youtubers brasileiros, porque comecei a ver para acompanhar o que meus alunos gostam”, diz a professora. 

O linguista Xoán Lagares, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), nota que ainda “há muito preconceito em relação ao português do Brasil porque ele se diferencia em muitos pontos, sobretudo na sintaxe do que é a tradição normativa portuguesa constituída em Portugal”.

“Então, para muitos portugueses, as diferenças são identificadas como erros, como uma deturpação do português”. Mas, segundo Lagares, especialista em história social e cultural das línguas, não existe uma versão mais correta da língua.

“No caso do português, não há uma gramática oficial. Há uma tradição normativa que se manifesta em gramáticas e dicionários”, explica. Essa tradição tem sua origem em Portugal e foi elaborada a partir dos usos considerados de prestígio no país.

“O que aconteceu é que no Brasil foram se desenvolvendo outros usos de prestígio em relação à gramática”, diz o professor.

Por isso, vigora hoje no Brasil uma tradição normativa autoral e interpretativa, que pode variar conforme a gramática e a visão dos seus autores. Para alguns linguistas, as diferenças entre as variedades que se estabeleceram dos dois lados do Atlântico já são tão grandes que deveria haver uma separação definitiva entre o português e o brasileiro.

Xoán Lagares, porém, afirma que ainda é difícil falar em suas línguas separadas: “Em termos de descrição linguística, não há um critério para dizer em que momento duas variantes se tornam línguas diferentes. Esse é um problema em várias partes do mundo. Por isso, muitas vezes, é apenas uma questão política.”

Mas qual a real influência do português do Brasil em Portugal, para além das críticas embutidas nas manchetes de jornais e dos "brasileirismos" denunciados nas redes sociais?

Segundo os especialistas consultados pela BBC News Brasil, é difícil prever o impacto que isso pode ter ao longo do tempo. Até o momento, há poucas pesquisas publicadas que analisam o fenômeno – e novas expressões, palavras e estrangeirismos surgem e desaparecem nas línguas a todo tempo. “Alguns youtubers brasileiros têm muita qualidade, e não é por acaso que as crianças assistem e também aprendem com eles”, diz Fernando Venâncio.

“Mas é impossível dizer se esse fenômeno novo vai ter futuro, porque também há alguns youtubers portugueses que estão a aprender bastante com os brasileiros e estão a produzir mais coisas com alguma qualidade.”

Para ele, a influência atual se dá sobretudo na sintaxe e a partir de algumas construções específicas. Ou seja, não engloba toda a língua.

“É difícil que eles mudem, por exemplo, a colocação pronominal por conta da forma usada no Brasil. Essas coisas demoram e são difíceis de acontecer”, diz. “Veja no Brasil, onde ensinamos a questão da ênclise e até hoje não se consolidou, muitos alunos precisam ser corrigidos na escola e em redações.”

O linguista afirma ainda que o próprio preconceito demonstrado por alguns portugueses em relação à variedade brasileira deve barrar qualquer influência maior.

“Há muitas questões identitárias, de reconhecimento da própria variedade e de lealdade linguística envolvidas”, afirma.

Ela é categórica ao afirmar que o português falado em Portugal não sofrerá mudanças profundas e permanentes a partir dessa influência, ao menos por enquanto: "Como linguistas, não esperaríamos que em tão pouco tempo e em um conjunto numericamente não tão significativo assim de falantes pudesse ter uma influência decisiva sobre a língua".

" Havia essa mesma preocupação, segundo ela, nos anos 1970, quando as novelas brasileiras eram muito populares".

"Também se dizia (àquela época) que muitas construções lexicais e até gramaticais iriam ser introduzidas na variedade portuguesa. Mas não foi tanto assim". (...). "É uma moda como outra qualquer, circunscrita no tempo.", diz.


(Julia Braun Role, BBC Brasil em Londres. 2 abril 2024. TEXTO ADAPTADO)
“Mas por que a possibilidade da variante usada no Brasil ser encontrada em Portugal provoca tanta indignação entre alguns cidadãos?” (...)” A pergunta, extraída das linhas 32 e 33 do texto, apresenta as questões em torno da variação linguística como fenômeno colocado em evidência no país, dado o grande fluxo migratório de brasileiros em Portugal nos últimos tempos. A alternativa que melhor responde a esta indagação é:
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9

457941201793559
Ano: 2024Banca: IBPTECOrganização: Prefeitura de Lagarto - SEDisciplina: Segurança da Informação e CriptografiaTemas: Software Malicioso | Cibersegurança
Considerando os conceitos acerca da segurança dos dados na atualidade, a internet pode ser considerada como um ambiente digital decisivo para a proteção de dados pessoais e empresariais. Entre os diversos tipos de ameaças, os vírus de computador são especialmente prejudiciais.

Assinale a alternativa incorreta acerca da segurança na Internet e vírus de computador:
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457941201780464
Ano: 2024Banca: IBPTECOrganização: Prefeitura de Lagarto - SEDisciplina: Cultura Geral e AtualidadesTemas: Políticas de Segurança Pública
Assinale a alternativa que corresponda com o número de emergência da Guarda Municipal:
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