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1

457941201562543
Ano: 2025Banca: Instituto ConsulplanOrganização: CISBAF - RJDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Sintaxe
Texto associado
Uma vida ao lado


       Fina, a parede. 
       E, além dela, a vida do vizinho. Irritante a princípio. Ruídos, pancadas, tosse, tudo interferindo, infiltrando-se. Depois, aos poucos, familiar.
      Sabia-lhe o banho, as refeições, as horas de repouso. A cada gesto, um som. E no som, recriado, o via mover-se em geometrias idênticas às suas. A sala, o quarto, o corredor.
      Cada vez mais ligava-se ao vizinho, absorvendo seus hábitos. Ouvia bater de louças e se apressava à cozinha, vinham vozes moduladas e ligava a televisão. À noite só conseguia dormir depois do baque dos sapatos do outro, o ranger da cama assinalando que se metera entre lençóis.
     Perdia-o, porém, quando saía porta afora. Passos, tinir de chaves, lá se ia o vizinho. Sem ele, vazios a sala e o quarto, a parede emudecia, separando silêncios.
      Voltava ao fim do dia, pontual. Passos, tinir de chaves. Ele então acendia a luz ao estalar do interruptor do outro, e juntos punham a casa em andamento.
    Tentava, às vezes, seguir-lhe as andanças. Espiava pelo olho mágico estudando a paciência com que esperava o elevador, postava-se à janela para ver que direção tomava, em que ônibus subia.
      E, justamente numa tarde em que espreitava, viu o outro atravessar em má hora a rua movimentada, hesitar, correr e ser atropelado por um furgão.
       Percebeu que precisava trabalhar rápido. Sem hesitar, arrancou as portas dos armários, as cortinas, pegou a caixa de ferramentas, e começou a serrar, lixar, bater, colar.
     Tudo estava pronto quando ouviu o caixão do outro chegar para o velório. Sobre a mesa da sala, na exata posição em que o do vizinho deveria estar, colocou seu próprio caixão. Depois abriu a porta de par em par e, vestido no terno azul-marinho, deitou-se cruzando as mãos sobre o peito.
      Ainda teve tempo de pensar que tinha esquecido de engraxar os sapatos. E já os primeiros visitantes começavam a chegar, entrando com a mesma tristeza nos dois apartamentos, para prantear defuntos tão iguais.



(COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgado. Rio de Janeiro: Rocco. 1986.)
Considerando o excerto “Perdia-o, porém, quando saía porta afora.” (5º§), assinale, a seguir, o valor semântico atribuído ao vocábulo em destaque, tendo em vista o contexto no qual está inserido. 
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2

457941200672828
Ano: 2025Banca: Instituto ConsulplanOrganização: CISBAF - RJDisciplina: Redes de Computadores e Segurança de RedesTemas: Fundamentos de Redes de Computadores | Comunicação de Dados
Com a ascensão de provedores de internet oferecendo maior largura de banda, o Brasil migrou da internet discada, que tinha velocidade de 56 Kbps, para conexões de banda larga. Atualmente, é comum encontrar planos residenciais que oferecem até 1 Gb de largura de banda, o que equivale a 1.024 Mbps de velocidade no tráfego de dados. Essa evolução tornou muito mais rápido o processo de transferência de dados de servidores remotos para computadores locais. O processo de transferência de dados de servidores remotos para computadores locais denomina-se: 
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3

457941201264430
Ano: 2025Banca: Instituto ConsulplanOrganização: CISBAF - RJDisciplina: Enfermagem: Teoria e PráticaTemas: Técnicas de Primeiros Socorros | Atendimento de Urgência e Emergência
R. G. P., 39 anos, genitora de M. P. G., 2 anos, liga para o SAMU e solicita ajuda para salvar seu filho, que se encontra com hipoxia por obstrução de vias aéreas por corpo estranho. Qual é a estratégia necessária para desobstruir as vias aéreas?
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4

457941201140169
Ano: 2025Banca: Instituto ConsulplanOrganização: CISBAF - RJDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Ortografia
Texto associado
Chico Buarque de Holanda


