Ícone Questionei
QuestõesDisciplinasBancasDashboardSimuladosCadernoRaio-XBlog
Logo Questionei

Links Úteis

  • Início
  • Questões
  • Disciplinas
  • Simulados

Legal

  • Termos de Uso
  • Termos de Adesão
  • Política de Privacidade

Disciplinas

  • Matemática
  • Informática
  • Português
  • Raciocínio Lógico
  • Direito Administrativo

Bancas

  • FGV
  • CESPE
  • VUNESP
  • FCC
  • CESGRANRIO

© 2026 Questionei. Todos os direitos reservados.

Feito com ❤️ para educação

/
/
/
/
/
/
  1. Início/
  2. Questões/
  3. Língua Portuguesa/
  4. Questão 457941200195534

Nos trechos “Quase um terço dos alunos passava por isso ocasionalmente” (linhas 13 e 14) e “O que acontece no bullying (...

1

457941200195534
Ano: 2018Banca: CEPS-UFPAOrganização: UNIFESSPADisciplina: Língua PortuguesaTemas: Análise Textual
Texto associado

Cachorro encurralado não salta



1 Com certeza você já ouviu gente reclamar que os estudantes de hoje são muito mimados, desfiando

2 frases como “No meu tempo, a gente podia zoar os amigos. Hoje tudo é bullying”. É assim mesmo: desde

3 a Idade da Pedra toda geração acha que seus descendentes pioraram. Consigo imaginar um neandertal

4 grunhindo: “Esses moleques de hoje não aguentam mais nada. No meu tempo, a gente não tinha fogueira

5 quentinha. Não havia essa história de bater pedrinha uma na outra – tinha que andar na floresta até achar

6 uma árvore atingida por um raio. Desse jeito, daqui a pouco nem pelo a humanidade vai ter”.

7 Todo termo que ganha popularidade perde seu significado original, e isso pode muito bem ter

8 acontecido com o bullying. Sim, não é toda zoeira que é bullying. Mas se nem toda brincadeira pode ser

9 condenada, isso não faz com que o bullying não exista. Existe, e há bastante tempo.

10 Em 1958, os britânicos resolveram acompanhar o desenvolvimento de todas as crianças nascidas

11 numa determinada semana daquele ano. Reuniram, assim, dados sobre quase 18 mil bebês, e passaram

12 a avaliá-los de tempos em tempos durante 50 anos. Descobriram que, já na década de 1960, era alta a

13 incidência de violência na escola – coisas mais graves do que uma piada ou brincadeira. Quase um terço

14 dos alunos passava por isso ocasionalmente, e 15% com frequência. É o povo da geração que diz: “Na

15 minha época, não existia esse negócio de bullying”. Imagina se existisse. Não é surpresa para ninguém

16 que, na vida adulta, as pessoas que passaram por tais problemas têm pior qualidade de vida e muito mais

17 chance de desenvolver depressão, por exemplo. O dobro de chance, para ser preciso.

18 Mais ou menos na mesma época, nos anos 1960, do outro lado do Atlântico, um pesquisador

19 chamado Martin Seligman, interessado nos mecanismos que levam à depressão, criava um experimento

20 que se tornaria clássico. Ele e seus colegas reuniram um grupo de cães e os colocaram em três tipos de

21 gaiolas diferentes. O grupo 1 ficava lá por um tempo e, depois, era retirado. A gaiola do grupo 2 tinha o

22 chão eletrificado, para dar choques inesperados. Contudo, diante dos cães havia uma alavanca que parava

23 os choques. E o desafortunado grupo 3 também estava num chão eletrificado, mas ele era pareado com a

24 gaiola do grupo 2. Ou seja, os cães deste grupo não tinham como parar os próprios choques. Eles recebiam

25 a mesma intensidade que seus parceiros do grupo 2 (pois, quando esses desligavam a eletricidade, todos

26 os choques cessavam), mas, como não sabiam dessa artimanha da alavanca, para eles tanto o início

27 quanto o fim pareciam aleatórios.

