Informe se é falso (F) ou verdadeiro (V) o que
se afirma a seguir e assinale a alternativa com a
sequência correta.
( ) O aprendizado da leitura e da escrita em
braille requer um elevado desenvolvimento
das habilidades motoras finas, além de
flexibilidade nos punhos e agilidade nos
dedos.
( ) A pessoa cega é obrigada a interromper a
leitura após algum tempo, pois os dedos
indicadores (os mais utilizados para ler)
vão perdendo a sensibilidade e se torna
difícil identificar as palavras e as letras.
( ) Pesquisas comprovam que a leitura tátil
é três vezes mais tranquila que a leitura
visual.
estão em uma sala, prontas para devorar uma travessa de
comida. E eis que chegam mais três. Será preciso deitar
água no feijão, para dividi-lo entre os comensais. Todos
comem feijão aguado. Os mesmos três estão ouvindo um
cantor, quando irrompem mais três na sala. Mas agora é
diferente, ninguém ouve ou vê menos pela presença dos
outros. Não há do que privar-se, pois ninguém “come”
o som e a imagem dos outros. Se continuar a chegar
gente, acabarão todos se acotovelando e cochichos
atrapalharão o deleite da música. Mas quantos serão, a
ponto de reduzir o prazer da cantoria? Obviamente, isso
dependerá do tamanho da sala, do formato, da acústica,
do volume da voz e se há amplificação, entre outros
fatores. Não há um número mágico.
2.§ Esse experimento abstrato pode ser comparado
a uma sala de aula. Quando chegam mais alunos, não
é como o caso do feijão aguado. Pelo contrário, é
semelhante ao do cantor. Mais gente na sala não prejudica
o aprendizado. E não é preciso muita imaginação para
concluir que aulas maiores custam menos, economizando
recursos, vantagem nada trivial. No primeiro ano de
Harvard, muitas aulas são em anfiteatros, com todos os
400 alunos iniciantes. O curso de introdução à economia,
em Berkeley, tinha 1200. Se essa fórmula fosse tão ruim,
Harvard não seria a melhor universidade do mundo e
Berkeley, a melhor pública. As salas do ensino médio
coreano tinham mais de sessenta alunos. Mesmo assim,
a Coreia já possuía um excelente sistema educativo. No
Brasil, temos o exemplo dos cursinhos, operando com
salas enormes. Para a maioria dos alunos, é o melhor
ensino que jamais experimentarão.
3.§ A realidade é ainda mais turva. Pergunte-se
ao público se prefere ouvir Caetano Veloso em uma
sala com 100 espectadores ou um cantor menor, em
uma sala com 35. Pergunte-se aos alunos se preferem
um grande professor, em uma sala enorme, ou um
medíocre, em uma salinha de 35 lugares. Em ambos os
casos, a resposta é a mesma e óbvia. Para os puristas,
se há muitos alunos, dilui-se a interação deles com o
professor. É um argumento sério, sempre e quando tal
interação for praticada. Mas isso é raríssimo, qualquer
que seja o tamanho da sala. Tais perplexidades atraíram
muitos estudos, na tentativa de determinar o impacto do
tamanho da sala de aula sobre o aprendizado. De fato,
esse é um dos temas mais pesquisados, com medidas
cuidadosas e grupos de controle. São centenas de
pesquisas, tantas que não mais se justifica fazer outras.
E o que nos dizem? Simplesmente, com a única exceção
constituída pelos alunos pobres dos anos iniciais, não há
nenhuma associação entre o tamanho da sala e o nível de
aprendizado. Infere-se que os casos de interação aluno-
professor são raríssimos. Desde que se possa ver e ouvir
o mestre, pôr ou tirar alunos não afeta o rendimento.
É leviano negar o que diz a avalanche de pesquisas.
Entendamos, os resultados descrevem o coletivo das
escolas.
4.§ Tais análises não avaliam métodos eficazes que
requerem poucos alunos. Isso porque sua superioridade
não pode ser medida se quem os adota está perdido em
um mundão de escolas tradicionais. A própria definição
de tamanho de sala vai se esfarelando. Imaginemos um
colégio com professores excelentes dando aulas em
salas com sessenta estudantes. Depois, grupos de dez
alunos se reúnem com professores mais jovens para
discutir os assuntos da aula. Além disso, os alunos fazem
duas disciplinas a distância, uma delas com um tutor por
500 alunos e outra, totalmente informatizada (relação
aluno/professor = infinito). Quantos professores por
aluno há nessa escola? Desde que temos Ideb e Enem,
o tema é irrelevante. Se o estudante aprendeu, pouco
importa como funciona a sala de aula. Pois não é que o
nosso Legislativo, com uma pauta atolada de problemas
angustiantes, se mete a legislar sobre o número de
alunos na sala de aula? Pela proposta em discussão, no
ensino médio, não será possível ultrapassar o número
mágico de 35. Deve ser uma cifra que, em sua infinita
magnificência, Deus revelou aos legisladores, pois de
nenhuma pesquisa saiu.
Revista Veja, edição 2.299, p. 28.
