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Eu caí em cheio na realidade, e uma das realidades que me
surpreenderam foi a rodoviária, à noitinha. Eu sempre repeti que
essa plataforma rodoviária era o traço de união da metrópole, da
capital, com as cidades-satélites improvisadas da periferia. Então
eu senti essa vida intensa dos verdadeiros brasilienses, essa
massa que converge para a rodoviária. Eu fiquei surpreendido
com a boa disposição daquelas caras saudáveis. E o “centro de
compras”, então, fica funcionando até meia-noite... Isto tudo é
muito diferente do que eu tinha imaginado para esse centro
urbano, como uma coisa requintada, meio cosmopolita. Mas não
é. Quem tomou conta dele foram esses brasileiros verdadeiros
que construíram a cidade e estão ali legitimamente. Eles tomaram
conta daquilo que não foi concebido para eles.
Lucio Costa.Relatório do Plano Piloto de Brasília.
4.ª ed. Brasília: IPHAN, 2018, p. 12 (com adaptações).
A partir do texto apresentado, de Lucio Costa, julgue o item a seguir.
O pensamento social do século XIX foi influenciado pelo discurso médico. Das analogias entre o corpo social e o corpo humano, a cidade passou a ser tratada como um organismo vivo, em que cada órgão tinha uma função e anatomia peculiar. O planejador urbano tinha o papel de diagnosticar os males da cidade e propor terapias ou cirurgias radicais para extirpar o câncer urbano. Os modelos ideais, nos quais perpassava a utopiade uma cidade física e moralmente higiênica onde seria garantido o bem-estar da população, ocuparam a mente de alguns planejadores, entre os quais: Owen e sua experiência em New Lamark (1816); Fourier com o Falanstério (1822); Cabet com o projeto de Ícara (1840); Richardson e sua Higéia (1876); Godine o Familistério de Guise (1874); Julio Verne e a Franceville(1879); Tony Garnier e sua cidade industrial (1917); Georges Benoit-Levy e a cidade jardim francesa (1904); e Le Corbusier com sua Cidade Radiosa (1932).
A partir do texto acima, julgue o item seguinte.
A arquitetura paisagística combina arte e ciência para configurar os ambientes urbanos. O arquiteto paisagista frequentemente participa de projetos de desenho urbano, por suas habilidades e pelo escopo que conecta a profissão às necessidades do contexto urbano. Muitos projetos no mundo todo podem exemplificar interconexões entre o desenho urbano e o paisagismo. O desenho urbano pode ser considerado uma prática antiga, apesar de ser uma disciplina de meados do século XX, pois há milênios que as paisagens habitadas vêm sendo configuradas conscientemente. Justamente por isso é que a história da arquitetura e a evolução da forma urbana são muito importantes para a compreensão dessa interconexão. Considerando-se WATERMAN, em relação à evolução da forma urbana e aos primeiros projetos urbanos, marcar C para as afirmativas Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) Há cerca de 10 mil anos, os seres humanos começaram a cultivar o solo e deixaram de ser apenas caçadores e coletores. Os primeiros assentamentos eram pequenos, mas logo foi estabelecida a relação de interdependência entre as cidades e o campo que as circunda. As cidades e o campo evoluíram juntos ao longo de milênios. O paisagista Geoffrey Jellicoe separa a evolução das cidades de acordo com suas civilizações: civilizações centrais, civilizações orientais, civilizações ocidentais e civilizações modernas (a partir do século XVIII).
( ) Os primeiros povoamentos humanos eram pouco mais do que grupos de moradias, mas ainda assim as formas básicas nas quais hoje vivemos já tinham sido estabelecidas. As casas eram distribuídas em torno de uma lareira e havia áreas definidas para estar, trabalhar e dormir. Esses assentamentos geralmente apresentavam ruas que conectavam as habitações e também havia áreas para o descarte de lixo doméstico. O transporte de alimentos e bens, o manuseio do lixo e a disponibilização de lugares para reunião e troca de ideias são comuns a todos os povoados humanos, em todas as civilizações e partes do mundo.
( ) Com a Revolução Industrial, as cidades cresceram exponencialmente, rompendo os limites de suas muralhas medievais e se espalhando pelo campo. Muitos de nossos problemas contemporâneos têm suas raízes nesse enorme crescimento e nos veículos que foram desenvolvidos para nos servir – do trem a vapor ao automóvel.