Texto associado Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
O cérebro e a idade
A partir de certo momento na vida, geralmente após o aniversário de 40 anos, a grande questão neurológica se resume a uma pergunta: onde diabos foram parar todos os nomes que esquecemos? No início, desaparece o nome de uma atriz famosa. Depois, some o nome dos filmesque ela fez. Mais adiante, você não consegue achar, no mar de neurônios, o nome do famoso marido dela, muito menos o do outro ator, manjadíssimo, com quem ela contracenou em seu trabalho mais célebre. Você percebe que foi derrotado pela memória no almoço de domingo em que, diante da cara divertida de seus filhos, você tenta explicar: “Aquele filme, com aquela atriz australiana, casada com aquele outro ator...”. Essa, você já sabe – ou vai descobrir dentro de algumas décadas –, é a parte chata de um cérebro que bateu na meia-idade. Ela vem junto com muitas piadas e uma dose elevada de ansiedade em relação ao futuro. O que você não sabe, mas vai descobrir agora, é que existe outro lado, inteiramente positivo, das transformações cerebrais que o tempo _______. “Conforme envelhecemos, o cérebro se reorganiza e passa a agir e pensar de maneira diferente. Essa reestruturação nos torna mais inteligentes, calmos e felizes”, diz a americana Barbara Strauch, autora de O melhor cérebro da sua vida. O livro, recém-lançado no Brasil, reúne argumentos que fazem a ideia de envelhecer – sobretudo do ponto de vista intelectual – bem menos assustadora do que costuma ser. Barbara, que é editora de saúde do jornal The New York Times, um dos mais influentes dos Estados Unidos, resolveu investigar o que estava acontecendo com seu cérebro. Aos 56 anos, estava cansada de passar pela vergonha de encontrar um conhecido, lembrar o que haviam comido na última vez em que jantaram juntos, mas não ter a mínima ideia de como se chamava o cidadão. Queria entender a razão por que se pegava parada em frente a um armário sem saber o que tinha ido buscar. Ela não entendia como o mesmo cérebro que lhe causava lapsos de memória tão evidentes decidira, nos últimos tempos, presenteá-la com habilidades de raciocínio igualmente surpreendentes. Ela sentia que, simplesmente, “sabia das coisas”, mas, ao mesmo tempo, se exasperava com a quantidade imensa de nomes e referências que pareciam estar sumindo na neblina da memória. Como pode ser? É provável que essa mesma pergunta já tenha passado pela cabeça de muitos que chegaram aos 40 anos rumo às fronteiras da meia-idade, um período cada vez mais dilatado, ................. podemos passar um tempo enorme de nossa existência. Com o aumento da expectativa de vida, a fase intermediária da vida (entre os 40 e os 68 anos) tornou-se uma espécie de apogeu. Nesses anos é possível aliar o vigor restante da juventude .......... sabedoria da velhice que se insinua – desde que se saiba identificar, e abraçar, as mudanças que acometem o cérebro maduro. Este já não é o mesmo que costumava ser, mas as mudanças o transformaram num instrumento melhor. A nova ciência do envelhecimento, retratada por Barbara em seu livro, conseguiu decifrar o caráter das mudanças por ________ dessas percepções aparentemente contraditórias. Ou seja, se alguns neurônios podem ser danificados pelo tempo, há outros – até mesmo regiões inteiras do cérebro – que passam a funcionar melhor. “O raciocínio complexo, usado para analisar uma situação e encontrar soluções, é aprimorado”, diz o psiquiatra americano Gary Small, diretor do Centro de Envelhecimento da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.
Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI245598-15257,00.html – texto especialmente adaptado para esta prova.
Assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas, nas seguintes afirmações sobre elementos do texto.
( ) “ela” (l. 04) refere-se à “atriz famosa” (l. 03).
( ) “Essa” (l. 09) e “Ela” (l. 10) referem-se à mesma coisa.
( ) “cidadão” (l. 22) refere-se a “conhecido” (l. 20).
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: