A respeito da criação das Escolas de Aprendizes Artífices, em 1909, e
do contexto da época, analisado por Luiz Antônio Cunha (2000) no
artigo “O ensino industrial - manufaturas no Brasil”, é correto afirmar
que
A a instalação das escolas de aprendizes artífices seguiu a distribuição do processo de industrialização, tendo sido criadas proporcionalmente em cada estado, conforme a necessidade de formação de
mão de obra requerida em cada unidade da federação, mostrando
preocupações mais econômicas do que políticas.
B as escolas de aprendizes artífices foram criadas num contexto de
convergência de uma ideologia conservadora, da moralização por
meio do trabalho e da educação para o trabalho, e de uma ideologia progressista, que consistia na atribuição à indústria de valores
como progresso, emancipação econômica, independência política,
democracia e civilização.
C as escolas de aprendizes artífices formaram, décadas depois, todo
um sistema escolar, pois passaram a se submeter a uma legislação
específica que as distinguia das demais instituições de ensino profissional mantidas por particulares, por governos estaduais, diferenciando-se até mesmo de instituições mantidas pelo próprio governo
federal.
D o ensino profissional era entendido pelos industrialistas como um
poderoso instrumento para a solução da questão social; por isso,
diante da intensificação dos conflitos sociais, os industrialistas brasileiros diziam que o Estado deveria suspender a oferta de ensino
obrigatório, antes de instituir leis sociais.
E
a tradução da ideologia conservadora em medidas de política educacional esteve ligada à atuação decisiva de Nilo Peçanha, que, como
presidente do Estado do Rio de Janeiro, havia baixado um decreto
criando, em 1906, cinco escolas profissionais – três para o ensino
manufatureiro e duas para o ensino agrícola.