        Entrei num restaurante com uma amiga e logo deparei com Carlinhos Oliveira, o que me deu alegria. Olhei depois entorno. E quem é que eu vejo? Chico Buarque de Holanda. Eu disse para Carlinhos: quando meus filhos souberem que eu o vi, vão me respeitar mais. Então Carlinhos, que se sentara na nossa mesa, gritou:
       Chico! Ele veio, fui apresentada. Para a minha surpresa, ele disse: e eu que estive lendo você ontem! Chico é lindo e é tímido, e é triste. Ah, como eu gostaria de dizer-lhe alguma coisa – o quê? – que diminuísse a sua tristeza.
      Contei a meus dois filhos com quem eu estivera. E eles, se não me respeitam mais, ficaram boquiabertos. Então eu tive uma ideia e não sei se ela irá adiante; se for, contarei a vocês. Era chamar Chico e Carlinhos para me visitar em casa. Eu os verei de novo, e sobretudo meus filhos os verão. Falei dessa ideia e um de meus filhos disse que não queria. Perguntei por quê. Respondeu: porque ele é uma personalidade. Eu lhe disse: mas você também é, aos sete anos de idade ouvia tudo de Beethoven que tínhamos e pedia mais, tanto gostava e sentia e entendia.
      Mas quero respeitar meu filho. Disse-lhe: se eu convidar Chico, se ele vier, você só aperta a mão dele e, se quiser, sai da sala.
   Também achei Carlinhos triste. Perguntei: porque estamos tão tristes? Respondeu: é assim mesmo.
      É assim mesmo.


(LISPECTOR, Clarice. Chico Buarque de Holanda. Publicada, originalmente, no Jornal do Brasil, de 04/02/1968. Disponível em: https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/. Acesso em: maio de 2025. Adaptado.)


No trecho “Para a minha surpresa, ele disse: e eu que estive lendo você ontem!” (1º§), a palavra grifada recebe acento por ser oxítona. Assinale a alternativa cuja palavra em destaque recebe acento por fazer parte do mesmo grupo. 
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5

457941200206616
Ano: 2025Banca: Instituto ConsulplanOrganização: CISBAF - RJDisciplina: Recursos Humanos e Gestão de PessoasTemas: Panorama da Gestão de Recursos Humanos
Considerando a gestão de pessoas e as rotinas do departamento de pessoal, analise as afirmativas a seguir.


I. O comprometimento em otimizar os processos relativos às rotinas do departamento de pessoal repercute o conhecimento em promover o desenvolvimento de competências, o comportamento e o desempenho dos colaboradores.

II. Toda organização almeja gerir pessoas com eficácia e eficiência, admitindo um conjunto de competências específicas de extrema abrangência, tais como estabelecer ações adequadas para a gestão de pessoal, ter compreensão de quais são as atribuições e a importância do setor, além de articular a gestão organizacional.

III. As rotinas do departamento de pessoal não estão restritas aos cuidados com a documentação dos colaboradores. Há, também, as noções práticas da contabilidade, na medida em que há o atendimento da legislação trabalhista, orientações estratégicas para melhor aproveitamento da mão de obra, além da valorização e motivação dos indivíduos que exercem diariamente as atividades em uma organização.


Está correto o que se afirma em 
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6

457941200749982
Ano: 2025Banca: Instituto ConsulplanOrganização: CISBAF - RJDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Compreensão e Interpretação Textual | Análise Textual
Texto associado
A borboleta amarela


        Era uma borboleta. Passou roçando em meus cabelos, e no primeiro instante pensei que fosse uma bruxa ou qualquer outro desses insetos que fazem vida urbana; mas, como olhasse, vi que era uma borboleta amarela.

        Era na esquina de Graça Aranha com Araújo Porto Alegre; ela borboleteava junto ao mármore negro do Grande Ponto; depois desceu, passando em face das vitrinas de conservas e uísques; eu vinha na mesma direção; logo estávamos defronte da A.B.I.. Entrou um instante no hall, entre duas colunas; seria uma jornalista? – pensei com certo tédio.