28 Uma vez condicionados dessa maneira, os cachorros foram transferidos para outra gaiola, dividida

29 em duas partes – um lado com chão eletrificado e outro não. Os dois lados eram separados por uma

30 barreira baixa; quando os cães dos grupos 1 e 2 eram colocados ali, rapidamente aprendiam a pular de

31 um lado para o outro para escapar dos choques. A maioria dos cães do grupo 3, por sua vez, nem pensava

32 em saltar. Haviam aprendido que não havia esperança, afinal. Seligman cunhou, então, o termo learned

33 helplessness, ou desamparo aprendido.

34 O que acontece no bullying (de verdade) é parecido com isso. As crianças sentem-se totalmente

35 cercadas, submetidas a situações muito hostis – que lhes parecem inevitáveis –, e com o tempo

36 desenvolvem a mesma sensação de desamparo. Para elas, é impossível fazer qualquer coisa para cessar

37 aquele sofrimento. Não é de estranhar que se tornem adultos deprimidos.

38 Se a história nos ensinou algo, é que há coisas que não aprendemos com a história. Não acho que

39 algum dia as gerações mais velhas deixarão de criticar as mais novas. Até aí, tudo bem. Mas, pelo menos

40 no que se refere ao bullying, não devemos menosprezar as queixas da garotada.


Daniel Barros – Revista Galileu, edição 319, fev. 2018.

Nos trechos “Quase um terço dos alunos passava por isso ocasionalmente” (linhas 13 e 14) e “O que acontece no bullying (de verdade) é parecido com isso” (linha 34), o pronome isso se refere, respectivamente, a


Gabarito comentado
Anotações
Marcar para revisão

Acelere sua aprovação com o Premium

  • Gabaritos comentados ilimitados
  • Caderno de erros inteligente
  • Raio-X da banca
Conhecer Premium

Questões relacionadas para praticar

Questão 457941200099427Língua Portuguesa

O texto de Igor Natusch aborda a “reencarnação” sem, contudo, se comprometer com a sua existência. Verifica-se esse fato em trechos como

#Análise Textual
Questão 457941200121838Língua Portuguesa

No trecho: "Já a desinformação, de acordo com o professor, trata-se de um ambiente comunicacional hostil à informação.", o uso do acento grave é obrig...

#Uso da Crase#Regras de Crase
Questão 457941200386620Língua Portuguesa

Há quem acredite que, para comprovar cientificamente a existência da reencarnação, a ciência precisaria

#Análise Textual
Questão 457941201031665Língua Portuguesa

“Saltei num instante para cima da laje que pesava sobre meu corpo, meus olhos de início foram de espanto, redondos e parados, olhos de lagarto que aba...

#Análise Textual#Desvios Linguísticos
Questão 457941201095696Língua Portuguesa

“A crase não foi feita para humilhar ninguém”(Ferreira Gullar, 2011, em artigo no jornal Folha de S. Paulo).Quanto ao uso da crase, marque a frase cor...

#Uso da Crase
Questão 457941201418856Língua Portuguesa

As aspas, presentes em algumas partes do texto (linhas 2, 4 a 6 e 14 e 15), foram empregadas para

#Análise Textual
Questão 457941201469990Língua Portuguesa

No trecho "o tempo destinado ao descanso, ao lazer, à educação e à convivência familiar e social", o uso da crase está relacionado à regência do termo...

#Regência Verbal e Nominal#Regras de Crase#Sintaxe#Uso da Crase
Questão 457941201557980Língua Portuguesa

Considerando novamente o trecho "Já a desinformação, de acordo com o professor, trata-se de um ambiente comunicacional hostil à informação”, o termo q...

#Semântica Contextual#Uso dos Conectivos#Análise Textual#Sintaxe
Questão 457941201616164Língua Portuguesa

A importância do experimento criado por Martin Seligman se deve ao fato de

#Análise Textual
Questão 457941201789596Língua Portuguesa

“Minha mulher e eu temos o segredo para fazer um casamento durar. Duas vezes por semana, vamos a um ótimo restaurante, com uma comida gostosa, uma boa...

#Tipos Textuais#Análise Textual

Continue estudando

Mais questões de Língua PortuguesaQuestões sobre Análise TextualQuestões do CEPS-UFPA