David, reincidente, foi denunciado pela prática de crime de furto
qualificado. No curso da instrução, uma testemunha afirma que
David tinha a posse regular e anterior daquele bem que teria sido
subtraído, razão pela qual o Ministério Público, ao final da
produção probatória, adita a denúncia, altera os fatos narrados e
imputa ao réu a prática do crime de apropriação indébita. Após
ratificação das provas, o Ministério Público apresentou alegações
finais, requerendo a condenação do réu nas sanções do delito de
apropriação indébita. O magistrado, porém, ao analisar as provas,
conclui que, na verdade, o crime praticado foi de furto
qualificado, conforme descrito na denúncia antes do aditamento.
Getúlio foi denunciado pela prática do delito de furto
simples, descrito pelo artigo 155, caput, do Código Penal,
e, encerrada a instrução, após confissão e oitiva de testemunhas
presenciais do fato, restou demonstrado que ele
agiu em concurso com Diocleciano, que fugiu na posse
dos bens subtraídos da vítima. Assim, por prova existente
nos autos, comprovou-se circunstância qualificadora,
descrita pelo § 4° , inciso IV, do precitado dispositivo legal,
não descrita na denúncia, e, portanto, deve o Ministério
Público, nos termos do artigo 384, caput, do Código de
Processo Penal (mutatio libelli):
Em sentença de pronúncia, o magistrado fundamenta a decisão,
entre outros argumentos, com o seguinte trecho: “pela dinâmica
dos fatos, é possível verificar que Aristobaldo, com ânimo
homicida e por motivo fútil, matou Márcio”.
Diante dessa hipótese, e com fundamento na jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça, é correto afirmar que:
Julgue o seguinte item, relativo ao mandado de segurança em matéria penal, à investigação criminal, ao Ministério Público, ao processo referente a ilícitos de improbidade administrativa, ao processo dos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, à sentença e à proteção de acusados ou condenados colaboradores.
A emendatio libelli, prevista no CPP, é instituto de que o juiz pode se valer quando da prolação da sentença, não havendo previsão legal para sua utilização em momento anterior à instrução.
De acordo com o princípio da correlação entre a imputação
e a sentença, a decisão do magistrado deve se
amoldar aos fatos descritos na inicial acusatória. Dessa
forma, ao proferir a sentença, o juiz pode alterar a definição
jurídica do fato utilizando-se de dois institutos previstos
no Código de Processo Penal: a mutattio libelli e a
emendatio libelli. Acerca desta última, assinale a alternativa
correta.
No que diz respeito ao sistema penitenciário e à legislação penal e processual penal aplicada à segurança pública, julgue o item seguinte.
Somente faz coisa julgada no âmbito cível a sentença penal que reconhecer que o ato foi praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.