      Mas logo saiu. E subiu mais alto, acima das colunas, até o travertino encardido. Na rua México eu tive de esperar que o sinal abrisse: ela tocou, fagueira, para o outro lado, indiferente aos carros que passavam roncando sob suas leves asas. Fiquei a olhá-la. Tão amarela e tão contente da vida, de onde vinha, aonde iria? Fora trazida pelo vento das ilhas – ou descera no seu voo sassaricante e leve da floresta da Tijuca ou de algum morro – talvez o de São Bento. Onde estaria uma hora antes, qual sua idade? Nada sei de borboletas. Nascera, acaso, no jardim do Ministério da Educação? Não; o Burle Marx faz bons jardins, mas creio que ainda não os fez com borboletas – o que, aliás, é uma boa ideia. Quando eu o mandar fazer os jardins de meu palácio, direi: Burle, aqui sobre esses manacás, quero uma borboleta amare... Mas o sinal abriu e atravessei a rua correndo, pois já ia perdendo de vista a minha borboleta.

        A minha borboleta! Isso, que agora eu disse sem querer, era o que eu sentia naquele instante: a borboleta era minha – como se fosse meu cão ou minha amada de vestido amarelo que tivesse atravessado a rua na minha frente, e eu devesse segui- -la. Reparei que nenhum transeunte olhava a borboleta; eles passavam, devagar ou depressa, vendo vagamente outras coisas – as casas, os veículos ou se vendo –, só eu vira a borboleta, e a seguia, com meu passo fiel. Naquele ângulo há um jardinzinho, atrás da Biblioteca Nacional. Ela passou entre os ramos de uma acácia e de uma árvore sem folhas, talvez um “flamboyant”; havia, naquela hora, um casal de namorados pobres em um banco, e dois ou três sujeitos espalhados pelos outros bancos, dos quais uns são de pedra, outros de madeira, sendo que estes são pintados de azul e branco. Notei isso pela primeira vez, aliás, naquele instante, eu que sempre passo por ali; é que a minha borboleta amarela se tornava sensível às cores.

      Ela borboleteou um instante sobre o casal de namorados; depois passou quase junto da cabeça de um mulato magro, sem gravata, que descansava num banco; e seguiu em direção à Avenida. Amanhã eu conto mais.




(BRAGA, Rubem. A Borboleta Amarela. Rio de Janeiro: Editora Sabiá, 1963. p. 170-176. Adaptado.)
A obra de Rubem Braga retrata um cenário comum do cotidiano, ou seja, evidencia a principal característica de uma crônica. Considerando o contexto textual, assinale a afirmativa correta.
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7

457941201283027
Ano: 2025Banca: Instituto ConsulplanOrganização: CISBAF - RJDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Morfologia Verbal | Sintaxe
Texto associado
Por uma revolução na saúde sem prescindir de nossos princípios



