“(...) em direção ao termo grego aisthesis, que significa
justamente sensação ou sentimento, talvez nos seja dado
obter um dos primeiros sentidos de que se revestiu a
palavra estética; e isso, não por acaso, devido à
“inexatidão” mesma daquilo que ela conta veicular.
Implicando a confluência de impressões sensíveis
elementares, assim como de um sem-número de
delicados estados internos de prazer – ou desprazer -, a
apreciação estética não depende, para instaurar o campo
de suas representações, da clareza e da distinção do
objeto a que se refere.” (BARROS, 2010, p.11 e 12)
Leia as assertivas a seguir acerca da reflexão sobre
estética na arte:
I- Sobre a reflexão filosófica sobre a arte: refletir
significa, em rigor, separar, dividir, ou, para utilizar
um léxico condizente com a física, provocar o
retorno de um determinado feixe fazendo-o incidir
sobre uma superfície que o isola de um outro meio.
Para aquilo que nos importa, basta lembrar que tal
retorno equivale à volta do pensamento sobre si
mesmo, momento em que, ao separar os objetos de suas respectivas intuições, o ser humano põe-se em
contradição com o mundo exterior e dá, como dizia
Schelling, “o primeiro passo em direção à
filosofia”.
II- Sócrates pretende nos levar no diálogo Hípias
Maior, momento em que, a contrapelo do sofista,
torna operatória a distinção conceitual entre o Belo
e os exemplos distintos de beleza. Pavimentado por
um realismo imediato, o caminho trilhado pelo
Hípias consiste em assinalar, mediante exemplos,
diferentes candidatos à beleza: “Aquilo que é belo,
Sócrates, para falar com toda verdade, é uma bela
virgem” (PLATÃO, 1921, p.17). Ou ainda: “É com
todo direito que o próprio deus declara as éguas
belíssimas” (Id. ibid., p.17). Até mesmo um pote,
quando fabricado por um bom oleiro, teria que ser
reputado belo. Afinal: “Como denegar a beleza
àquilo que é belo? - Isso é impossível, Sócrates”
(Id. ibid., p.18). Mas, em vez de questionar a
pertinência ou não de cada representação
individual, Sócrates trata de inseri-las, por meio do
método interrogativo, numa visão de conjunto
segundo a qual a beleza “em si” não é evidente ao
homem do senso comum, fazendo intervir uma
reflexão que se instala noutro patamar.”
III- A presença objetiva da beleza seria atestada, apenas
pelo olho e não pela alma, única capaz de isolar o
que não pode ser mais isolado: aquilo pelo qual
todas as coisas são levadas a parecerem belas, seja
uma égua, uma virgem ou um belo pote.
Suprassensível em seu fundamento, a bela Forma
não estaria nem neste objeto nem naquele outro em
particular, mas naquilo que já não pode ser
considerado à parte depois de termos apartado tudo
o mais, enfim, na abstração mesma do que os
objetos têm de distintivo e singular.
Está(ão) CORRETO(S):