No corrente ano, aproveitando as férias, Tício, maior, viajou de ônibus, para a sua cidade natal. Durante o trajeto (dentro do mesmo estado da federação), próximo ao
seu destino, o ônibus é parado pela Polícia Rodoviária
Federal, para inspeção de praxe. Diante do nervosismo
de Tício, o agente decide vistoriar suas bagagens, nas
quais foram encontrados 400 gramas de haxixe. Tício foi
preso em flagrante delito, optando por ficar em silêncio.
Uma vez lavrado o auto de prisão pela autoridade policial competente, o feito é remetido à Justiça Estadual,
sendo realizada audiência de custódia, no dia seguinte,
pelo juiz de garantias, em vara criada, recentemente, na
região, em conformidade com o julgamento da matéria,
no STF. Embora o Ministério Público tenha se oposto à
concessão da liberdade provisória, apontando a presença de antecedentes criminais, o juiz a concede, mediante
a fixação de fiança. A substância apreendida foi submetida a uma perícia preliminar, que atestou o princípio ativo
do entorpecente. O laudo definitivo, embora tenha chegado à mesma conclusão, foi juntado sem a assinatura
do técnico, o que se deu por um lapso, haja vista a identificação, na peça, do nome do perito oficial responsável para exará-lo. Observados os prazos legais, foi
ofertada denúncia, imputando tráfico de entorpecentes
(art. 33, caput, da Lei no
11.343/2006). Diante disso, o
juiz de garantias intima o acusado para apresentação
da defesa preliminar, a qual é ofertada, tendo recebido a
acusação. A partir de então, o caso é distribuído a uma
das Varas Criminais, para prosseguimento do feito, sendo que, ao fim da instrução, o réu é absolvido, por falta de
materialidade, dada a nulidade do laudo definitivo, exarado sem assinatura do perito.
Acerca do caso listado, assinale a alternativa correta.
Em relação ao inquérito policial e à investigação criminal, inclusive observando a orientação
do Supremo Tribunal Federal nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade ajuizadas para
questionar alterações no Código de Processo Penal pelo Pacote Anticrime (ADIs 6298, 6299, 6300
e 6305), assinale a alternativa correta.
Com base na Lei n.º 9.296/1996, que dispõe acerca da interceptação telefônica, e nas alterações introduzidas pela Lei Anticrime (Lei n.º 13.964/2019) no Código de Processo Penal, julgue o item subsequente.
O juiz das garantias é responsável pelo controle da
legalidade da investigação criminal e pela salvaguarda dos
direitos individuais cuja franquia tenha sido reservada à
autorização prévia do Poder Judiciário, competindo-lhe,
inclusive, determinar o trancamento do inquérito policial
quando não houver fundamento razoável para sua
instauração ou seu prosseguimento.
O Código de Processo Penal Brasileiro
prevê a competência do juiz das garantias,
bem como a transição de competência para o
juiz da instrução e julgamento.
Considerando a afirmativa, assinale a
alternativa correta:
Sobre o Juiz das Garantias e o entendimento do STF no julgamento de ações diretas de inconstitucionalidade, julgue o item a seguir.
As normas relativas ao juiz das garantias não se aplicam às seguintes situações: processos de competência originária dos
tribunais; processos de competência do tribunal do júri; casos de violência doméstica e familiar; e, infrações penais de menor
potencial ofensivo.
Mário, advogado criminalista, passou a estudar, nas nuances, as inovações trazidas à baila pela Lei nº 13.964/2019, em especial a implementação do instituto do juiz das garantias, em razão do potencial impacto no exercício de suas funções. Registre-se que o escritório de Mário atua em quatro diferentes áreas, quais sejam:
i. processos de competência do Tribunal do Júri;
ii. casos de violência doméstica e familiar;
iii. crimes previstos na Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas); e
iv. processos de competência originária dos Tribunais.
Nesse cenário, considerando o entendimento do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que Mário deverá observar as normas relativas ao juiz das garantias na(s) seguinte(s) área(s) de atuação do seu escritório de advocacia:
Contidas nas Disposições Preliminares do CPP
(Decreto-Lei Federal nº 3.689/42), temos que o processo
penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do
juiz na fase de investigação e a substituição da atuação
probatória do órgão de acusação. O assunto é permeado
por discussões e fecha questão compatível como quatro
ações diretas de inconstitucionalidade em andamento do
STF. Assim, o juiz das garantias surgiu como o
responsável pelo controle da legalidade da investigação
criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais, cuja
franquia tenha sido reservada à autorização prévia do
Poder Judiciário, competindo-lhe especialmente: