Leia o fragmento a seguir.
“Não havia como negar – o bebê era sua cara – e,
pressionado pelas duas famílias, assumiu: assim, aos
catorze anos era pai. Difícil, muito difícil: cidade pequena,
no começo do século, gente conservadora olhando-o feio
na rua. Pior: pouco depois de dar à luz, a namorada,
menina triste, recusou-se a ver o bebê; perturbada, acabou
sumindo e nunca mais foi vista. Anos depois, correu a
história de que havia morrido num hospício.
Ele teve, pois, de enfrentar sozinho a paternidade.
Mas estava decidido, tão decidido quanto poderia estar
um rapaz de sua pouca idade. Ajudado – não sem
relutância – pelos pais, pessoas muito religiosas e
responsáveis, dedicou-se por inteiro à tarefa. [...]”
SCLIAR, Moacyr. Pai e filho, filho e pai. In: Pai e filho, filho e pai e outros
contos escolhidos. Porto Alegre: LP&M, 2010. p. 81-83.
A expressão “não sem relutância” presente nesse
fragmento significa que houve, por parte do adolescente
e/ou de seus pais, certo(a):