           A quarta revolução industrial inicia-se impulsionada pela inteligência artificial (IA), pela análise de dados em larga escala e pela automação avançada. Essa nova era vem redesenhando a forma como produzimos, nos comunicamos e, cada vez mais, como cuidamos da saúde. Diagnósticos mais rápidos e precisos, terapias personalizadas, otimização de processos hospitalares, e a previsão de surtos com antecedência. Uma promessa tentadora de eficiência, precisão e vidas salvas.
        Entretanto, diante das sempre deslumbrantes promessas tecnológicas, surge uma pergunta urgente e necessária: como garantir que essas ferramentas, tão poderosas quanto pouco transparentes, realmente apresentam a eficácia prometida? E mais: que funcionam com segurança, ética e equidade?
       Se em muitas áreas o objetivo das decisões é maximizar o lucro, na saúde, cada decisão carrega o peso da vida de um ser humano, com laços afetivos e papéis sociais. Por isso, a incorporação de tecnologias de IA precisa ser pautada, antes de qualquer entusiasmo, por princípios éticos e científicos.
         Apesar dos inúmeros lançamentos de soluções baseadas em IA na saúde, a imensa maioria entra no mercado com evidências frágeis: sem estudos comprovando sua eficácia ou segurança, ausência de revisões independentes, sem demonstrar cumprir critérios mínimos para determinarem decisões clínicas. Não é raro encontrar algoritmos treinados em bases de dados limitadas, que funcionam bem em ambientes controlados, mas falham quando expostos à complexidade do mundo real – especialmente quando lidam com diferentes populações e dimensões de valor.
       Se, em todo o mundo, agências reguladoras estabelecem que nenhum novo teste diagnóstico ou tratamento é aprovado sem estudos bem estruturados e revisados por pares, por que aceitaríamos menos de uma ferramenta de IA que influencia diagnósticos e decisões terapêuticas?
        É preciso exigir que a IA na saúde siga, ao menos, os mesmos princípios da medicina baseada em evidências: estudos metodologicamente robustos, amostras representativas, reprodutibilidade dos resultados e avaliações independentes. O fascínio pela inovação e rapidez de resultados não pode obscurecer nossa responsabilidade com bem-estar social.
        Essa exigência é ainda mais crucial, porque a IA generativa, ao contrário de uma tecnologia passiva, aprende, se atualiza, se transforma. Um algoritmo aprovado hoje pode apresentar comportamentos diferentes amanhã. Isso impõe a necessidade de evidências e monitoramento contínuo, avaliando não apenas a performance técnica, mas também garantindo a ética e a equidade na assistência aos pacientes ao longo do tempo.
        A promessa da IA na saúde não está completa sem um compromisso com a inclusão e acessibilidade. É crucial que seus avanços beneficiem a todos, independentemente da localização geográfica ou condição socioeconômica.
      A inteligência artificial tem potencial para revolucionar a saúde. Mas toda revolução que ignora a ética e a ciência, cedo ou tarde, cobra um preço alto. Se quisermos que essa revolução realmente floresça em benefício das pessoas e da sociedade, precisamos agir agora, com responsabilidade. É urgente prevenir para que a IA, tão cheia de promessas, não repita a velha tragédia das revoluções que, cegas pela pressa, acabam prescindindo de seus princípios.


(Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br. Acesso em: junho de 2025. Fragmento.)
“Se quisermos que essa revolução realmente floresça em benefício das pessoas e da sociedade, precisamos agir agora, com responsabilidade.” (9º§). Sobre a oração condicional, assinale a afirmativa INCORRETA.
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8

457941201736563
Ano: 2025Banca: Instituto ConsulplanOrganização: CISBAF - RJDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Ortografia
Texto associado
Os dragões não conhecem o paraíso