A expressão “devorar uma travessa de comida” (1.§) é um exemplo de figura de
Informe se é falso (F) ou verdadeiro (V) o que
se afirma a seguir e assinale a alternativa com a
sequência correta. A organização dos conteúdos
de Língua Portuguesa pressupõe um tratamento
cíclico, ou seja, os mesmos conteúdos aparecem
ao longo de toda a escolaridade, variando apenas
o grau de aprofundamento e sistematização. Para
tanto, é preciso considerar que
( ) os conhecimentos posteriores dos alunos
em relação ao que se pretende ensinar,
identificando até que ponto os conteúdos
ensinados foram realmente aprendidos.
( ) o nível de complexidade dos diferentes
conteúdos como definidor do grau de
autonomia possível aos alunos, na realização das atividades, nos diferentes
ciclos.
( ) o nível de aprofundamento possível
de cada conteúdo, em função das
possibilidades de compreensão dos alunos
nos diferentes momentos do seu processo
de aprendizagem.
estão em uma sala, prontas para devorar uma travessa de
comida. E eis que chegam mais três. Será preciso deitar
água no feijão, para dividi-lo entre os comensais. Todos
comem feijão aguado. Os mesmos três estão ouvindo um
cantor, quando irrompem mais três na sala. Mas agora é
diferente, ninguém ouve ou vê menos pela presença dos
outros. Não há do que privar-se, pois ninguém “come”
o som e a imagem dos outros. Se continuar a chegar
gente, acabarão todos se acotovelando e cochichos
atrapalharão o deleite da música. Mas quantos serão, a
ponto de reduzir o prazer da cantoria? Obviamente, isso
dependerá do tamanho da sala, do formato, da acústica,
do volume da voz e se há amplificação, entre outros
fatores. Não há um número mágico.
2.§ Esse experimento abstrato pode ser comparado
a uma sala de aula. Quando chegam mais alunos, não
é como o caso do feijão aguado. Pelo contrário, é
semelhante ao do cantor. Mais gente na sala não prejudica
o aprendizado. E não é preciso muita imaginação para
concluir que aulas maiores custam menos, economizando
recursos, vantagem nada trivial. No primeiro ano de
Harvard, muitas aulas são em anfiteatros, com todos os
400 alunos iniciantes. O curso de introdução à economia,
em Berkeley, tinha 1200. Se essa fórmula fosse tão ruim,
Harvard não seria a melhor universidade do mundo e
Berkeley, a melhor pública. As salas do ensino médio
coreano tinham mais de sessenta alunos. Mesmo assim,
a Coreia já possuía um excelente sistema educativo. No
Brasil, temos o exemplo dos cursinhos, operando com
salas enormes. Para a maioria dos alunos, é o melhor
ensino que jamais experimentarão.
3.§ A realidade é ainda mais turva. Pergunte-se
ao público se prefere ouvir Caetano Veloso em uma
sala com 100 espectadores ou um cantor menor, em
uma sala com 35. Pergunte-se aos alunos se preferem
um grande professor, em uma sala enorme, ou um
medíocre, em uma salinha de 35 lugares. Em ambos os
casos, a resposta é a mesma e óbvia. Para os puristas,
se há muitos alunos, dilui-se a interação deles com o
professor. É um argumento sério, sempre e quando tal
interação for praticada. Mas isso é raríssimo, qualquer
que seja o tamanho da sala. Tais perplexidades atraíram
muitos estudos, na tentativa de determinar o impacto do
tamanho da sala de aula sobre o aprendizado. De fato,
esse é um dos temas mais pesquisados, com medidas
cuidadosas e grupos de controle. São centenas de
pesquisas, tantas que não mais se justifica fazer outras.
E o que nos dizem? Simplesmente, com a única exceção
constituída pelos alunos pobres dos anos iniciais, não há
nenhuma associação entre o tamanho da sala e o nível de
aprendizado. Infere-se que os casos de interação aluno-
professor são raríssimos. Desde que se possa ver e ouvir
o mestre, pôr ou tirar alunos não afeta o rendimento.
É leviano negar o que diz a avalanche de pesquisas.
Entendamos, os resultados descrevem o coletivo das
escolas.
4.§ Tais análises não avaliam métodos eficazes que
requerem poucos alunos. Isso porque sua superioridade
não pode ser medida se quem os adota está perdido em
um mundão de escolas tradicionais. A própria definição
de tamanho de sala vai se esfarelando. Imaginemos um
colégio com professores excelentes dando aulas em
salas com sessenta estudantes. Depois, grupos de dez
alunos se reúnem com professores mais jovens para
discutir os assuntos da aula. Além disso, os alunos fazem
duas disciplinas a distância, uma delas com um tutor por
500 alunos e outra, totalmente informatizada (relação
aluno/professor = infinito). Quantos professores por
aluno há nessa escola? Desde que temos Ideb e Enem,
o tema é irrelevante. Se o estudante aprendeu, pouco
importa como funciona a sala de aula. Pois não é que o
nosso Legislativo, com uma pauta atolada de problemas
angustiantes, se mete a legislar sobre o número de
alunos na sala de aula? Pela proposta em discussão, no
ensino médio, não será possível ultrapassar o número
mágico de 35. Deve ser uma cifra que, em sua infinita
magnificência, Deus revelou aos legisladores, pois de
nenhuma pesquisa saiu.
Revista Veja, edição 2.299, p. 28.
Assinale a alternativa INCORRETA quanto ao que se afrma a respeito das colocações pronominais que foram alteradas em relação ao texto original.