Mundo tem um bilhão de obesos
Mais de um bilhão de pessoas vivem com obesidade em
todo o mundo, mostram estimativas globais publicadas
pela revista científica The Lancet.
As taxas mais elevadas foram registradas em Tonga e
na Samoa Americana para as mulheres e na Samoa
Americana e Nauru para os homens.
A equipe internacional de cientistas afirma que há uma
necessidade urgente de grandes mudanças na forma
como a obesidade é combatida, pois ela aumenta o risco
de desenvolver muitos problemas de saúde graves,
incluindo doenças cardíacas, diabetes tipo dois e alguns
tipos de câncer.
"Em muitas dessas nações insulares, tudo se resume à
disponibilidade de alimentos saudáveis versus alimentos
não saudáveis", disse à BBC o pesquisador sênior Majid
Ezzati, professor da Imperial College London.
"Em alguns casos, houve campanhas de marketing
agressivas, promovendo alimentos não saudáveis,
enquanto o custo e a disponibilidade de alimentos mais
saudáveis tornaram-se problemáticos."
O professor Ezzati, que analisa dados globais há anos,
diz estar surpreso com a velocidade com que o quadro
mudou; há muitos países enfrentando agora uma crise
de obesidade, enquanto o número de lugares onde
pessoas estão abaixo do peso é considerado uma
preocupação.
O relatório constatou que a taxa de obesidade
quadruplicou entre crianças e adolescentes. Entretanto,
para os adultos, a taxa mais do que duplicou nas
mulheres e quase triplicou nos homens.
"Este novo estudo destaca a importância de prevenir e
controlar a obesidade desde o início da vida até a idade
adulta, por meio de dieta, atividade física e cuidados
adequados", afirmou o diretor-geral da Organização
Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom
Ghebreyesus.
Ele acrescentou que isso exige trabalho dos governos e
das comunidades e "requer de forma importante a
cooperação do setor privado, responsável pelos
impactos dos seus produtos na saúde".
Um dos autores do estudo, o doutor Guha Pradeepa,
afirma que os principais problemas globais correm o
risco de agravar a desnutrição causada pela obesidade e
pelo baixo peso.
"O impacto de questões como as mudanças climáticas,
as perturbações causadas pela pandemia e a guerra na
Ucrânia agravam as taxas de obesidade e de baixo
peso, aumentando a pobreza e o custo dos alimentos
ricos em nutrientes", disse.
"Os efeitos em cadeia são a alimentação insuficiente em alguns países e famílias, e a mudança para alimentos
menos saudáveis em outros."
A rede de pesquisadores analisou medidas de altura e
peso de cerca de duzentos e vinte milhões de pessoas
com cinco anos ou mais. Eles usaram uma medida
chamada índice de massa corporal, o IMC.
Embora reconheçam que esta é uma medida imperfeita
da extensão da gordura corporal e afirmem que alguns
países têm dados melhores do que outros, argumentam
que é a mais amplamente utilizada, tornando possível a
análise global.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/
c0v38dy8vygo.adaptado.