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O caso de Mana
O caso de Dona Miguelina, sem o colorido dos detalhes que foram por conta de minha bisavó, muito mais resumido e sem a parte final, inda é contado e repetido em Goiás. Quando se conversa em assombração, vem sempre a estória da vela que virou osso de canela.
Um século depois, em dias mais recentes, Mana Abrantes, nascida e criada nestas casas de Goiás, contemporânea de minha gente, que inda está viva, espírito forte, emancipado e descrente de assombração e de almas do outro mundo, resumindo todo o contado em ignorância, baboseiras e “coisas daquele tempo”, ouvindo sempre esse caso da Procissão das Almas, disse terminantemente que não acreditava, que não tinha medo e que havia ainda de fazer uma experiência.
Como Dona Minguta do século passado, Mana morava também na Rua da Abadia e, numa boa sexta-feira da Quaresma, resolveu tirar a limpo aquela superstição. Pôs-se na janela de sua casa escura e de porta fechada, sendo, por coincidência, sua casa de rótulas, uma das restantes da cidade.
Tal como Dona Miguta, ficou esperando do lado de dentro.
Esperou, esperou... Nada viu mesmo de extraordinário. Passantes vivos que se recolhiam. Gente de carne e osso e de cara descoberta que subia ou descia. Um cachorro que caminhou pela caçada, um gato que atravessa a rua. Tudo natural, naturalíssimo. Desanimada e vitoriosa ao mesmo tempo, deixou o observatório e acabava de fechar os tampos de dentro da janela quando ouviu claramente a voz de uma sua tia, falecida havia muito tempo, dizer a ela:
– Então, não viu nada mesmo, hem Mana...
Mana Abrantes, de um salto, alcançou a alcova e caiu desacordada no assoalho.
CORA CORALINA. Estórias da casa velha da ponte. 4 Ed. São Paulo: Global Editora, 1987, p. 25-26.
O enunciado “caiu desacordada no assoalho” corresponde a
O caso de Mana
O caso de Dona Miguelina, sem o colorido dos detalhes que foram por conta de minha bisavó, muito mais resumido e sem a parte final, inda é contado e repetido em Goiás. Quando se conversa em assombração, vem sempre a estória da vela que virou osso de canela.
Um século depois, em dias mais recentes, Mana Abrantes, nascida e criada nestas casas de Goiás, contemporânea de minha gente, que inda está viva, espírito forte, emancipado e descrente de assombração e de almas do outro mundo, resumindo todo o contado em ignorância, baboseiras e “coisas daquele tempo”, ouvindo sempre esse caso da Procissão das Almas, disse terminantemente que não acreditava, que não tinha medo e que havia ainda de fazer uma experiência.
Como Dona Minguta do século passado, Mana morava também na Rua da Abadia e, numa boa sexta-feira da Quaresma, resolveu tirar a limpo aquela superstição. Pôs-se na janela de sua casa escura e de porta fechada, sendo, por coincidência, sua casa de rótulas, uma das restantes da cidade.
Tal como Dona Miguta, ficou esperando do lado de dentro.
Esperou, esperou... Nada viu mesmo de extraordinário. Passantes vivos que se recolhiam. Gente de carne e osso e de cara descoberta que subia ou descia. Um cachorro que caminhou pela caçada, um gato que atravessa a rua. Tudo natural, naturalíssimo. Desanimada e vitoriosa ao mesmo tempo, deixou o observatório e acabava de fechar os tampos de dentro da janela quando ouviu claramente a voz de uma sua tia, falecida havia muito tempo, dizer a ela:
– Então, não viu nada mesmo, hem Mana...
Mana Abrantes, de um salto, alcançou a alcova e caiu desacordada no assoalho.
CORA CORALINA. Estórias da casa velha da ponte. 4 Ed. São Paulo: Global Editora, 1987, p. 25-26.
A narrativa produz um efeito no leitor
O caso de Mana
O caso de Dona Miguelina, sem o colorido dos detalhes que foram por conta de minha bisavó, muito mais resumido e sem a parte final, inda é contado e repetido em Goiás. Quando se conversa em assombração, vem sempre a estória da vela que virou osso de canela.
Um século depois, em dias mais recentes, Mana Abrantes, nascida e criada nestas casas de Goiás, contemporânea de minha gente, que inda está viva, espírito forte, emancipado e descrente de assombração e de almas do outro mundo, resumindo todo o contado em ignorância, baboseiras e “coisas daquele tempo”, ouvindo sempre esse caso da Procissão das Almas, disse terminantemente que não acreditava, que não tinha medo e que havia ainda de fazer uma experiência.
Como Dona Minguta do século passado, Mana morava também na Rua da Abadia e, numa boa sexta-feira da Quaresma, resolveu tirar a limpo aquela superstição. Pôs-se na janela de sua casa escura e de porta fechada, sendo, por coincidência, sua casa de rótulas, uma das restantes da cidade.
Tal como Dona Miguta, ficou esperando do lado de dentro.
