“O autor cede, pois, o lugar principal à escritura, ao texto, ou ainda, ao ‘escriptor’, que
não é jamais senão um ‘sujeito’ no sentido gramatical ou linguístico, um ser de papel, não uma ‘pessoa’
no sentido paleológico, mas o sujeito da enunciação que não preexiste à sua enunciação, mas se produz
com ela, aqui e agora. Donde se segue, ainda, que a escritura não pode ‘representar’, ‘pintar’
absolutamente nada anterior à sua enunciação, e que ela, tanto quanto a linguagem, não têm origem. [...]
o leitor, e não o autor, é o lugar onde a unidade do texto se produz, no seu destino, não na sua origem;
mas esse leitor não é mais pessoal que o autor recentemente demolido, e ele se identifica também a uma
função: ele é ‘esse alguém que mantém reunidos, num único campo, todos os traços de que é constituída
a escrita.’”
(Fonte: COMPAGNON, Antoine. O demônio da teoria: literatura e senso comum. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1999.)
Em matéria de teoria literária, a qual tema o excerto apresentado se refere?