Na ficção modernista paraense destaca-se o autor Dalcídio Jurandir, que surge como romancista em
1941, com Chove nos campos de Cachoeira . Esse romance iniciou o ciclo do Extremo Norte, composto
de 10 narrativas editadas entre 1941 e 1978.
Um projeto de letramento literário com alunos de ensino médio, abarcando o autor e sua obra, deve
considerar que
A ambos os romances, Chove nos campos de Cachoeira e Marajó , apresentam os mesmos núcleos
de personagens, tanto as principais, quanto as secundárias, o que direciona um trabalho não só
com a personagem de ficção, como também um trabalho comparativo entre os dois romances.
B o romance Marajó (1947) seguiu a proposta do romance da década de 1930 da literatura brasileira,
que trazia à tona os problemas sociais de uma região, copiando a técnica realista-naturalista do
século XIX, o que exigiria um trabalho comparativo com uma obra do Realismo-Naturalismo.
C os romances Chove nos campos de Cachoeira , Marajó e Belém do Grão-Pará estariam mais
adequados ao projeto, uma vez que, em comparação com os demais do ciclo, não apresentam
enredos tão fragmentados, o que permite melhor acesso aos alunos da educação básica.
D o romance Chove nos campos de Cachoeira traz a proposta modernista de trabalhar objetivamente
a linguagem, os costumes e é escrito em forma de manifesto, o que exigiria um trabalho com os
manifestos do modernismo, principalmente o Manifesto da Poesia Pau-Brasil, de Oswald de
Andrade.
E tanto Chove nos campos de Cachoeira quanto Marajó estabelecem linhagem com o regionalismo,
que suplanta os dramas humanos em função da paisagem. Isso direcionaria o trabalho para
estudos geográficos e sociológicos, uma vez que, entendendo a região, o aluno entenderia melhor
as obras.