Sempre que, na infância, eu tentava levar as pessoas ao meu
redor a fazer as coisas de outra maneira, a olhar o mundo de outra
forma, usando a teoria como intervenção, como meio de desafiar o
status quo, eu era castigada. Lembro-me de, ainda muito nova,
tentar explicar à Mamãe por que parecia altamente injusto que o
Papai, homem que quase não falava comigo, tivesse o direito de me
disciplinar [...]. A resposta dela foi dizer que eu estava perdendo o
juízo e precisava ser castigada com mais frequência. [...]
A teoria não é intrinsicamente curativa, libertadora e
revolucionária. Só cumpre essa função quando lhe pedimos que o
faça e dirigimos nossa teorização para esse fim.
BELL, Hooks. Ensinando a transgredir: a educação como prática de liberdade. São
Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2017.
Como um(a) professor(a) de História pode utilizar a análise feita
pela autora no processo de ensino-aprendizagem?