Por trás da barulheira e da agitação com as obras de reformulação da capital estava a rotina de um país que substituíra o açúcar
pelo café na pauta de exportação, que deixara de ter escravos para ter ex-escravos, imigrantes e trabalhadores nacionais trabalhando no pesado e onde os barões do Império viraram ministros da República. Por trás do discurso do progresso estava a
preocupação com a ordem, uma ordem que excluía a muitos da cidadania plena e que hierarquizava a sociedade como um
todo. Nos sertões, outra forma de sonho de uma ordem diferente se esboçava: alguns, cansados da vida dura que levavam no
campo, tentaram construir um mundo à parte, fora da ordem que os excluía, um espaço onde as normas e a disciplina fossem
de outra natureza. Para construir essa outra sociedade, levavam o que possuíam: sua gente, sua religiosidade, certamente
diversa da doutrina oficial da Igreja católica, e sua fé na promessa de que a terra – ao menos aquela terra em que pisavam –
seria, enfim, uma terra deles.
(NEVES, 1991. p. 67, 79-80.)
O contexto descrito no texto anterior refere-se, especificamente, a: