O épico
O gênero épico é provavelmente a mais antiga das
manifestações literárias. Surgiu quando os homens
primitivos sentiram a necessidade de relatar suas
experiências, centradas na dura batalha pela sobrevivência
em um mundo caótico, hostil e ameaçador. Pode-se
imaginar os demais membros da tribo, em torno de uma
roda de fogo, ouvindo esses narradores, que talvez mais
gesticulassem e emitissem grunhidos do que articulassem
verbalmente as suas histórias. Pode-se conceber também
que alguns desses ancestrais dos grandes escritores
tivessem maior capacidade para contar suas aventuras do
que seus companheiros. Talvez selecionassem melhor os
fatos interessantes, concatenassem de maneira mais
ordenada os acontecimentos ou conseguissem descrever
com maior realismo os animais ferozes que haviam caçado.
É possível também que — em função da resposta do
auditório — esses contadores primitivos de histórias
acabassem aumentando o número e a intensidade de suas
façanhas. É de supor, por fim, que, em busca do aplauso do
clã, eles não se restringissem apenas às situações vividas,
mas acrescentassem pormenores inexistentes e inventassem
ações heroicas. Ou seja, é bem provável que produzissem
ficção. Estava nascendo o gênero épico, a narrativa.
Sergius Gonzaga — Curso de Literatura Brasileira. Adaptado.