“(...) Na primeira metade do século XX, as disciplinas Desenho, Trabalhos Manuais, Música e Canto
Orfeônico faziam parte dos programas das escolas primárias e secundárias, concentrando o
conhecimento na transmissão de padrões e modelos das culturas predominantes. Na escola tradicional,
valorizavam-se principalmente as habilidades manuais, os “dons artísticos”, os hábitos de organização
e precisão, mostrando ao mesmo tempo uma visão utilitarista e imediatista da arte. Os professores
trabalhavam com exercícios e modelos convencionais selecionados por eles em manuais e livros
didáticos. O ensino de Arte era voltado essencialmente para o domínio técnico, mais centrado na figura
do professor; competia a ele “transmitir” aos alunos os códigos, conceitos e categorias, ligados a
padrões estéticos que variavam de linguagem para linguagem mas que tinham em comum, sempre, a
reprodução de modelos. A disciplina Desenho, apresentada sob a forma de Desenho Geométrico,
Desenho do Natural e Desenho Pedagógico, era considerada mais por seu aspecto funcional do que
uma experiência em arte; ou seja, todas as orientações e conhecimentos visavam uma aplicação
imediata e a qualificação para o trabalho. As atividades de teatro e dança somente eram reconhecidas
quando faziam parte das festividades escolares na celebração de datas como Natal, Páscoa ou
Independência, ou nas festas de final de período escolar. O teatro era tratado com uma única finalidade:
a da apresentação. As crianças decoravam os textos e os movimentos cênicos eram marcados com
rigor. Em Música, a tendência tradicionalista teve seu representante máximo no Canto Orfeônico,
projeto preparado pelo compositor Heitor Villa-Lobos, na década de 30. Esse projeto constitui
referência importante por ter pretendido levar a linguagem musical de maneira consistente e sistemática
a todo o País. O Canto Orfeônico difundia ideias de coletividade e civismo, princípios condizentes com
o momento político de então. Entre outras questões, o projeto Villa-Lobos esbarrou em dificuldades
práticas na orientação de professores e acabou transformando a aula de música numa teoria musical
baseada nos aspectos matemáticos e visuais do código musical com a memorização de peças
orfeônicas, que, refletindo a época, eram de caráter folclórico, cívico e de exaltação. (...)”.
Ministério da Educação, Parâmetros Curriculares Nacionais. Arte/ Secretaria de Educação Fundamental - Brasília:
MEC/SEF, 1997
Ao recuperar, mesmo que brevemente, a história do ensino de Arte no Brasil, pode-se observar a
integração de diferentes orientações quanto às suas finalidades, à formação e atuação dos professores,
mas, principalmente, quanto às políticas educacionais e os enfoques filosóficos, pedagógicos e
estéticos.
Analise as afirmações a seguir:
I - O Canto Orfeônico foi substituído pela Educação Musical, criada pela Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Brasileira de 1961, vigorando efetivamente a partir de meados da década de 60.
II - As práticas pedagógicas com ênfase nos processos de desenvolvimento do aluno e sua criação
devem ser redimensionadas, deslocando-se a ênfase para a repetição de modelos e para professor.
III - Com a Educação Musical, incorporaram-se nas escolas também os novos métodos que estavam
sendo disseminados na Europa. Contrapondo-se ao Canto Orfeônico, passa a existir no ensino de
música um outro enfoque, quando a música pode ser sentida, tocada, dançada, além de cantada.
IV - Foi marcante para a caracterização de um pensamento modernista a “Semana de Arte Moderna de
São Paulo”, em 1922, na qual estiveram envolvidos artistas de várias modalidades: artes plásticas,
música, poesia, dança, etc.
Na perspectiva dos Parâmetros Curriculares Nacionais pode-se afirmar que estão corretas as opções: