Leia o texto a seguir para responder a questão.
O Paradoxo do Lucro e da Responsabilidade Social
Vivemos em um sistema no qual os números
financeiros falam mais alto que os RGs. Em empresas,
movidas pelo lucro, as decisões são pautadas por
balanços financeiros, não por histórias individuais. Os
resultados vêm antes das pessoas, e o CPF do
funcionário ou do cliente torna-se um detalhe
secundário diante das metas estabelecidas. O que
importa é o crescimento, a rentabilidade, a expansão.
No entanto, há um paradoxo. Apesar da frieza dos
números, muitas empresas investem em programas
sociais. Isso pode parecer contraditório, mas faz parte
de uma lógica bem definida: ao criar iniciativas voltadas
para a sociedade, a empresa melhora sua imagem e,
consequentemente, atrai mais consumidores e
investidores. O compromisso social, em muitos casos,
não é um ato de altruísmo puro, mas uma estratégia
bem calculada.
A ironia está em como essas mesmas organizações
justificam suas ações: dizem ter um olhar social
aguçado, mesmo considerando os números mais
importantes do que os CPFs. Isso nos leva a questionar
até que ponto há um verdadeiro interesse pelo bemestar coletivo ou apenas uma adaptação às exigências
do mercado. O capitalismo exige lucro, mas também
compreende que a sociedade valoriza empresas que
demonstram algum compromisso social.
O mais paradoxal dos paradoxos é que não
estaríamos discutindo nada disso não fora o próprio
capitalismo. Afinal, as ações sociais, as melhorias na
qualidade de vida, o progresso e os avanços
tecnológicos são, em grande parte, frutos desse
sistema tão criticado. Governos não produzem riquezas
por si só, mas as administram — e, sem um setor
produtivo dinâmico, não haveria recursos para
investimentos sociais.
Além disso, não há como negar que a Natureza, o
Planeta nos deu tudo que temos e nos dá tudo de que
precisamos. Porém, tudo, que é de todos, está lá na
forma bruta, precisa ser alcançado, trabalhado,
modificado e pronto para servir-nos. A questão é: quem
“de coração” se prontifica a ir lá..., retirar e transformar
para o bem comum? Quem exerceria esse “lindo”
papel?
No fim das contas, a aparente contradição do
capitalismo não é um defeito, mas sim um reflexo de
sua natureza adaptativa. Ele equilibra interesses
individuais e coletivos, impulsionando inovação,
progresso e crescimento. Se há desafios e
desigualdades, também há oportunidades e
transformações que só ocorrem porque alguém decidiu
agir, produzir e transformar. No fim, a engrenagem do
sistema não gira apenas pelo lucro, mas também pela
necessidade constante de reinventar-se e responder às
demandas sociais.
(by: results economy).