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[...] Nesse dia voltaram juntos pela mesma estrada, conversando. Isso é, o irmão conversava. Ele ia calado. Tinha três palavras na garganta, nada mais: orgulho, ganância, ingratidão. Três desgraças juntas numa mesma pessoa, ali ao seu lado. — Vamos, diga. Quanto você quer pela propriedade? — o velho não ouvia a voz do outro, pensava em coisas distintas, talvez numa ordem a que o universo estivesse sujeito e que ninguém podia quebrá-la. Deus fez a terra, a água e o sal, o sol e a lua, os bichos e os homens — e os homens eram todos irmãos e os irmãos de sangue eram ainda mais irmãos, porque vieram do sofrimento de uma mesma mulher.
TORRES, Antônio. Essa Terra. 21 ed. Rio de Janeiro: Record, 2005. p. 88.
Marque com V as afirmativas verdadeiras e com F, as falsas. O trecho, inserido no todo da obra, permite afirmar:
( ) A narrativa, ao enfocar relações familiares, supera limites geográficos e trata da natureza humana.
( ) O personagem “o velho”, no relacionamento com o irmão, é dominado pelo sentimento fraterno e pela gratidão.
( ) O irmão representa a atitude solidária habitualmente presente nas relações dentro da família.
( ) O Mestre é portador de uma visão conservadora acerca das mulheres, o que provoca uma relação de conflito com a esposa.
( ) O pensamento do velho, direcionado para o texto de caráter bíblico, acentua o contraste entre a doutrina religiosa e a prática das relações humanas.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para
baixo, é a
Lembranças de Makoko, uma das mais famigeradas comunidades de posseiros em Lagos, na Nigéria — metrópole presa entre a modernidade e a miséria. Com centenas de modos de transferência assíncronos (ATM, na sigla em inglês), recordes de centros de internet e milhões de telefones celulares, essa cidade agitada e congestionada com 8 milhões a 17 milhões de habitantes (dependendo de onde se traça a linha de contorno ou de quem faz a contagem) está conectada à grade global. Centro internacional de negócios empresariais e capital comercial do país mais populoso da África, Lagos atrai perto de 600 mil novos visitantes todos os anos. Mas a maioria dos bairros, mesmo alguns dos melhores, não dispõe de água encanada, saneamento básico e eletricidade. Makoko — parte sobre terra firme, parte flutuando sobre lagoas — é uma das comunidades mais carentes da megalópole.
Bairros como esse existem no mundo todo. [...]
Quando os governos negam a essas comunidades o direito de existir, as pessoas demoram mais para melhorar suas casas. Quando as autoridades do Rio de Janeiro decretaram guerra às favelas nos anos 60, por exemplo, as pessoas temiam ser expulsas de suas casas, ou que estas fossem incendiadas e por isso não tinham pressa em melhorá-las. A maioria das favelas permaneceu primitiva — pouco diferentes das cabanas de barro e dos barracos de madeira de Mumbai e Nairóbi. Mas quando os políticos perceberam a reação e passaram a se comprometer com as comunidades, elas começaram a proliferar sem controle. (NEUWIRTH, 2013. p. 22-24-26).