Esperou, esperou... Nada viu mesmo de extraordinário. Passantes vivos que se recolhiam. Gente de carne e osso e de cara descoberta que subia ou descia. Um cachorro que caminhou pela caçada, um gato que atravessa a rua. Tudo natural, naturalíssimo. Desanimada e vitoriosa ao mesmo tempo, deixou o observatório e acabava de fechar os tampos de dentro da janela quando ouviu claramente a voz de uma sua tia, falecida havia muito tempo, dizer a ela:
– Então, não viu nada mesmo, hem Mana...
Mana Abrantes, de um salto, alcançou a alcova e caiu desacordada no assoalho.
CORA CORALINA. Estórias da casa velha da ponte. 4 Ed. São Paulo: Global Editora, 1987, p. 25-26.
O trecho “[...] e que havia ainda de fazer uma experiência”, na última linha do segundo parágrafo, equivale ao seguinte provérbio popular:
O caso de Mana
O caso de Dona Miguelina, sem o colorido dos detalhes que foram por conta de minha bisavó, muito mais resumido e sem a parte final, inda é contado e repetido em Goiás. Quando se conversa em assombração, vem sempre a estória da vela que virou osso de canela.
Um século depois, em dias mais recentes, Mana Abrantes, nascida e criada nestas casas de Goiás, contemporânea de minha gente, que inda está viva, espírito forte, emancipado e descrente de assombração e de almas do outro mundo, resumindo todo o contado em ignorância, baboseiras e “coisas daquele tempo”, ouvindo sempre esse caso da Procissão das Almas, disse terminantemente que não acreditava, que não tinha medo e que havia ainda de fazer uma experiência.
Como Dona Minguta do século passado, Mana morava também na Rua da Abadia e, numa boa sexta-feira da Quaresma, resolveu tirar a limpo aquela superstição. Pôs-se na janela de sua casa escura e de porta fechada, sendo, por coincidência, sua casa de rótulas, uma das restantes da cidade.
Tal como Dona Miguta, ficou esperando do lado de dentro.
Esperou, esperou... Nada viu mesmo de extraordinário. Passantes vivos que se recolhiam. Gente de carne e osso e de cara descoberta que subia ou descia. Um cachorro que caminhou pela caçada, um gato que atravessa a rua. Tudo natural, naturalíssimo. Desanimada e vitoriosa ao mesmo tempo, deixou o observatório e acabava de fechar os tampos de dentro da janela quando ouviu claramente a voz de uma sua tia, falecida havia muito tempo, dizer a ela:
– Então, não viu nada mesmo, hem Mana...
Mana Abrantes, de um salto, alcançou a alcova e caiu desacordada no assoalho.
CORA CORALINA. Estórias da casa velha da ponte. 4 Ed. São Paulo: Global Editora, 1987, p. 25-26.
A história contada se passa em um período definido do ano, escolhido para
O caso de Mana
O caso de Dona Miguelina, sem o colorido dos detalhes que foram por conta de minha bisavó, muito mais resumido e sem a parte final, inda é contado e repetido em Goiás. Quando se conversa em assombração, vem sempre a estória da vela que virou osso de canela.
Um século depois, em dias mais recentes, Mana Abrantes, nascida e criada nestas casas de Goiás, contemporânea de minha gente, que inda está viva, espírito forte, emancipado e descrente de assombração e de almas do outro mundo, resumindo todo o contado em ignorância, baboseiras e “coisas daquele tempo”, ouvindo sempre esse caso da Procissão das Almas, disse terminantemente que não acreditava, que não tinha medo e que havia ainda de fazer uma experiência.
Como Dona Minguta do século passado, Mana morava também na Rua da Abadia e, numa boa sexta-feira da Quaresma, resolveu tirar a limpo aquela superstição. Pôs-se na janela de sua casa escura e de porta fechada, sendo, por coincidência, sua casa de rótulas, uma das restantes da cidade.
Tal como Dona Miguta, ficou esperando do lado de dentro.
Esperou, esperou... Nada viu mesmo de extraordinário. Passantes vivos que se recolhiam. Gente de carne e osso e de cara descoberta que subia ou descia. Um cachorro que caminhou pela caçada, um gato que atravessa a rua. Tudo natural, naturalíssimo. Desanimada e vitoriosa ao mesmo tempo, deixou o observatório e acabava de fechar os tampos de dentro da janela quando ouviu claramente a voz de uma sua tia, falecida havia muito tempo, dizer a ela:
– Então, não viu nada mesmo, hem Mana...
Mana Abrantes, de um salto, alcançou a alcova e caiu desacordada no assoalho.
CORA CORALINA. Estórias da casa velha da ponte. 4 Ed. São Paulo: Global Editora, 1987, p. 25-26.
O objetivo dos três primeiros parágrafos do texto é comparar duas histórias diferentes que ocorrem
A área ocupada pela comunidade Kalunga foi reconhecida pelo Governo do Estado de Goiás, desde 1991, como sítio histórico que abriga o Patrimônio Cultural Kalunga. Com mais de 230 mil hectares de Cerrado protegido, abriga cerca de quatro mil pessoas em um território que se estende pelos municípios de Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás.
