A transformação da escola é viável quando ela garante a introdução da perspectiva multicultural no seu dia a dia,
assim como não se limita a questões de caráter político-ideológico, de sociologia e antropologia da educação e de
princípios orientadores da teoria curricular. Nesse contexto, a escola precisa
“A cultura não é só a manifestação artística ou intelectual que se expressa no pensamento. A cultura manifesta-se, sobretudo, nos gestos mais simples da vida cotidiana. Cultura é comer de modo diferente, é dar a mão de modo diferente, é relacionar-se com o outro de outro modo. Cultura para nós são todas as manifestações humanas; inclusive o cotidiano, e é no cotidiano que se dá algo essencial: o descobrimento da diferença.”
Freire , Paulo e FAUNDEZ, Antonio. Por uma pedagogia da pergunta, Rio de Janeiro : Paz e Terra, 1985, p.34
“[...] é necessário ter claro pelo menos alguns aspectos do que se denomina por globalização: a) trata-se de um processo social que atravessa os lugares de maneira diferenciada e desigual; b) sua lógica não se explica através do Estado-nação, daí falarmos em “sociedade global”, world system, “modernidademundo”; e c) a noção de espaço e de tempo é redefinida neste contexto.”
ORTIZ, Renato. Anotações sobre religião e globalização, Revista Brasileira de Ciências Sociais, Vol. 16, n 47, 2001, p. 64
O atual contexto de globalização, além de dar maior visibilidade para o tema das diferenças culturais no cotidiano escolar, aponta para outra característica fundamental da cultura, já que se trata de um(a)
O trabalho com projetos traz uma nova perspectiva para entendermos o processo de ensino-aprendizagem, pois o conhecimento é construído em estreita relação com o contexto e a participação se legitima na prática. Todos os envolvidos no projeto podem contribuir com a construção do conhecimento, com a sistematização dos conceitos, relacionando-os ao meio social. Para a elaboração e organização de projetos escolares, há alguns princípios didáticos e, a partir desses princípios, na pedagogia de projetos, os alunos não entram em contato com os conteúdos disciplinares a começar de conceitos abstratos e de modo teórico, como muitas vezes aconteceram nas práticas escolares.
(Leite, 2000.)
Sobre o exposto e considerando os princípios na pedagogia de projetos numa perspectiva globalizante, infere-se que:
“Segundo a abordagem histórico-cultural, a
reorganizagão das experiências de aprendizagem
deve considerar o quanto de colaboração o aluno
ainda necessita para chegar a produzir determinadas
atividades de forma independente.”
No Brasil, raízes étnico-culturais, bastante diversas, engendraram uma realidade multicultural à qual articularam-
-se relações desiguais de poder, resultando em desigual
valorização das identidades étnico-culturais, atribuindo
“lugar” hegemônico a algumas delas e tratando com
discriminação e preconceito outras. Na perspectiva da
construção de uma sociedade democrática, os princípios
constitucionais os quais embasam a legislação educacional brasileira apontam para a valorização das diferenças
e o combate à desigualdade. De acordo com Resende,
(1998), caminhar nessa direção ainda é um desafio muito grande para a sociedade em geral e particularmente
para os educadores, pois envolve, além de reconhecer a
realidade multicultural, agir deliberadamente para intervir
entre diferentes culturas. Para que a educação escolar
atue efetivamente no sentido da valorização da diversidade étnico-cultural, do desvelamento da desigualdade e
do combate à discriminação e ao preconceito, Resende
entende que é preciso revisitar essas questões nos espaços de formação dos professores para se ter capacidade
de enfrentar os desafios de incorporar o multiculturalismo
ao currículo, de promover o diálogo entre os diferentes
em prol de objetivos comuns, de
Dos princípios norteadores dos sistemas de ensino
adotados pelas escolas aquele que contribui para combater e
eliminar quaisquer manifestações de preconceito de origem,
raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de
discriminação é conhecido como.
Lenise A. M. Garcia, estudando a transversalidade e a
interdisciplinaridade, afirma que, por meio delas, procura-se “conseguir uma visão mais ampla e adequada
da realidade”, uma aproximação “com mais propriedade
dos fenômenos naturais e sociais, que são normalmente
complexos”. Tal é o caso do multiculturalismo como perspectiva para o projeto político-pedagógico, o qual Resende (in Veiga, 1998) discute, relacionando democracia e
direito à educação com igualdade e diversidade. Resende argumenta que esses temas demandam ultrapassar
os discursos e instaurar práticas de combate à discriminação e ao preconceito dentro e fora da escola. A autora
destaca que o grande desafio na escola é a “incorporação do multiculturalismo ao currículo, de forma que sua
transversalidade possa perpassar os conteúdos a serem
tratados no cotidiano
Nos últimos anos tem se consolidado a compreensão de que o respeito à diversidade cultural constitui um princípio a ser incorporado nas práticas educativas no interior das escolas. Representa mais adequadamente a incorporação desse princípio no
trabalho pedagógico: