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Leia o texto para responder à questão.
“- Não! exclamou ele. Tu não podes morrer.
A menina sorriu docemente.
- Olha! Disse ela com a sua voz maviosa, a água sobe, sobe...
- Que importa! Peri vencerá a água, como venceu a todos os teus inimigos.
- Se fosse um inimigo, tu o vencerias, Peri. Mas é Deus... É o seu poder infinito!
- Tu não sabes? Disse o índio como inspirado pelo seu amor ardente, o Senhor do céu manda, às vezes, àqueles a quem ama um bom pensamento.”
Considerando o fragmento de texto precedente e as disposições da BNCC do ensino fundamental para a disciplina de língua portuguesa, julgue o item a seguir, a respeito do Realismo e do Naturalismo na literatura brasileira.
Em O Cortiço, de Aluísio Azevedo, a abordagem estética pela
retórica da ciência imprime ao narrador uma voz objetiva,
destituída de juízos de valor, como no trecho a seguir, em que
descreve uma das personagens do romance: “A filha tinha
quinze anos, a pele de um moreno quente, beiços sensuais,
bonitos dentes, olhos luxuriosos de macaca. Toda ela estava a
pedir homem”.
O texto a seguir é um trecho de uma entrevista concedida por Janet M. Paterson à revista Aletria.
Aletria — Vários críticos, tais como Lacan, Derrida, Levinas, Deleuze, Lévi-Strauss, Bhabha e Spivak, têm discutido a questão da alteridade e as implicações das teorizações baseadas nas percepções do outro. Quais são as bases teóricas de sua pesquisa sobre figurações da alteridade?
Janet M. Paterson — O trabalho do sociossemioticista francês Eric Landowski forneceu o arcabouço conceitual de meu livro. Em Présences de l’Autre: essais de socio-sémiotique, Landowski estuda casos reais de alteridade em Paris, tais como os moradores de rua ou os artistas da região do Centre Pompidou. Isso lhe permitiu elaborar uma metodologia extremamente requintada e precisa que me pareceu muito útil. Mencionarei alguns de seus principais conceitos: a distinção entre diferença e alteridade (distinção que permite a Landowski conceituar alteridade); a necessidade de um grupo de referência (um grupo social dominante) para a existência de qualquer forma de alteridade; e a complexidade dos vários tipos de relações estabelecidas com o outro. Acima de tudo, eu era continuamente lembrada de que na literatura, assim como na sociedade, a alteridade é sempre uma construção.
Na teoria literária, a emergência da noção de alteridade vincula-se
teoricamente de modo mais expressivo aos textos produzidos no
Observe o seguinte segmento:
“Eu dizendo que a Mulher ia lavar o corpo dele. Ela rezava rezas da Bahia. Mandou todo o mundo sair. Eu fiquei. E a Mulher abanou brandamente a cabeça, consoante deu um suspiro simples. Ela me mal-entendia. Não me mostrou de propósito o corpo. Diadorim nu de tudo. E ela disse: "A Deus dada. Pobrezinha..."
E disse. Eu conheci! Como em todo o tempo antes eu não contei ao senhor e mercê peço: mas para o senhor divulgar comigo, a par, justo o travo de tanto segredo, sabendo somente no átimo em que eu também só soube... Que Diadorim era o corpo de uma mulher, moça perfeita... Estarreci. A dor não pode mais do que a surpresa. A coice d'arma, de coronha...”
Esse segmento permite que se identifique a obra de onde foi retirado, que é: