Ícone Questionei
QuestõesDisciplinasBancasDashboardSimuladosCadernoRaio-XBlog
Logo Questionei

Links Úteis

  • Início
  • Questões
  • Disciplinas
  • Simulados

Legal

  • Termos de Uso
  • Termos de Adesão
  • Política de Privacidade

Disciplinas

  • Matemática
  • Informática
  • Português
  • Raciocínio Lógico
  • Direito Administrativo

Bancas

  • FGV
  • CESPE
  • VUNESP
  • FCC
  • CESGRANRIO

© 2026 Questionei. Todos os direitos reservados.

Feito com ❤️ para educação

/
/
/
/
/
/
  1. Início/
  2. Questões/
  3. Língua Portuguesa/
  4. Questão 457941200182793

“À procura de tudo o que os outros deixassem cair inadvertidamente, uma moeda, uma conta de colar, um botão de madrepéro...

1

457941200182793
Ano: 2023Banca: Instituto ConsulplanOrganização: CORE-ESDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Advérbios | Morfologia
Texto associado

LÍNGUA PORTUGUESA


De muito procurar


     Aquele homem caminhava sempre de cabeça baixa. Por tristeza, não. Por atenção. Era um homem à procura. À procura de tudo o que os outros deixassem cair inadvertidamente, uma moeda, uma conta de colar, um botão de madrepérola, uma chave, a fivela de um sapato, um brinco frouxo, um anel largo demais. 

    Recolhia, e ia pondo nos bolsos. Tão fundos e pesados, que pareciam ancorá-los à terra. Tão inchados, que davam contornos de gordo à sua magra silhueta. 

    Silencioso e discreto, sem nunca encarar quem quer que fosse, os olhos sempre voltados para o chão, o homem passava pelas ruas desapercebido, como se invisível. Cruzasse duas ou três vezes diante da padaria, não se lembraria o padeiro de tê- -lo visto, nem lhe endereçaria a palavra. Sequer ladravam os cães, quando se aproximava das casas.

   Mas aquele homem que não era visto, via longe. Entre as pedras do calçamento, as rodas das carroças, os cascos dos cavalos e os pés das pessoas que passavam indiferentes, ele era capaz de catar dois elos de uma correntinha partida, sorrindo secreto como se tivesse colhido uma fruta. 

    À noite, no cômodo que era toda a sua moradia, revirava os bolsos sobre a mesa e, debruçado sobre seu tesouro espalhado, colhia com a ponta dos dedos uma ou outra mínima coisa, para que à luz da vela ganhasse brilho e vida. Com isso, fazia-se companhia. E a cabeça só se punha para trás quando, afinal, a deitava no travesseiro. 

    Estava justamente deitando-se, na noite em que bateram à porta. Acendeu a vela. Era um moço.

   Teria por acaso encontrado a sua chave? perguntou. Morava sozinho, não podia voltar para a casa sem ela.

    Eu... esquivou-se o homem. O senhor, sim, insistiu o moço acrescentando que ele próprio já havia vasculhado as ruas inutilmente.

    Mas quem disse... resmungou o homem, segurando a porta com o pé para impedir a entrada do outro.

    Foi a velha da esquina que se faz de cega, insistiu o jovem sem empurrar, diz que o senhor enxerga por dois.

    O homem abriu a porta.

  Entraram. Chaves havia muitas sobre a mesa. Mas não era nenhuma daquelas. O homem então meteu as mãos nos bolsos, remexeu, tirou uma pedrinha vermelha, um prego, três chaves. Eram parecidas, o moço levou as três, devolveria as duas que não fossem suas.

   Passados dias bateram à porta. O homem abriu, pensando que fosse o moço. Era uma senhora.

     Um moço me disse... começou ela. Havia perdido o botão de prata da gola e o moço lhe havia garantido que o homem saberia encontrá-lo. Devolveu as duas chaves do outro. Saiu levando seu botão na palma da mão. 

     Bateram à porta várias vezes nos dias que se seguiram. 

    Pouco a pouco espalhava-se a fama do homem. Pouco a pouco esvaziava-se a mesa dos seus haveres.

   Soprava um vento quente, giravam folhas no ar, naquele fim de tarde, nem bem outono, em que a mulher veio. Não bateu à porta, encontrou-a aberta. Na soleira, o homem rastreava as juntas dos paralelepípedos. Seu olhar esbarrou na ponta delicada do sapato, na barra da saia. E manteve-se baixo.

    Perdi o juízo, murmurou ela com voz abafada, por favor, me ajude. 

    Assim, pela primeira vez, o homem passou a procurar alguma coisa que não sabia como fosse. E para reconhecê-la, caso desse com ela, levava consigo a mulher.

    Saíam com a primeira luz. Ele trancando a porta, ela já a esperá-lo na rua. E sem levantar a cabeça – não fosse passar inadvertidamente pelo juízo perdido – o homem começava a percorrer rua após rua. 

    Mas a mulher não estava afeita a abaixar a cabeça. E andando, o homem percebia de repente que os passos dela já não batiam ao seu lado, que seu som se afastava em outra direção. Então parava, e sem erguer o olhar, deixava-se guiar pelo taque-taque dos saltos, até encontrar à sua frente a ponta delicada dos sapatos e recomeçar, junto deles, a busca.


(COLASANTI, Marina. Histórias de um viajante. São Paulo: Global,
2005.)

“À procura de tudo o que os outros deixassem cair inadvertidamente, uma moeda, uma conta de colar, um botão de madrepérola, uma chave, a fivela de um sapato, um brinco frouxo, um anel largo demais.” (1º§) De acordo com o aspecto semântico, a única expressão em destaque que denota a mesma circunstância do advérbio no excerto em análise é:
Gabarito comentado
Anotações
Marcar para revisão

Acelere sua aprovação com o Premium

  • Gabaritos comentados ilimitados
  • Caderno de erros inteligente
  • Raio-X da banca
Conhecer Premium

Questões relacionadas para praticar

Questão 457941200320954Língua Portuguesa

Considere as relações estabelecidas pelas palavras e expressões destacadas no trecho a seguir: “É possível resumir a Inteligência Artificial a um camp...

#Sintaxe#Termos Integrantes da Oração
Questão 457941200348569Língua Portuguesa

É correto afirmar que, ao descrever no segundo parágrafo suas experiências e expectativas relacionadas à leitura da história de Aladim, a autora faz r...

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941200887700Língua Portuguesa

Considerando que o caráter narrativo do texto pode ser identificado através de sua estrutura, é possível inferir que:

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941200949383Língua Portuguesa

A opinião do narrador pode ser definida por uma figura retórica por si só: a adjetivação. Tal característica pode ser representada através do seguinte...

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941201214348Língua Portuguesa

“A tua caçamba, homem do apartamento, pode estar perfeita e brilhante; [...]” (7º§) Os antônimos das expressões destacadas, nessa frase, são, respecti...

#Paralelismo Estrutural#Análise Textual
Questão 457941201650353Língua Portuguesa

O termo “época”, presente no segundo parágrafo do texto, foi acentuado pelo mesmo motivo que o vocábulo:

#Ortografia#Acentuação Gráfica: Tipos de Palavras
Questão 457941201710942Língua Portuguesa

O recurso escolhido para iniciar o texto tem como objetivo principal:

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941201775395Língua Portuguesa

“Cara, não fica chateado, mas é a quinta pessoa que me liga nessa semana me pedindo, [...]” O termo destacado explicita uma relação de sentido de:

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Sintática#Análise Textual#Sintaxe
Questão 457941201841591Língua Portuguesa

“Minha condição humana me fascina.” (1º§) Após esta afirmação, o autor:

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941201929754Língua Portuguesa

No fragmento “No almoço, viu-a fazer umas tapiocas de goma, bem grossas, molhadas no leite de coco, [...]” (2º§), o termo “-a” estabelece uma ligação ...

#Análise Textual#Estrutura Textual

Continue estudando

Mais questões de Língua PortuguesaQuestões sobre AdvérbiosQuestões do Instituto Consulplan