        Tenho um dragão que mora comigo. Não, isso não é verdade.
       Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço – seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu. Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu me encontrei, sozinho neste apartamento, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele esteve comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs áridas da ausência dele, felizmente cada vez menos frequentes (a aridez, não a ausência), pensei assim: os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma como precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor, para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo.
       Gosto de dizer tenho um dragão que mora comigo, embora não seja verdade. Como eu dizia, um dragão jamais pertence e nem mora com alguém. Mas no tempo em que vivia comigo, eu tentava – digamos – adaptá-lo às circunstâncias. Dizia por favor, tente compreender, querido, os vizinhos banais do andar de baixo já reclamaram da sua cauda batendo no chão ontem às quatro da madrugada. O bebê acordou, disseram, não deixou ninguém mais dormir. Além disso, quando você desperta na sala, as plantas ficam todas queimadas pelo seu fogo. E, quando você desperta no quarto, aquela pilha de livros vira cinzas na minha cabeceira. Ele não prometia corrigir-se.
       Ele cheirava a hortelã, a alecrim. Eu acreditava na sua existência por esse cheiro verde de ervas esmagadas dentro das duas palmas das mãos. Quando chegava, o apartamento inteiro ficava impregnado desse perfume. Até os vizinhos perguntavam se eu andava usando incenso ou defumação.
       Nos dias que antecediam a sua chegada, eu acordava no meio da noite, o coração disparado. As palmas das mãos suavam frio. Sem saber por que, nas manhãs seguintes, compulsivamente eu começava a comprar flores, limpar a casa, ir ao supermercado e à feira para encher o apartamento de rosas e palmas e morangos daqueles bem gordos e cachos de uvas reluzentes e berinjelas luzidias que eu mesmo não conseguia comer. Arrumava em pratos, pelos cantos, com flores e velas e fitas, para que o espaço ficasse mais bonito.
       Como uma fome, me dava. Mas uma fome de ver, não de comer. Sentava na sala toda arrumada, tapete escovado, cortinas lavadas, cestas de frutas, vasos de flores – acendia um cigarro e ficava mastigando com os olhos a beleza das coisas limpas, ordenadas, sem conseguir comer nada com a boca, faminto de ver. À medida que a casa ficava mais bonita, eu me tornava cada vez mais feio, mais magro, olheiras fundas, faces encovadas. Porque não conseguia dormir nem comer, à espera dele. Agora, agora vou ser feliz, pensava o tempo todo numa certeza histérica. Até que aquele cheiro de alecrim, de hortelã, começasse a ficar mais forte, para então, um dia, escorregar que nem brisa por baixo da porta e se instalar devagarinho no corredor de entrada, no sofá da sala, no banheiro, na minha cama. Ele tinha chegado.
        Nos dias seguintes repetia quando sentia saudade: alecrim-hortelã, antes ainda, o pressentimento de sua visita trazia unicamente ansiedade, taquicardias, aflição, unhas roídas. Não era bom. Eu não conseguia trabalhar, ir ao cinema, ler ou afundar em qualquer outra dessas ocupações banais que as pessoas como eu têm quando vivem. Só conseguia pensar em coisas bonitas para a casa, e em ficar bonito eu mesmo para encontrá-lo. A ansiedade era tanta que eu enfeava, à medida que os dias passavam. E, quando ele enfim chegava, eu nunca tinha estado tão feio. Os dragões não perdoam a feiura.
        Depois que ele vinha, o bonito da casa contrastando com o feio do meu corpo, tudo aos poucos começava a desabar. Feito dor, não alegria. Agora agora agora vou ser feliz, eu repetia: agora agora agora. Naqueles dias, enlouquecia cada vez mais, querendo agora já urgente ser feliz. Percebendo minha ânsia, ele tornava-se cada vez mais remoto. Ausentava-se, retirava-se, fingia partir. Rarefazia seu cheiro de ervas até que não passasse de uma suspeita verde no ar. Eu respirava mais fundo, perdia o fôlego no esforço de percebê-lo, dia após dia, enquanto flores e frutas apodreciam nos vasos, nos cestos, nos cantos. Aquelas mosquinhas negras miúdas esvoaçavam em volta delas, agourentas.
        Tudo apodrecia mais e mais, sem que eu percebesse, doído do impossível que era tê-lo. Atento somente à minha dor, que apodrecia também, cheirava mal. Então algum dos vizinhos batia à porta para saber se eu tinha morrido e sim, eu queria dizer, estou apodrecendo lentamente, cheirando mal como as pessoas banais ou não cheiram quando morrem, à espera de uma felicidade que não chega nunca.
          Os dragões, já disse, não suportam a feiura. Ele partia quando aquele cheiro de frutas e flores e, pior que tudo, de emoções apodrecidas tornava-se insuportável. Igual e confundido ao cheiro da minha felicidade que, desta e mais uma vez, ele não trouxera. Dormindo ou acordado, eu recebia sua partida como um súbito soco no peito. Então olhava para cima, para os lados, à procura de Deus ou qualquer coisa assim.
       Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte.
       Os dragões não permanecem. Os dragões não querem ser aceitos. Eles fogem do paraíso, esse paraíso que nós, as pessoas banais, inventamos – como eu inventava uma beleza de artifícios para esperá-lo e prendê-lo para sempre junto a mim. Os dragões não conhecem o paraíso, onde tudo acontece perfeito e nada dói nem cintila ou ofega, numa eterna monotonia de pacífica falsidade. Seu paraíso é o conflito, nunca a harmonia.


