“Mas não medimos os tempos que passam, quando os
medimos pela sensibilidade. Quem pode medir os tempos
passados que já não existem ou os futuros que ainda não
chegaram? Só se alguém se atrever a dizer que pode medir o
que não existe! Quando está decorrendo o tempo, pode
percebê-lo e medi-lo. Quando, porém, já estiver decorrido,
não o pode perceber nem medir, porque esse tempo já não
existe”.
Santo Agostinho. Confissões.
O tempo físico e o tempo psicológico se diferenciam na
medida em que o primeiro se firma na objetividade e o
segundo, na subjetividade. De acordo com os argumentos de
Santo Agostinho, pode-se dizer que, no romance Angústia, de
Graciliano Ramos, a passagem que melhor exprime a duração
interior é: