Paulo Freire testemunha, em sua obra “Educação como
prática da liberdade” (2014), uma visão dialética, de interdependência, entre educação e sociedade, analisando a
transição histórica, política e cultural do Brasil. Ele argumenta em favor de uma educação que
A dialogue com todos, valorize as diferenças e os saberes de senso comum, pois as pessoas, em sua
maioria, não atingem a consciência crítica e o saber
sistematizado, mas devem ser respeitadas e aprender
cada qual no seu limite.
B integre as pessoas na sociedade, de forma produtiva
e responsável, cada qual com sua cultura, com vistas
a um futuro melhor para todos, com preservação da
natureza e eliminação da desigualdade econômica e
de instrução.
C pratique o diálogo, a liberdade de ensinar e de aprender, fazendo de todos e de cada um senhor de suas
decisões e responsável por suas consequências
como único meio de construir uma democracia no
Brasil, cuja tradição política é autoritária.
D liberte os educandos de explicações de senso comum,
substituindo-as por conceitos científicos e infundindo-lhes responsabilidade pela transformação da realidade brasileira e superação da própria pobreza material
e política.
E liberte os homens de explicações ideológicas e promova, por meio do diálogo, uma leitura de mundo que
os eleve da consciência ingênua para a crítica, da
condição de massa de manobra para a de sujeito que
se integra à sociedade e a transforma.