A exposição superficial das teorias do Estruturalismo e
do Gerativismo-Transformacional pode dar ao professor a
impressão de que, ao ensinar as regras de uma variedade
dialetal da língua materna, ele deverá, forçosamente, optar
pela teoria que lhe parece, à primeira vista, a mais válida. É
preciso atentar, porém, para o fato de que ao professor,
enquanto tal, não cabe a tarefa de testar uma ou outra
teoria, fazendo valer aquela com que mais simpatiza. Ele
deve, sim, lançar mão de técnicas que possibilitem o
aprendizado de habilidades linguísticas por seus alunos,
desenvolvendo sua competência comunicativa. Acrescentese, ainda, que nenhum modelo teórico forneceu uma
descrição completa ou suficientemente eficaz da língua para
subsidiar sozinho o ensino da Língua Portuguesa. Entretanto,
conforme o objetivo do professor em sala de aula ou
dependendo da habilidade linguística que se quer
desenvolver, poder-se-á utilizar uma ou mais técnicas,
sustentadas por modelos linguísticos diversos, antigos ou
mais recentes, e também por orientações da gramática
normativa, entendida como as regras sociais para o uso
adequado das diferentes variedades da língua. Isso faz com
que o uso da variedade culta ou padrão não seja a única
forma de boa linguagem, porque a boa linguagem é a que
permite a consecução de objetivos comunicacionais em uma
situação concreta e específica de interação comunicativa,
embora permaneça, pela importância sociocultural da
variedade culta e padrão, a necessidade de ensinar e
aprender essa variedade, até mesmo por razões de permitir
o mais fácil acesso à produção cultural de nossa sociedade,
registrada nessa variedade de língua.
(Fonte: Luiz Carlos Travaglia et al. — Adaptado.)