Disponível em: <http://www.goias.gov.br/paginas/conheca-goias/povo-goiano/quilombolas>. Acesso em: 21 set. 2015.
A criação do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga teve como objetivo
Leia o texto a seguir: A emissão de CO2 no Brasil, no ano de 2007, foi aproximadamente 18% superior à emissão do ano de 1994. O Ministério do Meio Ambiente adotou, então, metas de redução dessa emissão, prevendo, na melhor das hipóteses, emitir 1 652 000 toneladas de CO2 no ano de 2020. Isso representaria uma redução de 2% em relação ao ano de 2007.
Disponível em: <http://ecen.com/eee75/eee75p/metas_brasil.htm>. Acesso em: 15 set. 2015. (Adaptado).
Considerando essas informações, a quantidade de toneladas de CO2 emitidas, no Brasil, em 1994, foi, aproximadamente,
O assalto
A casa luxuosa no Leblon é guardada por um molosso de feia catadura, que dorme de olhos abertos, ou talvez nem durma, de tão vigilante. Por isso, a família vive tranquila e nunca se teve notícia de assalto a residência tão bem protegida. Até a semana passada.
Na noite de quinta-feira, um homem conseguiu abrir o pesado portão de ferro e penetrar no jardim. Ia fazer o mesmo com a porta da casa, quando o cachorro, que muito de astúcia o deixara chegar até lá, para acender-lhe o clarão de esperança e depois arrancar-lhe toda ilusão, avançou contra ele, abocanhando-lhe a perna esquerda. O ladrão quis sacar do revólver, mas não teve tempo para isto. Caindo ao chão, sob as patas do inimigo, suplicou-lhe com os olhos que o deixasse viver, e com a boca prometeu que nunca mais tentaria assaltar aquela casa. Falou em voz baixa, para não despertar os moradores, temendo que se agravasse a situação.
O animal pareceu compreender a súplica do ladrão e deixou-o sair em estado deplorável. No jardim ficou um pedaço de calça.
No dia seguinte, a empregada não entendeu bem por que uma voz, pelo telefone, disse que era da Saúde Pública e indagou se o cão era vacinado. Nesse momento, o cão estava junto da doméstica e abanou o rabo, afirmativamente.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1981.
O que torna o último parágrafo do texto irônico é:
O assalto
A casa luxuosa no Leblon é guardada por um molosso de feia catadura, que dorme de olhos abertos, ou talvez nem durma, de tão vigilante. Por isso, a família vive tranquila e nunca se teve notícia de assalto a residência tão bem protegida. Até a semana passada.
Na noite de quinta-feira, um homem conseguiu abrir o pesado portão de ferro e penetrar no jardim. Ia fazer o mesmo com a porta da casa, quando o cachorro, que muito de astúcia o deixara chegar até lá, para acender-lhe o clarão de esperança e depois arrancar-lhe toda ilusão, avançou contra ele, abocanhando-lhe a perna esquerda. O ladrão quis sacar do revólver, mas não teve tempo para isto. Caindo ao chão, sob as patas do inimigo, suplicou-lhe com os olhos que o deixasse viver, e com a boca prometeu que nunca mais tentaria assaltar aquela casa. Falou em voz baixa, para não despertar os moradores, temendo que se agravasse a situação.
O animal pareceu compreender a súplica do ladrão e deixou-o sair em estado deplorável. No jardim ficou um pedaço de calça.
No dia seguinte, a empregada não entendeu bem por que uma voz, pelo telefone, disse que era da Saúde Pública e indagou se o cão era vacinado. Nesse momento, o cão estava junto da doméstica e abanou o rabo, afirmativamente.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1981.
O texto é todo construído com base no humor e na ironia. O efeito de humor que marca o desfecho da narrativa é produzido
O assalto
A casa luxuosa no Leblon é guardada por um molosso de feia catadura, que dorme de olhos abertos, ou talvez nem durma, de tão vigilante. Por isso, a família vive tranquila e nunca se teve notícia de assalto a residência tão bem protegida. Até a semana passada.
Na noite de quinta-feira, um homem conseguiu abrir o pesado portão de ferro e penetrar no jardim. Ia fazer o mesmo com a porta da casa, quando o cachorro, que muito de astúcia o deixara chegar até lá, para acender-lhe o clarão de esperança e depois arrancar-lhe toda ilusão, avançou contra ele, abocanhando-lhe a perna esquerda. O ladrão quis sacar do revólver, mas não teve tempo para isto. Caindo ao chão, sob as patas do inimigo, suplicou-lhe com os olhos que o deixasse viver, e com a boca prometeu que nunca mais tentaria assaltar aquela casa. Falou em voz baixa, para não despertar os moradores, temendo que se agravasse a situação.
O animal pareceu compreender a súplica do ladrão e deixou-o sair em estado deplorável. No jardim ficou um pedaço de calça.
No dia seguinte, a empregada não entendeu bem por que uma voz, pelo telefone, disse que era da Saúde Pública e indagou se o cão era vacinado. Nesse momento, o cão estava junto da doméstica e abanou o rabo, afirmativamente.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1981.
O penúltimo parágrafo do texto indica que o cachorro