(ABREU, Caio Fernando. Contos Completos. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 520-527. Adaptado.)
Assinale a afirmativa que NÃO possui erro de ortografia.
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9

457941201892738
Ano: 2025Banca: Instituto ConsulplanOrganização: CISBAF - RJDisciplina: Sistemas Operacionais e Ambiente de RedesTemas: Microsoft Windows
No CISBAF os profissionais utilizam o Sistema Operacional Windows 11 para acessar prontuários eletrônicos, planilhas de controle e documentos administrativos. O sistema traz melhorias em sua interface gráfica e no Explorador de Arquivos (File Explorer), facilitando a navegação e a organização de dados essenciais para o bom funcionamento dos serviços de saúde. Com base nos recursos do Windows 11, assinale a afirmativa correta.
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10

457941201531510
Ano: 2025Banca: Instituto ConsulplanOrganização: CISBAF - RJDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Acentuação Gráfica: Tipos de Palavras | Ortografia
Texto associado
A borboleta amarela


        Era uma borboleta. Passou roçando em meus cabelos, e no primeiro instante pensei que fosse uma bruxa ou qualquer outro desses insetos que fazem vida urbana; mas, como olhasse, vi que era uma borboleta amarela.

        Era na esquina de Graça Aranha com Araújo Porto Alegre; ela borboleteava junto ao mármore negro do Grande Ponto; depois desceu, passando em face das vitrinas de conservas e uísques; eu vinha na mesma direção; logo estávamos defronte da A.B.I.. Entrou um instante no hall, entre duas colunas; seria uma jornalista? – pensei com certo tédio.

      Mas logo saiu. E subiu mais alto, acima das colunas, até o travertino encardido. Na rua México eu tive de esperar que o sinal abrisse: ela tocou, fagueira, para o outro lado, indiferente aos carros que passavam roncando sob suas leves asas. Fiquei a olhá-la. Tão amarela e tão contente da vida, de onde vinha, aonde iria? Fora trazida pelo vento das ilhas – ou descera no seu voo sassaricante e leve da floresta da Tijuca ou de algum morro – talvez o de São Bento. Onde estaria uma hora antes, qual sua idade? Nada sei de borboletas. Nascera, acaso, no jardim do Ministério da Educação? Não; o Burle Marx faz bons jardins, mas creio que ainda não os fez com borboletas – o que, aliás, é uma boa ideia. Quando eu o mandar fazer os jardins de meu palácio, direi: Burle, aqui sobre esses manacás, quero uma borboleta amare... Mas o sinal abriu e atravessei a rua correndo, pois já ia perdendo de vista a minha borboleta.

        A minha borboleta! Isso, que agora eu disse sem querer, era o que eu sentia naquele instante: a borboleta era minha – como se fosse meu cão ou minha amada de vestido amarelo que tivesse atravessado a rua na minha frente, e eu devesse segui- -la. Reparei que nenhum transeunte olhava a borboleta; eles passavam, devagar ou depressa, vendo vagamente outras coisas – as casas, os veículos ou se vendo –, só eu vira a borboleta, e a seguia, com meu passo fiel. Naquele ângulo há um jardinzinho, atrás da Biblioteca Nacional. Ela passou entre os ramos de uma acácia e de uma árvore sem folhas, talvez um “flamboyant”; havia, naquela hora, um casal de namorados pobres em um banco, e dois ou três sujeitos espalhados pelos outros bancos, dos quais uns são de pedra, outros de madeira, sendo que estes são pintados de azul e branco. Notei isso pela primeira vez, aliás, naquele instante, eu que sempre passo por ali; é que a minha borboleta amarela se tornava sensível às cores.

      Ela borboleteou um instante sobre o casal de namorados; depois passou quase junto da cabeça de um mulato magro, sem gravata, que descansava num banco; e seguiu em direção à Avenida. Amanhã eu conto mais.




(BRAGA, Rubem. A Borboleta Amarela. Rio de Janeiro: Editora Sabiá, 1963. p. 170-176. Adaptado.)
A tonicidade das palavras em Português é determinada pela sílaba tônica, ou seja, a sílaba que é pronunciada com maior intensidade ou força. Quanto à tonicidade das palavras, assinale a afirmativa correta. 
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