I. Não existe um motivo etnográfico para que aos brasileiros
viesse a caber toda a doçura, todo o mel de que a
humanidade dispõe para abrandar as índoles das raças.
Acreditamos, bem ao contrário, que o brasileiro, por sua falta
de completa integração étnica, por sua falta de cultura forte e
grandemente espalhada, por sua falta de tradições que lhe
tivessem, no caminho da história, preparado uma feição
própria, original, firme, segura, é, como povo, descontadas
algumas qualidades dignas que possui, um dos mais
indisciplinados e anárquicos do mundo.
Romero, Sílvio. Realidades e ilusões no Brasil: parlamentarismo e
presidencialismo e outros ensaios. Petrópolis, Vozes, p.90.91.
II. A miscigenação: uma miscigenação logo socialmente
democratizante de relações sob outro aspecto reguladas por
uma estrutura nitidamente hierarquizante. No jogo entre
esses contrários pode-se hoje observar, sob perspectiva
histórica que a miscigenação socialmente democratizante
vem se constituindo em expressão característica de um modo
nacional do brasileiro ser brasileiro.
Freyre, Gilberto. Homens, engenharias e rumos sociais. Rio de Janeiro, Record,
1987, p.95.
Com base nos trechos, a respeito das interpretações sobre o
processo de conformação da identidade nacional, avalie se as
afirmativas a seguir são verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) Em I, a configuração da identidade nacional é interpretada
como decorrente da desunião dos grupos sociais e de seu
caráter desobediente; ao passo que em II, a interação entre
os grupos formadores do Brasil é percebida como elemento
constitutivo da identidade nacional.
( ) Em I, o processo de miscigenação é compreendido como
inerente à história colonial que estruturou a noção de
identidade brasileira; enquanto em II, é percebido como
específico do contexto democrático contemporâneo.
( ) Em ambos, o processo é compreendido pela ausência de
conformidade, interpretando que a singularidade brasileira se
manifesta em sua desintegração.
As afirmativas são, respectivamente,