Os exemplos de textos jornalísticos foram apresentados
numa unidade temática sobre drogas num supletivo básico
(equivalente às 1a
e 2a
séries) para adultos. Em consequência
da pouca familiaridade dos alunos com a escrita em cursos
desse tipo, em que a maioria são adultos que voltam à escola
depois de ter passado uns poucos meses na escola quando
crianças, é necessário, primeiro, explorar com os alunos os
acordos tácitos anteriores à leitura do jornal, entre jornalista
e leitor.
Em primeiro lugar, o texto jornalístico deve ser aceito
como fonte de informações pertinentes e de novidades, quer
dizer, preenchendo funções que, nas culturas não letradas,
são preenchidas, primordialmente, pelos membros da família e pela comunidade imediata, oralmente. Em segundo
lugar, é preciso deixar claro para o aluno a ampla variedade
de informações e notícias que um jornal da imprensa séria,
de circulação nacional traz, o que implica uma maneira seletiva de procura de textos interessantes, mediante a leitura
da manchete e do resumo destacado na primeira página, ou
na seção pertinente ao assunto tratado.
A familiarização com a forma do jornal e do texto jornalístico poderia ser, de fato, um dos primeiros objetivos da aula e,
nesse caso, poder-se-ia focalizar a relação entre a manchete, o resumo ou chamada e o texto propriamente dito dentro
do jornal. Ligada também à leitura do jornal está a maneira
de abordar a leitura do jornal para aquilo que nos interessa. Poder-se-ia, então, demonstrar para o aluno a função da
manchete em relação ao relato da notícia, bem como a leitura tipo sondagem (também conhecida por seu nome inglês,
“scanning”), assim, efetivamente, demonstrando a relação
existente entre objetivo de leitura e estratégias de abordar o
texto, de ler
De acordo com Angela Kleiman (Oficina de leitura: teoria
& prática, 2017), relaciona-se a uma estratégia cognitiva
da leitura o fato de