No Realismo ficcional, a mente cientificista também é
responsável pelo esvaziar-se do êxtase que a paisagem suscitava nos
escritores românticos. O que se entende pela preferência dada agora
aos ambientes urbanos e, em nível mais profundo, pela não
identificação do escritor realista com aquela vida e aquela natureza
transformadas pelo positivismo em complexos de normas e fatos
indiferentes à alma humana.
O determinismo reflete-se na perspectiva em que se
movem os narradores ao trabalhar as suas personagens. A pretensa
neutralidade não chega ao ponto de ocultar o fato de que o autor
carrega sempre de tons sombrios o destino das suas criaturas.
Atente-se, nos romances desse período, para a galeria de seres
distorcidos ou acachapados pelo Fatum.
Alfredo Bosi. História concisa da literatura brasileira.
São Paulo: Cultrix, 2004, p. 172-3 (com adaptações).