O aprofundamento de estudos culturais, principalmente
no diálogo da História com a Antropologia, tem contribuído para um debate sobre os conceitos de cultura e de
civilização. Alguns historiadores rejeitam o conceito de
civilização [...].
(Parâmetros Curriculares Nacionais. Vol. História.)
Essa rejeição
A decorre dos descuidos constantes dos historiadores
sociais das últimas décadas, pouco atentos à necessidade de leituras mais abrangentes sobre os povos
sem Estado e sem economia de mercado, ao não
tratarem das temáticas econômico-políticas e das
distintas formas de organização familiar.
B deriva da percepção de que o conceito está carregado de uma perspectiva evolucionista e pouco crítica
em relação aos avanços e domínios tecnológicos, o
que tende a produzir a concepção de etapas sucessivas em direção a uma cultura superior antecedida
por períodos de selvageria e barbárie.
C implica em tratar dos notáveis avanços produzidos
a partir da década de 1980 pela geração dos historiadores, que compreendeu que as ferramentas
teóricas oferecidas pelas outras ciências humanas
são insuficientes para construir análises críticas ou
conceituais consistentes e duradouras.
D resulta de um duplo processo, constituído pelos
avanços do saber antropológico, hoje com mais capacidade em reconhecer culturas superiores e inferiores, e pelos graves equívocos na ciência histórica,
que atribuía aos povos primitivos as condições de
terem uma história e não apenas uma etnografia.
E pressupõe que tal conceito foi concebido em meio a
uma geração de historiadores e cientistas humanos
em geral, filiados ao materialismo histórico, que não
compreendia a dimensão cultural de povos organizados para a produção de pequenos excedentes de
mercadorias, mas sem qualquer Estado organizado.